Escolha a Escola
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Correio Braziliense

Pais devem encontrar um meio-termo entre preço e qualidade do ensino

Para escolher qual escola mais se adapta ao orçamento da família, pais devem encontrar um equilíbrio entre os custos e resultados esperados na educação dos filhos


postado em 27/09/2018 16:56 / atualizado em 29/09/2018 01:13

Silmaria e Ailson com as filhas Isabella e Mariana. O casal traça planos com antecedência para evitar dor de cabeça com o orçamento(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Silmaria e Ailson com as filhas Isabella e Mariana. O casal traça planos com antecedência para evitar dor de cabeça com o orçamento (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Taxa de matrícula, mensalidade, uniforme, material, transporte. Esses são alguns dos custos que pais e mães devem colocar na ponta do lápis na hora de encaixar no seu orçamento as despesas escolares com os filhos. Além de optar pela instituição de ensino adequada ao bolso, a família deve levar em conta a proposta pedagógica.
 
“As escolas, antes de tudo, devem ser escolhidas de maneira qualitativa. Os pais precisam conhecer e concordar com a filosofia de ensino daquela instituição. Não adianta eles optarem por qualquer uma, visando apenas o lado financeiro. O ideal é encontrar um equilíbrio e analisar a relação de custo e benefício”, comenta o educador financeiro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Jônatas Amorim.
 
De acordo com Jônatas, para os pais conseguirem lidar com as contas da escola dos filhos, a dica é fazer um diagnóstico financeiro da família a cada mês. Dessa forma, eles conseguirão perceber se o dinheiro é bem aproveitado ou se é usado com gastos supérfluos. 
 
“Entre 20% e 30% do orçamento das famílias pode ser enxugado. É preciso viabilizar o que é mais importante. Se existe dificuldade para arcar com o colégio das crianças, uma das primeiras medidas a ser tomada é a redução do orçamento mensal”, sugere.
 
Outro ponto fundamental é que as famílias só assumam compromissos com os quais possam arcar. “Se a situação financeira é de superendividamento e no orçamento não cabe nem a mensalidade, não é recomendável manter os filhos em uma escola particular com alto custo. Às vezes, é preciso dar um passo para trás”, alerta Jônatas.

Prioridades


Com dois filhos no ensino fundamental, o joalheiro Gustavo Carvalho, 39, gasta aproximadamente R$ 1,7 mil de mensalidade. Apesar de o valor deixar o seu orçamento espremido, ele escolheu a escola por sentir confiança no ambiente e nos profissionais. “O meu filho mais velho está lá desde os 6 meses de idade. A metodologia de ensino e o histórico do colégio, ao meu ver, são mais importantes que o preço”, analisa.
 
De qualquer forma, Gustavo paga menos do que outros pais. Sem descontos, a mensalidade da instituição de ensino custaria cerca de R$ 2,4 mil. No ano que vem, contudo, os custos podem aumentar, pois um dos seus filhos, Gustavo Dantas Filho, 10, vai para o 6º ano e a sua atual escola não tem turmas da série.
“Já estou pesquisando novas escolas, junto com os pais dos colegas dele. O nosso objetivo é tentar algum desconto, pois queremos que os nossos filhos continuem estudando juntos”, explica.

Vale negociar?


Na visão da educadora financeira da DSOP Educação Financeira, Nilva Ana Perini, os pais não devem ficar com receio de dialogar com a escola no intuito de conseguir descontos. “A família precisa agendar uma reunião com o responsável pela escola e ser bastante franca. Se existir alguma dificuldade financeira, ela deve ser apresentada. Assim, as duas partes podem entrar em consenso e ambas saem ganhando”, indica.
 
Nilva ressalta que evitar dívidas a longo prazo também pode aliviar a situação financeira da família. Taxas pagas à vista geralmente saem mais baratas do que as parceladas. Além disso, planejar os custos com antecedência contribui para que os pais não sejam surpreendidos com o valor das cobranças. 
 
“O momento de começar o planejamento é agora. Os pais terão um tempo confortável para poupar e encaixar as despesas da escola dentro do 13º salário, por exemplo. Deixar para a última hora nunca é bom”, indica.

Planejamento


O último trimestre do ano é justamente o momento que o gerente de compras Ailson dos Santos, 34, reserva para se preparar para os futuros gastos na escola das filhas Isabella, 11, e Mariana Murça, 4.
“Todo início de ano é mais difícil. Além do colégio delas, tenho que pagar tributos residenciais e veiculares. Os encargos são maiores. Portanto, montar uma estratégia com três meses de antecedência me dá mais tranquilidade para juntar o dinheiro necessário”, relata.
 
Junto, o valor das mensalidades das filhas fica em R$ 730. Mesmo achando o preço alto, Ailson acredita que as filhas estão em uma escola que pode contribuir para o aprendizado. “Enquanto eu puder dar o melhor para elas, farei isso, pois estou investindo no futuro de cada uma. Por mais que a situação esteja apertada agora, lá na frente, elas colherão os frutos disso”, defende. 
 

Para não ficar no vermelho

Saiba que fatores levar em consideração para equilibrar os gastos escolares

Conheça os valores da escola
Busque as melhores condições para o seu orçamento, mas sem que o seu filho perca qualidade de ensino. Os princípios e valores adotados pelo colégio contribuem diretamente na formação pessoal do estudante

Economize
Tente economizar ao máximo. Sempre que possível, reaproveite materiais que ainda podem ser usados e tente negociar descontos com a direção da escola. Além disso, corte gastos desnecessários em casa

Se necessário, mude
Caso seja necessário trocar o filho para uma escola em que a qualidade do ensino é inferior, os pais podem providenciar suporte pedagógico externo para compensar a perda, pagando professores particulares ou até mesmo cursos on-line

Seja responsável
Nunca leve para a frente um compromisso que pode interferir no orçamento. Dependendo da situação, parcelar valores não é vantajoso. Priorize os pagamentos à vista

Peça ajuda
Se a troca de escola não desafogar o orçamento familiar, os pais devem procurar o auxílio de algum educador financeiro. Quando são necessários sacrifícios, como a venda de bens pessoais, isso é um sinal grave de que a família precisa de ajuda 

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