Escolha a Escola
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Correio Braziliense

Por que acompanhar o Ideb? Entenda a importância do índice

Índice que mede o desenvolvimento da educação básica está abaixo das metas no segundo ciclo do fundamental e no ensino médio. Mas o que isso significa?


postado em 27/09/2018 19:39 / atualizado em 29/09/2018 19:37

Na educação infantil, a maioria das metas foi alcançada(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Na educação infantil, a maioria das metas foi alcançada (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado no início de setembro, mostrou, mais uma vez, pouca evolução nos anos finais dos ensinos fundamental e médio no Distrito Federal. Nem a rede pública nem a privada alcançaram as metas previstas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação. 
 
Usado como forma de avaliar a educação básica desde 2007, o indicador aponta o desempenho das escolas por meio de um cálculo baseado no fluxo escolar (número de estudantes aprovados) e no desempenho dos alunos nas provas do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O primeiro é verificado por meio do Censo Escolar; o segundo, por provas de português e matemática aplicadas em todo o país.
 
No caso das escolas públicas, o índice não pode ser levado em conta para a escolha da instituição de ensino, pois a matrícula ocorre com base no endereço informado no ato da inscrição. No entanto, o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse ressalta que isso não quer dizer que as famílias não possam e não devam se atentar aos resultados das avaliações nacionais.
 
“Existem instituições que, às vezes, têm restrições em indicadores como o Ideb, mas contam com ações de combate ao preconceito, ao racismo e projetos de conhecimento da realidade local. A família deve acompanhar tudo isso e garantir a presença da criança na escola”, destaca.
 

Instruções

 

Em relação à função da escola, Ocimar afirma que esse papel corresponde a fazer com que as crianças se apropriem de conhecimento interessante, poderoso e significativo. No entanto, ainda há desafios que precisam de atenção para garantir resultados cada vez mais positivos nas avaliações. Entre eles está a forma como os índices são interpretados e o processo de formação dos professores, que, segundo o educador, precisa ser mais extenso.
 
“O Saeb deveria oferecer orientações para as faculdades com cursos de licenciatura. Temos de traduzir essas descobertas em instruções. Que alternativas podem ser dadas para melhorar a aprendizagem? E quantas escolas encontramos que, de fato, discutiram os índices?”, questiona.
 
“Quaisquer que sejam os resultados, eles precisam ser pensados. Esse é o grande desafio. Não adianta fazer um monte de avaliações se não tivermos apropriação dos resultados nem entendê-los pedagogicamente”, analisa o professor.

Mesmo com a projeção de índices cada vez maiores para os ensinos fundamental e médio das redes pública e privada nos próximos biênios até 2021, Roberto Catelli, coordenador do Programa de Educação de Jovens e Adultos da Ação Educativa não crê que a tendência seja de avanço.

 

“Já vimos que somente alertar para os maus resultados não funciona. No Brasil, não temos conseguido ir além para promover investimentos onde existiram resultados desfavoráveis. Eles vêm se acumulando especialmente nas séries finais e no ensino médio”, observa Catelli.

 

Para o especialista, não há motivo para acreditar que se terá avanços, “pois não há propostas de investigação do que está acontecendo para que as redes recebam apoio e alcancem resultados melhores”.

 

Doutor pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Catelli considera que iniciativas promovidas para integrar responsáveis, alunos e toda a comunidade escolar também são valiosas no processo de aprendizagem e, portanto, poderiam complementar as notas das avaliações.

 

Formação

 

No entanto, as dificuldades com a identificação dos maiores problemas das instituições de ensino, observados nos resultados do Ideb, impedem que elas adotem medidas que favoreçam desempenhos melhores. A formação dos professores é um dos principais pontos levantados por Catelli para levar ao aprimoramento da educação.

 

O número de colégios privados avaliados por meio do Ideb em 2017 foi baixo no Distrito Federal. A participação não é obrigatória. Além dessas instituições de ensino, as escolas públicas de anos finais e de ensino médio também foram avaliadas. Das 83 instituições, apenas 12 tiveram condições de serem avaliadas, segundo a Secretaria de Educação. O motivo foi a quantidade reduzida de estudantes que participaram das provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), um dos exames que compõem a nota do Ideb.

 

As escolas públicas de anos iniciais foram as únicas a alcançar a meta estabelecida. Segundo a diretora da Escola Classe 113 Norte, Silene Rubim Nunes, o trabalho que levou à segunda colocação no Ideb resultou de um esforço coletivo. “A escola é como uma corrente, formada por toda a comunidade. Se algum integrante sai, o elo se rompe. Não dá certo”, comenta. O colégio da Asa Norte ficou empatado com a Escola Classe 111 Sul. As duas instituições de ensino ficaram atrás apenas do Colégio Militar Dom Pedro II.

 

 

Impactos na escolha 

 

Ainda que os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) sejam motivo de comparação entre as instituições de ensino, o indicador precisa ser analisado com cautela por pais e mães nas ocasiões em que for usado como critério de escolha para as escolas das crianças e adolescentes. 
 
A avaliação chegou há pouco tempo ao ensino médio e ainda não é adotada por todas as escolas particulares. Além disso, algumas disciplinas não são levadas em conta na prova. Por isso, especialistas em educação reforçam a importância de que as próprias escolas adotem mecanismos internos de verificação do desempenho estudantil.
 
Um desses pesquisadores é Roberto Catelli, coordenador do Programa de Educação de Jovens e Adultos da associação civil sem fins lucrativos Ação Educativa. Para ele, o ideal seria que o Ideb fosse combinado com outros índices de avaliação das escolas. Ele acredita que o problema está no foco em língua portuguesa e matemática, enquanto ciência humanas, artes e demais disciplinas ficam de fora.
 
“Sem contar outros procedimentos ou atividades que os colégios podem realizar e serem contribuições importantes. Acho que o problema não é tanto mudar essa avaliação, mas tê-la como único parâmetro”, avalia.
 
Tendo isso em mente, Roberto Catelli reforça que os responsáveis não devem avaliar apenas o Ideb das escolas onde matricularão os filhos. “Embora eu seja crítico de que ele seja um critério por excelência, não se pode deixar de dizer que existe um aspecto colocado, o desempenho em português e matemática, que indicará qual escola tem o melhor ou o pior desempenho e evidenciará a questão do rendimento escolar. Por isso, sugiro que os pais não tomem o índice como único critério e que avaliem mais fatores na hora de escolher a instituição dos filhos”, recomenda.
 
A filha de Elaine Wagner estuda em uma das escolas mais bem colocadas no Ideb(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
A filha de Elaine Wagner estuda em uma das escolas mais bem colocadas no Ideb (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 

Integração


Com uma filha matriculada na Escola Classe 113 Norte — instituição que ficou em segundo lugar no Ideb entre as escolas públicas de anos iniciais no Distrito Federal —, Elaine Wagner, 40 anos, acredita que a integração dos professores com a comunidade escolar foi um dos principais fatores que resultou no desempenho positivo do colégio. 
 
Para ela, o acompanhamento de perto dos educadores favorece o processo de aprendizagem das crianças. “Quando entrou no 1º ano, minha filha não sabia ler por completo algumas palavras. Ela passou por um reforço com a professora e isso a incentivou muito. Somos sempre muito bem recebidas aqui”, diz.
 
Mãe de um estudante do 3º ano do ensino fundamental na mesma instituição, Cyntia Carla Barros, 32, também considera fundamental a participação dos pais. Ela acrescenta que um ambiente integrado permite a colaboração mútua e abre margem para os responsáveis sentirem mais liberdade em conversar com a equipe pedagógica. “Os pais precisam estar presentes, conhecer o colégio e fazer parte de tudo. Se você faz isso, sabe o terreno onde pisa e começa a fazer parte da comunidade escolar”, comenta.

Números do Ideb 2017 no Distrito Federal


19 escolas privadas,

3 escolas federais e 

413 escolas distritais foram avaliadas 

 

Índices e resultados

Confira o desempenho das escolas públicas e particulares do Distrito Federal que foram avaliadas por meio do Ideb em 2017

 

ESCOLAS PÚBLICAS

Anos iniciais (5º ano)

A cada 100 alunos, seis não foram aprovados

 

Aprendizado: 6,36

Fluxo: 0,94

Ideb: 6,0

Meta para o DF: 6,0

 

Anos finais (9º ano)

A cada 100 alunos, 17 não foram aprovados

 

Aprendizado: 5,15

Fluxo: 0,83

Ideb: 4,3

Meta para o DF: 4,8

 

Ensino médio (3º ano)

A cada 100 alunos, 21 não foram aprovados

 

Aprendizado: 4,31

Fluxo: 0,79

Ideb: 3,4

Meta para o DF: 4,4

 

ESCOLAS PARTICULARES

Anos iniciais (5º ano)

Todos os alunos foram aprovados

 

Aprendizado: 7,42

Fluxo: 1,0

Ideb: 7,4

Meta para o DF: 7,5

 

Anos finais (9º ano)

A cada 100 alunos, três não foram aprovados

 

Aprendizado: 6,71

Fluxo: 0,97

Ideb: 6,5

Meta para o DF: 7,1

 

Ensino médio (3º ano)

A cada 100 alunos, quatro não foram aprovados

 

Aprendizado: 6,25

Fluxo: 0,96

Ideb: 6,0

Meta para o DF: 6,9

 

Fonte: QEdu.org.br/Dados do Ideb–Inep (2017) 
 

Pouco avanço


Confira os resultados do Ideb por categoria (os números em verde representam os índices alcançados): 

5º ano do ensino fundamental

Ano Ideb Metas 
observado projetadas
2005 4,8 -
2007 5,0 4,9
2009 5,6 5,2
2011 5,7 5,6
2013 5,9 5,8
2015 6,0 6,1
2017 6,3 6,3
2019 - 6,6

9º ano do ensino fundamental

Ano Ideb Metas 
observado projetadas
2005 3,8 -
2007 4,0 3,9
2009 4,4 4,0
2011 4,4 4,3
2013 4,4 4,7
2015 4,5 5,1
2017 4,9 5,3
2019 - 5,6

3º ano do ensino médio

Ano Ideb Metas 
observado projetadas
2005 3,6 -
2007 4,0 3,6
2009 3,8 3,7
2011 3,8 3,9
2013 4,0 4,1
2015 4,0 4,5
2017 4,1 4,9
2019 - 5,2
Fonte: Inep/MEC  

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