Economia

Guedes critica quem chama novo imposto de CPMF: 'Maldade' ou 'ignorância'

O novo tributo que pretende criar para compensar a desoneração da folha que está em estudo não é uma CPMF, segundo o ministro

Rosana Hessel
postado em 05/08/2020 12:25

Paulo Guedes falando em microfoneO ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que quem chama o ;imposto digital; de nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) age com ;maldade; ou por "ignorância".

O novo tributo que pretende criar para compensar a desoneração da folha que está em estudo não é uma CPMF, segundo ele. ;As pessoas, por maldade, ou por ignorância, falam que é nova CPMF. O tempo é senhor da razão;, disse Guedes aos parlamentares da comissão especial da reforma tributária, nesta quarta-feira (5/8).

Ao ser questionado sobre o novo tributo, Guedes apenas disse que é para conversar sobre ele, ;mais à frente;, porque, como pianista que é, não adianta apresentar todas as notas musicais de uma vez para que a sinfonia seja compreendida.

Contudo, o ministro defendeu a proposta do imposto novo sobre operações sobre serviços digitais, como os da Netflix, que já são tributados no país, segundo os analistas econômicos. ;A economia está mais digitalizada e não conseguimos tributar corretamente. E estamos estudando isso;, afirmou o chefe da equipe econômica.

Ele ainda disse que a tributação de serviços digitais estão em discussão na Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube dos países ricos, mas esqueceu de contar que nenhum país desenvolvido aplica uma tributação nos modes de uma CPMF, como ele defende.

Aumentar arrecadação

De acordo com o ministro, o objetivo do governo, com a reforma tributária, é aumentar a arrecadação, mas sem elevar a carga tributária. ;Não vai ter imposto novo para aumentar alíquota e base de arrecadação, mas sempre melhorando a situação para o contribuinte;, garantiu sem detalhar qual é a estratégia.

[SAIBAMAIS]O ministro reforçou o discurso para a redução de subsídios como forma de aumentar a receita do governo e ainda voltou a defender o enxugamento da máquina pública que, segundo ele, inchou muito nos últimos anos, com aumentos de salários exorbitantes ao funcionalismo, ;degenerando a política brasileira;. ;Queremos uma máquina mais eficiente, servindo o povo e não se servindo dos impostos;, pontuou.

O chefe da equipe econômica voltou a criticar os super salários do funcionalismo, inclusive, nas estatais federais que, segundo ele, ;aumentavam taxas de serviços para aumentar salários;, enquanto diminuam os serviços prestados. Nesse sentido, ele saudou os parlamentares pela aprovação do marco do saneamento porque as empresas do setor ;lavaram as mãos; para os 35 milhões de brasileiros sem água.

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