Economia

Flexibilização do isolamento social reduz total de pessoas em home office

Só na segunda semana de julho, o número dos que estavam em trabalho remoto caiu de 8,86 milhões para 8,2 milhões

Mesmo com medo do contágio pelo novo coronavírus nos ônibus que precisa pegar para chegar ao emprego, a assistente de atendimento Lídia Roriz, de 32 anos, já voltou ao trabalho presencial. E ela não é a única a ter deixado o home office para trás recentemente. É que, com a flexibilização do isolamento social, tem caído o número de pessoas trabalhando de forma remota. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,5% da força de trabalho brasileira ficou em home office durante a pandemia de covid-19. Porém, o indicador começou a cair com a reabertura das atividades econômicas. Só na segunda semana de julho, o número dos que estavam em trabalho remoto caiu de 8,86 milhões para 8,2 milhões, redução de 11,6%.

“É a primeira queda significativa nesse grupo, desde o início de maio”, comentou a coordenadora da Pnad Covid19 do IBGE, Maria Lúcia Vieira, que também observou um recuo no número de pessoas que estavam temporariamente afastadas do trabalho devido à pandemia, de 8,3 milhões para 7 milhões de trabalhadores. “O distanciamento social vem deixando de ser motivo para o afastamento das pessoas do trabalho”, concluiu.

A constatação do IBGE, contudo, pegou muita gente de surpresa, já que várias empresas e até o serviço público decidiram manter o trabalho remoto mesmo após a flexibilização. A queda, segundo especialistas, explica-se pelas competências exigidas pelo home office. Para trabalhar em casa, é preciso ter acesso à internet, equipamentos adequados e certa qualificação profissional. Além disso, alguns serviços não podem ser exercidos de forma remota. 

Lídia, por exemplo, adotou o home office, mas admite que alguns serviços do cartório onde trabalha não puderam ser levados para casa e pararam na quarentena. “A gente tem medo, mas o trabalho em casa não é a mesma coisa”, explicou.

“O emprego formal e os empregos que exigem escolaridade mais alta são os que mais conseguem se adaptar ao home office”, afirmou o economista do Ibre/FGV Rodolpho Tobler. “O home office bateu 84% nas atividades administrativas, mas foi de apenas 20% nas atividades operacionais”, observou.

Segundo a Pnad Covid-19, a maior parte dos brasileiros que aderiu ao home office trabalha na administração pública, na educação e nos serviços sociais (44,4%) ou em serviços de informação, comunicação, atividades financeiras e administrativas (25,9%). Já nos setores que dependem mais da mão de obra ou do contato com o público, como a construção (1,6%) e o transporte (1,1%), essa adesão foi baixa. 

Por isso, o home office também é mais comum entre os trabalhadores formais (85%), que têm o ensino superior completo (73%), segundo o IBGE.

Desemprego continua em alta

A taxa de desemprego subiu para 13,1% da força de trabalho na semana de 5 a 11 julho, ante 12,3% na semana anterior, segundo o Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que havia 12,23 milhões de desempregados. Porém, se forem considerados os brasileiros que estão fora da força de trabalho, mas gostariam de se empregar, o total de pessoas sem ocupação chegou a 40,5 milhões. Desde a primeira semana de maio, 2,8 milhões de vagas foram fechadas.