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Correio Braziliense

A construção de parcerias

É sempre adequado que os pais construam parcerias com a escola, para possibilitar cada vez mais o desenvolvimento da vida estudantil do jovem


postado em 28/09/2019 06:04 / atualizado em 27/09/2019 11:32

Guilherme Spinola e os pais, Ana Paula e Alexandre: orientação profunda(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Guilherme Spinola e os pais, Ana Paula e Alexandre: orientação profunda (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
A presença de pais e mães mostra-se ainda mais importante no momento em que o adolescente precisa definir o que quer fazer após o fim do ensino médio. Para que a transição para o ensino superior não seja traumática, ou até para que o jovem seja auxiliado na hora de escolher um curso, o suporte familiar é fundamental.

“Muitas famílias acreditam que, no período da adolescência, é possível se afastar da escola, dando mais autonomia aos filhos. No entanto, é importante ressaltar que a mãe, o pai ou o responsável são sempre bem-vindos e devem estar presentes não só em reuniões ou festas do calendário letivo. Existe a expectativa de que a escola se responsabilize pelo que a família não daria conta, que é a função acadêmica. Porém, há uma camada compartilhada, que diz respeito à formação do sujeito”, ressalta a diretora educacional da Rede Marista de Colégios, Viviane Flores.

De acordo com Viviane, é sempre adequado que os pais construam parcerias com a escola, para possibilitar cada vez mais o desenvolvimento da vida estudantil do jovem. “É possível que todas as partes tenham voz e ajam dentro dos seus limites, respeitando o lugar do outro. No cotidiano da vida escolar, vão revelando crenças, valores e costumes. Assim, é fundamental que a escola e a família se alinhem às necessidades do aluno, colocando estes como foco principal”, afirma.

Preocupados com o destino do filho após o ensino médio, os pais de Guilherme Spinola, 17, que estuda no Cor Jesu, estreitaram as relações com o serviço de orientação educacional do colégio onde ele estuda para mostrar ao jovem uma luz no fim do túnel. “Nós temos de dar uma orientação mais profunda, não adianta só pedir para que o filho faça o que ele quiser. Sem esse conselho, qualquer adolescente não encontra um direcionamento”, garante a mãe do estudante do 3º ano do ensino médio, a empresária Ana Paula Spinola, 47.

Há alguns meses, Ana Paula e o marido, o economista Alexandre Fraga 48, procuraram uma psicóloga para submeter Guilherme a um teste vocacional. Após a consulta, o rapaz bateu o pé sobre o que quer estudar no ensino superior: engenharia elétrica. “Nós, pais, temos de estar sempre com as mãos estendidas para os filhos e auxiliá-los no que for preciso, sobretudo nos momentos de indecisão”, afirma Alexandre.

Segundo Guilherme, a atenção dos pais foi essencial. “Neste momento da vida, qualquer adolescente na minha idade precisa desse suporte dos pais. Tudo muda e muita coisa passa pela nossa cabeça, portanto, a presença da família nos dá segurança para tomar a melhor decisãopara o nosso futuro”, diz o jovem.

Dupla jornada


Praticamente 24 horas por dia, o professor de história do Cor Jesu Og de Araújo, 47, está na companhia da filha Júlia Carvalho, 17. Isso porque a jovem estuda na mesma escola onde ele dá aulas. Inclusive, ela é aluna dele. “É uma realidade um pouco diferente da dos demais pais”, reconhece Og.

Og de Olivera e Júlia, pai e professor: desenvolver um olhar mais delicado sobre a vida escolar da filha(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Og de Olivera e Júlia, pai e professor: desenvolver um olhar mais delicado sobre a vida escolar da filha (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Para o pai-professor, ser educador da própria filha permitiu que desenvolvesse um olhar muito delicado sobre como acompanhar a vida escolar de Júlia. “Essa experiência me ajudou duplamente. Primeiro porque, enquanto professor, às vezes, eu não percebo o cansaço do estudante. Nós, educadores, querendo sempre tirar mais do aluno. Por outro lado, é bom perceber, como pai, a realidade de uma sala de aula e o que um filho passa”, comenta.

Og ainda lembra que a família tem de ouvir as reclamações e as inquietações do filho. “Não existe ninguém mais bem preparado para isso do que um pai ou uma mãe. Assim, eles podem saber quais são as dificuldades e ajudar”, observa. “Essa preocupação é ainda mais importante na última etapa do adolescente no ensino médio, que eu classifico como o primeiro ano da vida adulta dele”, completa o professor.

Para Júlia, é um desafio ter aulas com o pai, mas isso a deixou ainda mais conectada à família. “É algo que eu valorizo bastante. Com ele, aprendo duas vezes: sendo filha e sendo aluna. É um aprendizado constante”, reflete a adolescente. 

Palavra de especialista


Prestigiar, estimular e motivar

“Participar da rotina escolar” significa muito mais do que apenas levar e buscar os filhos na escola, comparecer em reuniões de pais ou saber os nomes dos professores. Claro que todas essas ações têm a sua importância. Porém, participar da rotina escolar vai muito além. Envolve a real participação dos pais ou dos responsáveis pela criança ou pelo adolescente de maneira mais assertiva nas atividades. Prestigiar, estimular, motivar e valorizar as conquistas e realizações dos filhos é extremamente importante.

Também indico colocar como rotina da família as discussões sobre assuntos escolares, o acompanhamento das lições e trabalhos pedagógicos, o interesse e conhecimento do rendimento da criança na escola, saber como ela está se desenvolvendo nas atividades extras, se interessar em saber quem são seus amigos neste ambiente, qual relação o filho tem com as outras crianças, entender como ela se posiciona ou lida com conflitos e dificuldades, além de ensinar-lhes autonomia.

Colocar tudo isso em prática dá trabalho? É claro que sim! Porém, é dessa maneira, um pouquinho por dia, com muita persistência, que formamos uma criança e contribuímos para que ela avance à vida adulta com segurança, autoestima forte, confiante das suas capacidades, sabendo discernir entre o certo e o errado, sendo ética em suas condutas, proativa, líder e ao mesmo tempo gentil em suas atividades.

Sueli Bravi Conte, educadora, psicopedagoga, doutoranda em Neurociência e mantenedora do Colégio Renovação