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Correio Braziliense

Família e escola, parceria imprescindível

Os pais precisam acompanhar a vida dos filhos na instituição em que estudam. Isso leva a uma maior participação e interação com os professores


postado em 28/09/2019 06:04 / atualizado em 10/10/2019 17:03

Laryssa e Gabriel, pais de Sophia e Sara: é importante acompanhar bem de perto(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Laryssa e Gabriel, pais de Sophia e Sara: é importante acompanhar bem de perto (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Apesar de não estar prevista no currículo pedagógico, a relação entre família e escola é um componente indispensável para o aprendizado do estudante. Durante o ciclo de crianças e adolescentes na educação básica, para que o desempenho acadêmico e social de cada um seja otimizado, é desejável proximidade e integração entre pais e colégio. Afinal, ambas as partes têm de estar alinhadas em torno do mesmo objetivo: proporcionar uma boa formação ao aluno.

“Acompanhar regularmente a vida escolar da criança, caminhando lado a lado com a instituição de ensino escolhida, tem efeitos que vão muito além das notas maiores no boletim. A criança que tem sua rotina acompanhada de perto pela família, em geral, tem melhor rendimento, desenvolve mais competências socioemocionais e tem mais autonomia”, destaca a diretora pedagógica do Colégio Salesiano Santa Teresinha e Liceu Coração de Jesus, Marilda Martins.

Segundo a educadora, os pais devem se abrir à instituição e aos professores, inteirando-se sobre o projeto pedagógico, metodologia e objetivos, além de aproveitar todas as oportunidades de diálogo que o colégio oferece, como a reunião de pais ou conversas individuais, quando necessário.

“É importante pontuar que uma postura de abertura e colaboração pode ser mantida mesmo em situação de discordância dos pais com a escola. As atividades são passíveis de questionamentos e ajustes, mas cabe lembrar que a escola não é uma extensão da família, tampouco uma concorrente dela”, analisa Marilda. “(O colégio) é o primeiro ambiente em que a criança conviverá com adultos fora do núcleo familiar, terá contato com os pares, com novas ideias e se socializará. O funcionamento desse espaço e a autonomia dos seus profissionais precisam ser respeitados”, completa.

Para a gerente de clínica Laryssa Zeini, 34 anos, e o psicólogo Gabriel Zeini, 34, o binômio família-escola é imprescindível para a educação e a escolarização das filhas Sophia, 5, e Sara, 3. Tanto é que, todos os dias, ambos auxiliam as garotas nas tarefas de casa e acompanham os recados deixados pelos professores nas agendas de cada uma. Além disso, sempre que possível, os pais conversam com o corpo de funcionários da escola das duas, desde o porteiro até o diretor da instituição.

“Nessa etapa da vida, elas vão desenvolver as principais capacidades de qualquer pessoa. Por isso, é importante que nós conheçamos os profissionais do colégio para que todos possam se ajudar no desenvolvimento das duas. Enquanto a escola fica incumbida de ensinar as matérias, nós nos preocupamos em educá-las. Assim, elas vão aprimorar os aspectos intelectuais e cognitivos da melhor maneira”, diz Laryssa.

O acompanhamento diário à rotina das filhas dentro de sala de aula permite que os pais possam saber se Sofia e Sara são ensinadas a partir dos mesmos valores cultivados em casa, por exemplo. Na opinião de Gabriel, a presença constante desde cedo é uma maneira de garantir um bom futuro para as meninas. “Nós não terceirizamos a educação das nossas filhas para ninguém. Queremos estar ao lado delas todas as vezes. Nós somos a base de tudo para a vida delas, portanto, não podemos deixar de fazer a nossa parte”, conta o pai.

"A criança que tem sua rotina acompanhada de perto pela família tem elhor rendimento, desenvolve mais competências socioemocionais e tem mais autonomia
Marilda Martins, diretora pedagógica

A construção de parcerias

A presença de pais e mães mostra-se ainda mais importante no momento em que o adolescente precisa definir o que quer fazer após o fim do ensino médio. Para que a transição para o ensino superior não seja traumática, ou até para que o jovem seja auxiliado na hora de escolher um curso, o suporte familiar é fundamental.

“Muitas famílias acreditam que, no período da adolescência, é possível se afastar da escola, dando mais autonomia aos filhos. No entanto, é importante ressaltar que a mãe, o pai ou o responsável são sempre bem-vindos e devem estar presentes não só em reuniões ou festas do calendário letivo. Existe a expectativa de que a escola se responsabilize pelo que a família não daria conta, que é a função acadêmica. Porém, há uma camada compartilhada, que diz respeito à formação do sujeito”, ressalta a diretora educacional da Rede Marista de Colégios, Viviane Flores.

De acordo com Viviane, é sempre adequado que os pais construam parcerias com a escola, para possibilitar cada vez mais o desenvolvimento da vida estudantil do jovem. “É possível que todas as partes tenham voz e ajam dentro dos seus limites, respeitando o lugar do outro. No cotidiano da vida escolar, vão revelando crenças, valores e costumes. Assim, é fundamental que a escola e a família se alinhem às necessidades do aluno, colocando estes como foco principal”, afirma.
 
Guilherme Spinola e os pais, Ana Paula e Alexandre: orientação profunda(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Guilherme Spinola e os pais, Ana Paula e Alexandre: orientação profunda (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Preocupados com o destino do filho após o ensino médio, os pais de Guilherme Spinola, 17, que estuda no Cor Jesu, estreitaram as relações com o serviço de orientação educacional do colégio onde ele estuda para mostrar ao jovem uma luz no fim do túnel. “Nós temos de dar uma orientação mais profunda, não adianta só pedir para que o filho faça o que ele quiser. Sem esse conselho, qualquer adolescente não encontra um direcionamento”, garante a mãe do estudante do 3º ano do ensino médio, a empresária Ana Paula Spinola, 47.

Há alguns meses, Ana Paula e o marido, o economista Alexandre Fraga 48, procuraram uma psicóloga para submeter Guilherme a um teste vocacional. Após a consulta, o rapaz bateu o pé sobre o que quer estudar no ensino superior: engenharia elétrica. “Nós, pais, temos de estar sempre com as mãos estendidas para os filhos e auxiliá-los no que for preciso, sobretudo nos momentos de indecisão”, afirma Alexandre.

Segundo Guilherme, a atenção dos pais foi essencial. “Neste momento da vida, qualquer adolescente na minha idade precisa desse suporte dos pais. Tudo muda e muita coisa passa pela nossa cabeça, portanto, a presença da família nos dá segurança para tomar a melhor decisão para o nosso futuro”, diz o jovem.


Dupla jornada

Júlia e Og de Olivera, pai e professor: desenvolver um olhar mais delicado sobre a vida escolar da filha (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Júlia e Og de Olivera, pai e professor: desenvolver um olhar mais delicado sobre a vida escolar da filha (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Praticamente 24 horas por dia, o professor de história do Cor Jesu Og de Araújo, 47, está na companhia da filha Júlia Carvalho, 17. Isso porque a jovem estuda na mesma escola onde ele dá aulas. Inclusive, ela é aluna dele. “É uma realidade um pouco diferente da dos demais pais”, reconhece Og.

Para o pai-professor, ser educador da própria filha permitiu que desenvolvesse um olhar muito delicado sobre como acompanhar a vida escolar de Júlia. “Essa experiência me ajudou duplamente. Primeiro porque, enquanto professor, às vezes, eu não percebo o cansaço do estudante. Nós, educadores, querendo sempre tirar mais do aluno. Por outro lado, é bom perceber, como pai, a realidade de uma sala de aula e o que um filho passa”, comenta.

Og ainda lembra que a família tem de ouvir as reclamações e as inquietações do filho. “Não existe ninguém mais bem preparado para isso do que um pai ou uma mãe. Assim, eles podem saber quais são as dificuldades e ajudar”, observa. “Essa preocupação é ainda mais importante na última etapa do adolescente no ensino médio, que eu classifico como o primeiro ano da vida adulta dele”, completa o professor.

Para Júlia, é um desafio ter aulas com o pai, mas isso a deixou ainda mais conectada à família. “É algo que eu valorizo bastante. Com ele, aprendo duas vezes: sendo filha e sendo aluna. É um aprendizado constante”, reflete a adolescente. (AF)

Palavra de especialista

Prestigiar, estimular e motivar*

“Participar da rotina escolar” significa muito mais do que apenas levar e buscar os filhos na escola, comparecer em reuniões de pais ou saber os nomes dos professores. Claro que todas essas ações têm a sua importância. Porém, participar da rotina escolar vai muito além. Envolve a real participação dos pais ou dos responsáveis pela criança ou pelo adolescente de maneira mais assertiva nas atividades. Prestigiar, estimular, motivar e valorizar as conquistas e realizações dos filhos é extremamente importante.

Também indico colocar como rotina da família as discussões sobre assuntos escolares, o acompanhamento das lições e trabalhos pedagógicos, o interesse e conhecimento do rendimento da criança na escola, saber como ela está se desenvolvendo nas atividades extras, se interessar em saber quem são seus amigos neste ambiente, qual relação o filho tem com as outras crianças, entender como ela se posiciona ou lida com conflitos e dificuldades, além de ensinar-lhes autonomia.

Colocar tudo isso em prática dá trabalho? É claro que sim! Porém, é dessa maneira, um pouquinho por dia, com muita persistência, que formamos uma criança e contribuímos para que ela avance à vida adulta com segurança, autoestima forte, confiante das suas capacidades, sabendo discernir entre o certo e o errado, sendo ética em suas condutas, proativa, líder e ao mesmo tempo gentil em suas atividades.

*Sueli Bravi Conte, educadora, psicopedagoga, doutoranda em Neurociência e mantenedora do Colégio Renovação 
 

Artigo

Qual curso escolher e como orientar os sues filhos na escolha da profissão*

Não há nada mais angustiante para os pais e alunos que a escolha da profissão. Desde pequenos brincamos com eles: o que você quer ser quando crescer? A resposta sempre vem na ponta da língua: professora, bombeiro, policial, dentre outros.

Mas se tem algo que nossas escolas, públicas ou privadas não ajudam, salvo raras exceções, é na orientação e direcionamento, de acordo com as habilidades de cada um, para a escolha do curso superior. Isso se deve, em alguma medida, ao não envolvimento com os alunos por parte de professores atentos e ao ensino maçante com turmas lotadas.

Felizmente, a escolha do curso não é tão impossível se pararmos para observar, em primeiro lugar, quais os componentes curriculares que cada estudante tem maior interesse. Isso já é o primeiro passo para uma boa escolha a fim de se evitar o troca-troca de cursos. Se seu filho não vai bem em exatas, por exemplo, dificilmente irá para a área de engenharia e não adianta insistir!

Se está difícil agora escolher o curso a seguir, pode ser que no futuro, quando a Base Nacional Curricular Comum, a tão falada em versos e prosas, entrar em vigor, a partir de 2022, fique mais fácil. No entanto, as escolas até agora não sabem o caminho a seguir. Ouvimos muita propaganda do Governo passado, mas hoje existem mais dúvidas que certezas de como as escolas implementarão a BNCC. 

Ocorre que estão vendendo a ideia aos pais e aos alunos de um currículo escolar mais leve e mais dinâmico com a escolha de cinco itinerários formativos, nas quatro áreas do conhecimento e ensino técnico e profissional. Entretanto, não é bem assim. A maioria das universidades não definiu ainda como irão se adaptar a essa nova realidade. E essa é uma condição sem a qual pouca coisa mudará, pois no Brasil a mentalidade da imensa maioria dos pais e alunos é voltada para que, ao final do ensino médio, haja o ingresso no curso superior e não em um curso técnico como ocorre em cerca de 70% dos casos, em países desenvolvidos.

Infelizmente, dado o momento de fragilidade política do ano em que foi discutida e finalizada a BNCC, não se conseguiu avançar o suficiente para que, no Ensino Médio, nossos estudantes pudessem decidir, de início, as disciplinas que iriam estudar, de acordo com suas aptidões, como acontece nos países de primeiro mundo. As escolas tradicionais com reconhecimento de levar seus alunos ao êxito nos exames para o ingresso no curso superior mais concorridos estão relutantes, pois não deixarão o porto seguro de suas metodologias para embarcarem em um trem que não se sabe aonde vai levar seus alunos. Por enquanto, continua tudo igual, o estudo das 13 disciplinas contra seis ou sete em países avançados como os EUA.

Por fim, evidentemente, quando tudo estiver ajustado e os professores estiverem capacitados para aplicarem a BNCC nas escolas públicas e particulares, a tendência é de que os ditos Projetos de Vida, uma vez implementados, ajudem os estudantes a identificarem suas competências e áreas de interesse, a profissão que devem seguir, seja no nível superior ou técnico.

*Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos do DF (Aspa-DF) e membro do Conselho de Educação do DF (CEDF)