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Correio Braziliense

Crianças aprendem programação ainda na educação infantil

Mais do que usar smartphones e tablets no dia a dia, crianças podem começar a aprender até mesmo sobre programação na escola


postado em 27/09/2018 19:21 / atualizado em 29/09/2018 00:15

Uso de aparelhos tecnológicos vai além daquele diário: desenvolvimento de competências(foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press)
Uso de aparelhos tecnológicos vai além daquele diário: desenvolvimento de competências (foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press)
 
 
O contato diário com a tecnologia faz com que crianças e adolescentes se familiarizem com tablets, computadores e smartphones rapidamente. É possível, no entanto, usar essas ferramentas também para fins pedagógicos, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógico, por exemplo.
 
Na Escola Cresce, em Águas Claras, os alunos têm contato com a tecnologia por meio de aulas com tablets. Crianças de turmas do 2º ao 5º ano do ensino fundamental aprendem programação por meio do projeto Turing. 
 
De acordo com a diretora-pedagógica da instituição, Mayura Cordeiro, o projeto ensina os alunos a pensar digitalmente e vai além do simples fato de usar tecnologia no dia a dia. “O projeto tem o intuito de ensinar as crianças a pensarem como seres ativos. Nossos alunos não são simples usuários. Eles aprendem a linguagem específica dessa tecnologia, o conceito e, daí para a frente, eles fazem o que quiserem”, diz.
 
O projeto Turing teve início este ano na escola e já é sucesso entre as crianças. Pedro Marques, 7 anos, está no 2º ano do ensino fundamental. A mãe dele, a consultora de TI, Érika Marques, 37, conta que o filho está bastante empolgado com as aulas práticas e as dinâmicas oferecidas pelo projeto.
 
“A gente vê que eles têm feito atividades dinâmicas para que os alunos possam entender a lógica da programação, o algoritmo e sobre como o computador responde aos comandos”, relata. “Acho essa ideia sensacional, porque, como eu trabalho nessa área, meu filho se aproxima um pouco do meu mundo.”
 
O professor de lógica de programação da escola, Tayguara Amaral, ressalta que, como ainda são muito pequenos, os alunos não aprendem a programação em si, mas, sim, a pensar como programadores. “Nós deixamos o aluno livre para pensar, não somente receber os conteúdos, mas também criá-los”, completa.

Robôs


Entre as dinâmicas realizadas pelo Projeto Turing, um dos destaque é o Robochefe. Na atividade, os alunos se dividem em grupos e uma das crianças de cada grupo é o robô. As demais dão as instruções, como se fossem os comandos de algoritmo. 
 
Ao seguir as instruções, o “robô” tinha que preparar a receita de um sanduíche. “A lógica da programação nesse caso era o passo a passo para a receita, como abrir o pão, colocar o queijo, o tomate, etc”, conta Tayguara.
 
As aulas de programação também contam com parcerias com outras áreas. No caso do Robochefe, a disciplina teve o apoio da nutricionista da escola, que aproveitou o tema para falar sobre alimentação saudável.
 
(foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Marilia Lima/Esp. CB/D.A Press)

Raciocínio lógico

A coordenadora de Ciência da Computação e Engenharia da Computação do Iesb, Patrícia Moscarielo, afirma que, quanto mais as crianças tiverem contato com a tecnologia no ambiente escolar, mais raciocínio lógico será desenvolvido. A especialista ressalta que é importante que os métodos sejam atrativos para os pequenos.

 
“Para inseri-los neste mundo, é preciso iniciar com programas fáceis, linguagem visual inteligente e interessante para agradar as crianças. Coisas coloridas, que chamam a atenção, são indispensáveis. E nada de imagens estáticas. As crianças são atraídas por movimentos”, relata.
 
Sobre a idade em que a criança já pode começar a ter contato com as diversas tecnologias, Patrícia observa que não há período certo. “Se iniciarem cedo, quando estiverem com 10, 12 anos, já aprenderam a programar e isso já favorece demais o raciocínio lógico”, destaca.

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