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Correio Braziliense

Em busca da escola perfeita

Para especialistas, é muito importante que os pais não escolham a instituição apenas pelo renome ou sucesso em vestibulares, mas se ela acolhe e atende melhor às necessidades do filho


postado em 28/09/2019 06:09

Vera Ataídes e o filho, Vitor: Preocupação com o lado social(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Vera Ataídes e o filho, Vitor: Preocupação com o lado social (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Priorizar uma boa educação para os filhos é a grande preocupação de qualquer pai ou mãe. Para a família, é de extrema importância que a criança ou adolescente esteja em um ambiente que, além de viabilizar o seu completo desenvolvimento de habilidades e competências, seja uma extensão do que ele aprende dentro de casa. Dessa forma, é cada vez mais recorrente a busca por uma “escola perfeita”, ou seja, aquela que os pais acreditam ser não só a mais adequada para a formação disciplinar do filho, mas que também esteja alinhada com os valores que eles cultivam.

Diante disso, o que precisa ser levado em conta para que os responsáveis pelos alunos acertem na escolha do colégio? Os pontos que devem ser considerados, de acordo com especialistas, vão desde a estrutura da escola até a metodologia de ensino aplicada pela instituição. “O primeiro passo dos pais deve ser a elaboração de uma lista de prioridades que a nova escola deve ter: espaço, qualificação de profissionais, cursos extracurriculares, entre outros. Isso facilita na hora da busca pelas opções disponíveis”, diz a pedagoga Claudia Aloia, fundadora do Grupo ABC das Mães.

É fundamental, de acordo com a pedagoga, que a família não opte por uma escola apenas pelo seu renome, como no sucesso que a instituição tem para aprovar alunos em vestibulares, por exemplo. “Não existe melhor ou pior escola. Na verdade, os pais precisam estar certos de que aquele colégio tem a ver com a família”, destaca Aloia. “É mais vantajoso colocar o filho em um local em que ele se sinta acolhido e haja uma reciprocidade com professores, coordenadores e direção. Isso implica, diretamente, no sucesso do rendimento escolar e na absorção de conteúdo por parte do aluno”, acrescenta a pedagoga.

Com o filho prestes a iniciar a vida escolar, a funcionária pública Thaís Fernandes, 29 anos, avalia justamente qual instituição de ensino mais se adequa ao perfil da família, antes de definir um colégio para matricular Bernardo Fernandes, 2. Para isso, ela já visitou ao menos 10 escolas e montou um formulário para avaliar minuciosamente cada uma. No checklist da mãe, estão aspectos como segurança, organização, calendário letivo, alimentação etc.

“Isso faz com que eu me sinta segura. Se eu não fizesse essa preparação, acredito que estaria abandonando o meu filho, afinal, na escola, ele ficará sob a responsabilidade de terceiros. Portanto, quero escolher com bastante calma, pois é na escola que o meu filho vai começar a formar os conhecimentos da pessoa que ele será daqui em diante”, explica Thaís.

A funcionária pública ainda espera que o ensino do primeiro colégio de Bernardo seja um reflexo daquilo que ela já transmite para o filho. “Quero estar segura de que o que eu tento ensinar para ele será seguido. Saber qual é o projeto pedagógico da escola faz toda a diferença, pois é ele que vai definir todas as atividades a serem desenvolvidas pelos alunos. Acredito, então, que é bom os pais avaliarem esse ponto”, sugere.

Corpo pedagógico


A sugestão de Thaís é reforçada pelo diretor do Sistema de Ensino pH, Claudio Falcão, que diz que a escola “deve espelhar um pouco do que os pais acreditam”. “Se a proposta não coaduna com o que eu penso, talvez essa não seja a escola para o meu filho”, analisa.

Aliado a isso, ele destaca que a família deve ser bastante assídua no dia a dia do filho no colégio. “Não adianta o pai encontrar escola ideal e não acompanhar o filho. A presença tem de ser constante em todo o processo de aprendizagem, para que eles tenham a possibilidade de avaliar os resultados e a evolução do filho”, observa Falcão.

É recomendável, portanto, que pai e mãe conheçam todo o corpo pedagógico do colégio. Segundo Falcão, essa relação é mais um termômetro que vai mostrar à família se a escola, de fato, atende às suas expectativas. “A qualidade de uma instituição de ensino está intimamente ligada à qualidade do professor. O filho, em geral, vai passar mais tempo ao lado dessa pessoa do que ao lado dos pais. Portanto, a família não pode deixar de verificar o quanto a escola investe em capital humano”, afirma.

Atenta a todos os detalhes da vida escolar de Vitor Ataídes, 13, a jornalista Vera Ataídes, 40, está em busca de um novo colégio para o filho, que, em 2020, vai cursar o 9º ano do ensino fundamental. Para isso, ela considera ser indispensável a avaliação dos profissionais da escola. “Na minha opinião, é importante que a escola tenha professores que se preocupem com o lado social. Com a interação entre os alunos, e não só com as notas. A dinâmica do colégio é um fator a ser considerado”, comenta.

Seguindo as recomendações dos especialistas, Vera prima por um colégio em que os seus ideais não sejam desrespeitados. Para ela, todo pai deve fazer isso. “Para mim, por exemplo, é de grande importância que a escola tenha uma vertente mais católica, devido à minha religião. Cada família, portanto, tem de considerar as suas preferências. Isso é fundamental para o futuro de qualquer criança ou adolescente”, pontua.