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Correio Braziliense

Fake news podem prejudicar também o desempenho escolar

Engana-se quem pensa que as notícias falsas só afetam o meio político. Aprender a checar os fatos é necessário para evitar erros, por exemplo, na prova do Enem


postado em 27/09/2018 18:21 / atualizado em 29/09/2018 00:04

Angélica e Livanildo com os filhos Matheus, Davi e Gabryel(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Angélica e Livanildo com os filhos Matheus, Davi e Gabryel (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

A disseminação de notícias falsas se tornou motivo de preocupação há algum tempo e o combate às chamadas fake news ganhou ainda mais relevância em tempo de campanha eleitoral. Engana-se quem pensa que elas só afetam o meio político.
 
O que tem preocupado no meio escolar é a enxurrada de informações a que crianças e adolescentes têm acesso diariamente e a falta de discernimento de separar o que é uma notícia verdadeira de uma falsa.
Professor de geografia e sociologia do colégio Ideal, Walmir Perez acredita que uma das formas de levar crianças e adolescentes a diferenciar esses conteúdos é instigá-los à leitura. E é isso que ele tem feito. “Uma vez que o aluno lê sobre algo, ele traz o tema para a sala de aula e debatemos. Quando o assunto é pouco confiável, ainda assim discutimos e pesquisamos”, diz.
 
Ele lembra ainda que a expressão fake news tem sido usada de forma intensa, no entanto, ela não é novidade. “Uma coisa é certa: notícias estranhas e duvidosas sempre vão aparecer. Não tem como fugirmos disso. Fico satisfeito quando vejo que meus alunos não concordam com o fato de as pessoas mentirem em benefício próprio”, afirma.

O papel da escola


Um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, revela que a chance de uma informação falsa ser repassada é 70% maior que a de notícias verdadeiras. O número assustador traz um alerta aos professores e educadores de todo o Brasil, principalmente com a proximidade de provas importantes como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os vestibulares.
 
A professora Stella Maris Bortoni , do Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), diz que, hoje, com o fácil acesso à internet e a rapidez em que os estudantes recebem notícias, um dos principais papéis do professor é ensinar a pesquisar a fonte.
 
“O Enem já está aí e, com muita frequência, a redação é sobre algum fato veiculado nas mídias. Por isso, é preciso atenção redobrada”, alerta Stella Maris, que acredita que as fake news podem atrapalhar na etapa de maior valor da prova, a redação.
 
A estudante Janaína Vieira, 20, afirma que, depois de acreditar em uma notícia falsa que circulava pela rede, passou a verificar a fonte das informações que recebe. “Como a vida nos dias atuais é extremamente acelerada, muitas vezes, as pessoas não têm tempo para pesquisar as fontes e se aprofundar no assunto, então acabam acreditando no que foi informado. As fake news são um desserviço”, opina.
 
Mãe da estudante, a servidora pública Luza Karla Lima, 48, acredita que o papel da escola é munir os estudantes de conhecimento, promovendo debates sobre o assunto, auxiliando durante as pesquisas, sempre em fontes pertinentes e seguras.
 
Além disso, ela frisa que o auxílio aos filhos é indispensável. “Em casa, nós trabalhamos isso com muito diálogo e atenção. Com isso, crio seres capazes de discernir que as notícias falsas são apenas uma forma de manipular as pessoas para que elas compartilhem e propaguem imagens distorcidas da realidade.”

Influência dos pais


A presidente executiva do Instituto Palavra aberta, Patrícia Blanco, ressalta que a participação e o acompanhamento dos pais nesse processo é fundamental. “Eles devem incentivar os filhos a acessar outros meios de informação, para que possam interpretar de uma maneira mais embasada no fato, e não na emoção”, observa.
 
A empresária Angélica Abrantes, 35, é mãe de Matheus, 16, Gabryel, 14, e Davi,6, e busca conversar com os filhos sobre todos os assuntos. Juntos, eles checam a autenticidade das informações. Ela admite, no entanto, que já passaram por situações em que as crianças acreditaram em histórias falsas.
 
“Teve um tempo em que os meninos tiveram muito medo de uma notícia que relatava que palhaços assustavam pessoas e isso causava um pânico enorme neles. Eles tinham medo até de sair de casa”, conta.
Ela sugere que a solução para enfrentar situações semelhantes é ter abertura para tratar de qualquer assunto com os filhos. “Podemos ajudar com debates, ensinando respeito e limites. Mostrando na prática como lidar”, resume.

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