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Correio Braziliense

Celular em sala, pode? Professores, pais e alunos comentam prós e contras

A França proibiu o uso. Especialistas destacam prós, a exemplo da criatividade, e contras, como a abreviação da escrita


postado em 27/09/2018 19:30 / atualizado em 28/09/2018 16:33

(foto: Vinícius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Vinícius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)


Ferramenta indispensável no século 21, o celular chegou às salas de aula como mais uma forma de complementar a educação dos estudantes. Entretanto, a facilidade veio acompanhada de desafios para conseguir a atenção dos alunos e para o desenvolvimento de modos criativos de associá-lo ao ensino. 
 
O assunto, que não preocupa apenas responsáveis e educadores, virou tema de pesquisas. Uma delas, publicada no ano passado, aponta que o equipamento é o recurso mais usado pelos alunos para acessar a internet nas instituições de ensino públicas e particulares de áreas urbanas brasileiras.
 
Este ano, a França proibiu o uso desses aparelhos nas escolas de ensino infantil e nos collèges (primeiro ciclo do ensino secundário) do país. A lei impede o uso de qualquer aparelho conectável à internet nessas instituições de ensino e permite que a medida seja adotada total ou parcialmente nos liceus (segundo ciclo do ensino secundário).
 
Para quem defendeu a proibição, esses aparelhos prejudicam a capacidade de atenção em sala e reduzem a atividade física dos estudantes, além de favorecer a exposição de menores a conteúdos inadequados à idade. Quem é contra o impedimento, vê os celulares como ferramentas de apoio à aprendizagem.
 
Para a pedagoga e psicopedagoga Maria Augusta Pimenta, os estudantes devem ser instruídos para lidar com esses recursos da maneira mais adequada. “Precisamos debater, conversar e dar responsabilidade para todos. Os pais devem conhecer o projeto político-pedagógico da escola e a forma como esse projeto é desenvolvido”, comenta.
 
Entre os prejuízos para o desenvolvimento infantil, Maria Augusta cita a busca por respostas e resoluções para problemas mais imediatos, atrasos no grafismo, abreviação na escrita, crises de sono, desgaste emocional, isolamento e até transtornos alimentares. 
 
Por outro lado, os benefícios envolvem a possibilidade de se trabalharem projetos pedagógicos de forma criativa, de aproximar as escolas das evoluções tecnológicas, de promover acesso a informações de modo veloz para os estudantes e de oferecer aos professores um mecanismo que permita novas formas de apresentação de conteúdos.
 
Mesmo assim, a especialista enxerga alguns obstáculos. “O currículo apresentado precisa ser diversificado não só em conteúdos e matérias, mas também para acolher diferenças culturais e sociais, e sem deixar as tecnologias da informação e da comunicação de fora”, reforça Maria Augusta. 
 
 

Proibição no DF

 
No DF, a Lei nº 4.131, de maio de 2008 proíbe o uso de aparelhos eletrônicos capazes de armazenar e reproduzir arquivos de áudio, CDs e jogos nas escolas. Essas ferramentas ficam permitidas apenas nos intervalos, horários de recreio e fora da sala de aula. Na prática, no entanto, cada escola adequa o uso dos smartphones à própria linha pedagógica.
 

91% dos professores utilizam a internet pelo celular

49% deles acessaram a internet pelo telefone celular em atividades com os alunos em 2017

60% dos estudantes da rede privada fazem uso do celular em atividades da escola a pedido dos professores

51% dos estudantes de escolas públicas fazem o mesmo

31% dos alunos brasileiros que têm acesso à internet usam o celular na escola

10% das escolas urbanas brasileiras têm internet sem fio de uso livre para todos
 
Fonte: Cetic.br, TIC Educação 2016
 
 

Uso dirigido do aparelho

Para Sandro Pauletti, diretor-pedagógico do Claretiano — Centro Educacional Stella Maris, a adoção de políticas relacionadas ao uso de celular nas escolas exige um pensamento em várias vertentes. Ele comenta que o uso deve ser dirigido e que dispositivos como smartphones não podem ser desconsiderados no contexto atual.

“Ele pode contribuir muito com o aprendizado, mas deve ser manipulado com maturidade. Em geral, nossos alunos são conscientes das obrigações deles. Às vezes, o professor orienta para que eles prestem atenção ao trabalho a ser desenvolvido e deixe o celular para a hora do intervalo ou da troca de aulas”, detalha. 

Em relação à proibição, o educador considera que as instituições de ensino não devem ir contra a modernidade, mas deve-se evitar o uso exagerado por alunos do ensino médio.
 
“A aplicação constante da ferramenta faz com que se perca um pouco da questão da inovação e do propósito de ser algo diferente para aquela aula expositiva. A parte ruim é quando o aluno se afasta da proposta de construção do conhecimento e da troca de experiências”, avalia Sandro. 

Na visão de Juliana Xavier, 33 anos, mãe de dois estudantes, de 15 e 7 anos, aparelhos celulares contribuem, principalmente, com a pesquisa no ambiente escolar. Ela avalia que o recurso fornece informações de maneira rápida e clara aos alunos.

“Meu filho mais velho é deficiente e acho que o dispositivo ajuda bastante, até mesmo porque ele não escreve direito. O que prejudica mais são as mídias sociais”, analisa. 

Para evitar estabelecer normas diferentes entre os filhos, ela decidiu que o mais novo só terá um aparelho aos 12 anos. “Foi a mesma idade que o mais velho tinha quando ganhou o dele. Por sinal, já chamaram a atenção dele por usar o celular constantemente na escola. Mas também não posso tirar isso dele, pois é nosso meio de comunicação”, pondera a professora.  

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