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Correio Braziliense

Brasil tem mais de 650 empresas de tecnologia para a educação

As chamadas edtechs estão tomando conta das soluções tecnológicas na educação. No DF, são 15 empresas


postado em 27/09/2018 19:27 / atualizado em 29/09/2018 19:35

A transformação da prática em sala de aula chega a um novo patamar à medida que os recursos tecnológicos aplicados à educação se aprimoram. Com isso em mente, entidades e órgãos passaram a se dedicar à análise de como atuam as empresas que focam no desenvolvimento de soluções para o setor educacional. 
 
O aumento do número de companhias que fornecem produtos e serviços para melhorar a aprendizagem fez com que elas ganhassem um nome. As palavras “educação” e “tecnologia”, em inglês, se mesclaram e deram origem ao termo edtech. 
 
Pesquisa publicada este ano pela Associação Brasileira de Startups do Brasil (Abstartup) e pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) contabilizou 364 companhias emergentes ou recém-criadas que ofereciam soluções e serviços variados para o setor em 2017. Hoje, segundo a Abstartup, há 651 companhias desse ramo em todo o país, sendo 15 delas no DF. 
 
De acordo com a diretora-presidente do Cieb, Lúcia Dellagnelo, os serviços prestados pelas startups mapeadas vão desde a oferta de conteúdos digitais e aulas de reforço on-line até ferramentas de gestão escolar e de sala de aula para auxiliar educadores na hora de propor atividades aos estudantes.
 
Doutora em educação pela Universidade de Harvard, em Massachusetts, nos Estados Unidos, Lúcia afirma que um suporte tecnológico adequado na educação básica fornece três vantagens à aprendizagem: qualidade, equidade e contemporaneidade.
 
“Há várias edtechs surgindo na área de educação e muitos cursos de pós-graduação com foco nisso. Inclusive, a maioria dos professores brasileiros tem se formado em cursos de pedagogia a distância. No entanto, eles aprendem pela tecnologia, mas não sabem inseri-las em sala. Essa é uma competência que temos de ajudá-los a encontrar”, explica a pesquisadora.


Políticas públicas


Ainda segundo Lúcia, o planejamento do uso da tecnologia no Brasil e em outros países não ocorre de forma completa. Entretanto, o gargalo pode ser diminuído com a formulação de políticas públicas de fomento a esses recursos e de apoio às unidades da Federação.
 
“Tirando nações como China e Uruguai, todos os países ainda estão caminhando e enfrentando desafios para incorporar a tecnologia. E os projetos têm de ser articulados. A simples presença da tecnologia por si só não faz a diferença”, ressalta Lúcia.
 
 

A conexão ideal


O impacto dos avanços na área das tecnologias da informação e da comunicação demandou mais do que uma simples adaptação de modo de vida. As novas exigências se estenderam ao campo profissional e, de forma inevitável, à educação. O uso de recursos tecnológicos nas escolas alcançou um papel que foi além da disponibilidade de computadores em laboratórios.
 
A necessidade de acompanhar as inovações e de atender com agilidade a demandas cada vez mais imediatas dos estudantes resultou em iniciativas como a adoção de tablets em salas de aula, a leitura de livros em formato digital, a consulta a dados em tempo real e a escolha por plataformas de estudo virtuais. 

Com o intuito de descobrir o que os educadores de escolas públicas brasileiras pensam sobre a tecnologia em sala de aula, a organização Todos pela Educação realizou, durante o primeiro semestre do ano passado, um levantamento com 4 mil professores dos ensinos fundamental e médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

Desses profissionais, 72% declararam usar a tecnologia para apresentar informação sempre ou às vezes e 46% afirmaram que o uso com esse objetivo ocorre ao menos uma vez por semana. A pesquisa concluiu, entretanto, que apenas um terço dos respondentes tem facilidade ou expertise no uso desses recursos. 

Com a proximidade do período de matrículas nas escolas, vale a pena os pais se perguntarem como o uso da tecnologia pode favorecer a educação dos filhos e que peso ela deve ter na escolha de uma instituição de ensino. 

Para a psicanalista infantil e doutora em psicologia clínica Ciomara Schneider, o uso de recursos tecnológicos tem duas perspectivas e, para contribuir com o aprendizado, eles precisam de aplicação equilibrada. “Os colégios têm buscado esse ponto. O limite geralmente fica entre o bom senso das instituições de ensino e o dos pais.”

Ainda segundo a especialista, o desenvolvimento cognitivo das crianças depende da relação com o outro e, por isso, se há grande apego ao tecnológico, o aprimoramento de habilidades com foco no progresso intelectual pode ficar prejudicado. 

“Para nos tornarmos pessoas inteligentes, é necessário que tenhamos, primeiramente, experiências internas. E, para que a criança desenvolva esquemas cognitivos, é indispensável o contato dela com outros seres humanos”, diz a psicanalista.
 

Equilíbrio


Ciomara enfatiza que a tecnologia pode, sim, estar atrelada à educação e favorecer o aprendizado de crianças e adolescentes e afirma que o isolamento tecnológico pode ser tão desfavorável quanto o uso ininterrupto dessas ferramentas.
 
“(Instrumentos multimídia) são recursos metacognitivos que entram paralelamente ao que o professor está falando. Um aluno pode ter mais facilidade para prestar atenção em um slide do que na explicação oral, por exemplo. Nesses casos, a tecnologia deve aparecer como forma de pescar interesse e não ter domínio total”, complementa a psicóloga.

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