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Correio Braziliense

O primeiro mundo do seu filho

Encontrar uma creche pode ser um dilema. Especialistas explicam quais fatores os pais devem considerar na escolha


postado em 28/09/2019 06:02 / atualizado em 01/10/2019 14:15

O momento de procurar uma creche para os filhos pequenos pode se tornar um dilema para os pais(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
O momento de procurar uma creche para os filhos pequenos pode se tornar um dilema para os pais (foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
Tempos depois do nascimento do bebê, os pais precisam retomar a rotina. Família, casa, trabalho. Eles não precisam dar conta de tudo sozinhos, mas confiar a supervisão dos filhos a uma creche não é fácil. Como saber que o serviço desenvolvido nesses lugares é de qualidade?

A creche abrange crianças de zero a três anos de idade — fase que é marcada por descobertas significativas. PhD em educação infantil, a professora do Departamento de Métodos e Técnicas da Universidade de Brasília (UnB) Maria de Fátima Guerra explica que não se deve rotular as crianças tampouco comparar as etapas de desenvolvimento de uma com a outra. “Cada criança é parâmetro de si mesma. A creche precisa considerar essas diferenças individuais e funcionar como ambiente acolhedor que permita à criança se conhecer, se valorizar e se amar”, afirma.

De acordo com a professora, outro ponto primordial que a família deve avaliar é a proporção adulto-criança. Turmas com crianças mais novas precisam de mais profissionais adultos em sala e com maior nível de informação. Maria de Fátima exemplifica que, no caso do berçário, devem ser, no máximo, oito bebês para cada dois adultos bem qualificados.

Ter educadores e demais profissionais da creche trabalhando motivados é determinante na experiência. “O diferencial de um serviço com resultados positivos para a família está em quem se relaciona diretamente com a criança. Quando matriculam o filho, os pais precisam preencher um formulário grande com informações sobre a criança. Mas não há um formulário desse tipo dos pais perguntando as informações sobre a escola. Mas precisam perguntar, sim, o quão qualificados os envolvidos são”, completa.

Outro fator que precisa ser pensado: a creche fica perto de casa? Atravessar a cidade inteira com o pequeno acaba cansando o bebê. E outra, o espaço oferece boa ventilação, num ambiente amplo e seguro? Salas com materiais em vidro e muitas pontas aumentam as chances de acidentes.

Brincadeira liberada

Com segurança e supervisão garantidas, fica permitido se movimentar. A coordenadora da creche do Centro de Ensino Candanguinho, Carla Soares, aponta que, nessa fase, até o brincar tem intenção pedagógica. Por exemplo, mexer com tinta pode parecer uma bagunça para os pais, mas é um ganho para o desenvolvimento das crianças, porque elas descobrem cores e texturas. A coordenadora defende que a escola ofereça meios para experimentação do mundo com as mãos e com o restante do corpo. “Não existe mais o ‘não mexa em nada’. A criança precisa colocar a mão”, completa.

A sintonia entre a instituição e a família também faz toda a diferença. De acordo com a coordenadora, comunicar os pais sobre as atividades que estão sendo propostas na creche é uma chance de dar continuidade ao processo de aprendizagem em casa. “Com essa interação, fica claro que são processos complementares — creche e escola. E que a educação não está sendo terceirizada, somente”, ela afirma.

O diálogo também está presente quando o assunto é alimentação. Marina Schwindt trabalha com nutrição infantil, no Centro de Ensino Candanguinho, e explica o papel facilitador que a creche deve assumir: “Por mais antenados que os pais sejam, é muito corrido para eles. Muitas vezes, querem apenas praticidade. Por esse motivo, a escola é um suporte importante na nutrição da criança”, diz. Além disso, ela destaca que deixar o cardápio disponível para consulta dos pais ajuda a diversificar a alimentação em casa.

Confiança


Para Danielle Carreiro, 34, vendedora, o horário de funcionamento da creche da filha dela, Isadora Carreiro, de 1 ano, precisava ser compatível com a jornada laboral. Quando a filha completou quatro meses, Danielle voltou a trabalhar. Como passou a ficar fora o dia todo, ela conta que buscou uma creche de período integral em que Isadora fosse bem cuidada.

Danielle Carreiro e Isadora: alimentação foi motivo de preocupação(foto: Divulgação)
Danielle Carreiro e Isadora: alimentação foi motivo de preocupação (foto: Divulgação)
De início, antes de matricular a bebê em uma creche particular no Guará, o receio foi grande. “Um dos maiores cuidados que tive foi com o contato que ela teria com outros bebês, com crianças mais velhas e pessoas de fora. Mas fiquei mais tranquila sabendo que a turminha dela tinha só quatro crianças, todas da idade dela, e que elas eram muito bem assistidas”, analisou.

A alimentação foi outra preocupação da mãe de primeira viagem. Já que, na creche, Isadora passou pelo processo de introdução alimentar. Felizmente, a instituição escolhida sempre ofereceu à bebê refeições balanceadas, com horários certinhos para as refeições e cardápio disponível para consulta dos pais.


O que você deve levar em conta


Diversidade

É imprescindível o respeito às diferenças individuais e ao período de adaptação de cada criança

Qualificação
Profissionais capacitados e motivados trabalham melhor

Proporção adulto-criança
O número de adultos na sala deve ser suficiente para assistir todas as crianças

Segurança
Certifique-se de que a sala não tem muitos materiais em vidro nem pontas que possam machucar

Ambiente
Além de seguro, o espaço precisa ser ventilado Oferecer atividades fora de sala

Localização
A creche fica perto de casa ou do trabalho? A instituição pode ser nota dez, mas se chegar ao local for muito complicado, valerepensar a escolha
 
Transparência
Diálogo com a família. Uma boa creche informa os responsáveis das atividades desenvolvidas, acertos e dificuldades da criança e novas experiências que teve. Dessa forma, os pais conseguem dar sequência ao processo de aprendizagem em casa

Alimentação de qualidade
Analise se a creche mantém horários certos para as refeições e um cardápio variado disponível para consulta dos pais

Fontes:  
» Maria de Fátima Guerra, professora do Departamento de Métodos e Técnicas da Universidade de Brasília (UnB) 
» Carla Soares, coordenadora da creche do Centro de Ensino Candanguinho
» Marina Schwindt, nutricionista