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Correio Braziliense

Existe idade ideal para aprender o segundo idioma? Especialistas respondem

Aprender um segundo idioma desde a infância ajuda a memória e até a capacidade de executar múltiplas tarefas


postado em 27/09/2018 18:48 / atualizado em 28/09/2018 16:52

Mariana Freitasm incentiva os filhos Pedro e Sofia a aprenderem inglês(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Mariana Freitasm incentiva os filhos Pedro e Sofia a aprenderem inglês (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
O contato com um segundo idioma desde cedo contribui não apenas para aprender com mais facilidade a língua estrangeira, mas também ajuda a desenvolver habilidades cognitivas.
 
De acordo com a professora de inglês Roberta Barcelos, inserir um novo idioma na vida de uma criança traz inúmeros benefícios, como o desenvolvimento da audição, sensibilidade à linguagem, aprimoramento da memória e da capacidade de executar múltiplas tarefas.
 
A diretora de Admissions da escola bilíngue canadense Maple Bear, Sylvia Tzemos, lembra que, com o passar dos anos e a globalização, aprender um segundo idioma se tornou ainda mais relevante.
 
“Se iniciado na infância, o novo idioma já se torna natural para o indivíduo. Caso a pessoa tenha oportunidade de iniciar na adolescência, ajuda também”, relata. Sobre a escolha da língua, Sylvia ressalta que o objetivo de cada um deve ser considerado.
 
“Quer estudar uma nova língua por quê? Se pretende morar no Japão, não é necessário estudar o inglês, por exemplo. Tudo vai depender. O inglês ainda é o mais procurado por ser muito falado mundialmente.”
 
Há 20 anos, a publicitária, Mariana Freitas, 40 anos, partia para os Estados Unidos, onde participou de intercâmbio na cidade de Rhode Island. Passou seis meses por lá e, até hoje, conversa em inglês fluentemente. Agora, ela incentiva os filhos Pedro Nilo Oliveira,7, e Sofia Oliveira, 4, a aprenderem um segundo idioma.
 
Pedro começou o inglês na educação básica, aos 5 anos, e já faz curso há dois. Sofia começou  este ano. “Dentro do limite, a Sofia já tem fluência, está aprendendo tudo direitinho e os resultados já são bem perceptíveis. O Pedro faz o projeto bilíngue e eu já percebi um desenvolvimento muito bom nele”, conta a mãe.

Tecnologia


Diversificar as estratégias de ensino também é importante no ensino do idioma. “Nós temos parceria com algumas escolas em que, no período contrário ao da aula, ensinamos o inglês de uma forma diferenciada. Além da gramática, temos aulas de gastronomia, jogos e brincadeiras, tudo em inglês”, exemplifica a superintendente acadêmica da Casa Thomas Jefferson, Isabela Villas Boas.
 
Assim como no ensino regular, a tecnologia invade também as salas de aula dos cursos de inglês. No caso da Thomas, o Makerspace, espaço com uma série de recursos de robótica e de inteligência artificial da Amazon, leva a inovação aos estudantes. “Tudo isso para dar oportunidade de os alunos aprenderem e ter a chance de estender o aprendizado fora da sala”, completa Isabela.


Tira-dúvidas


Veja as respostas para alguns do questionamentos que costumam surgir sobre o ensino do segundo idioma
 
Qual a diferença entre uma escola bilíngue e uma internacional?
 
A escola bilíngue segue o currículo brasileiro e ensina uma parte dos conteúdos na segunda língua — no mínimo 30% — outra parte na primeira. O conteúdo tem de ser ensinado no idioma estrangeiro, e não apenas repetido em um projeto bilíngue. Já a escola internacional segue um currículo de outro país e ensina todo o conteúdo na segunda língua, com uma disciplina de língua portuguesa. 
 
Um curso de inglês fora da escola traz os mesmos resultados?
 
Não, são resultados diferentes. Na maioria das vezes, a escola tem uma metodologia voltada para a escrita e para obter bons resultados em provas. Já o curso fora da escola tem metodologia adaptada para treinar habilidades: fala, escrita, compreensão e leitura.

Como saber qual o melhor modelo para o meu filho?
 
Essa escolha vai depender muito da família. Se ela pretende morar fora ou que o filho faça graduação fora, uma escola bilíngue ou internacional pode ser uma boa escolha. Além disso, é importante considerar o perfil de cada criança e matriculá-la em um modelo que esteja mais em sintonia com ela. Por exemplo, um contexto mais desafiador em termos de diversidade de experiências pode ser mais adequado para crianças mais criativas e que gostam de explorar.

A partir de que idade ele pode começar a ter contato com outro idioma?
 
Quanto mais cedo começar melhor, pois a faculdade linguística é formada até os 12 anos. Se começar bem cedo, terá pronúncia mais próxima da nativa e habilidades mais aguçadas do que as daquele indivíduo que começou mais tarde. 

A alfabetização em duas línguas confunde a criança?
 
Esse é um mito. Segundo especialistas em bilinguismo, não há interferência. Na verdade, quanto mais exercitamos o nosso cérebro e ampliamos as conexões neuronais, melhor. A maioria das crianças é capaz de ler e escrever em duas línguas simultaneamente se tiverem o apoio correto. Há diversas habilidades de leitura que são transferidas entre as duas línguas.

Fontes: Roberta Barcelos; Andressa Lucena; e Isabela Villas Boas e Denise De Felice

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