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Correio Braziliense

Cuidado com o bolso

Mais que um gasto, a educação é um investimento, mas exige organização. Especialistas dão dicas de como fazer a mensalidade caber no orçamento 


postado em 28/09/2019 06:22 / atualizado em 01/10/2019 10:12

Na primeira foto, Rogério e Natáilia, pais de Gabriel:
Na primeira foto, Rogério e Natáilia, pais de Gabriel: "Você precisa estar ciente de todas as despesas futuras", diz ele. Já na segunda foto, a bancária Luciana Martins sentiu no bolso a falta de planejamento: refez contas e prioridades (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - Arquivo pessoal )


Para muitas pessoas, a mensalidade da escola não é vista como gasto, mas sim como investimento. Especialistas concordam e alertam que qualquer investimento requer organização financeira. Para que a mensalidade não seja um problema no orçamento, é fundamental entender as receitas, os gastos da família e os limites. 

A bancária Luciana Martins, 38 anos, sentiu no bolso as consequências da falta de organização. O não planejamento interferiu diretamente na mensalidade da escola da filha, de 7 anos. Ela conta que por muito tempo não conseguiu pagar a mensalidade no prazo de desconto de pontualidade e via cerca de RS 200 escapar do orçamento todo mês. “Eu estava jogando fora 15% de desconto. A gente não organizava as nossas contas. Então, esse ano, eu decidi que não deixaria mais isso acontecer”, destaca.

A alternativa foi colocar no papel a receita e os gastos obrigatórios e definir prioridades. O economista Thiago Ninaut, da G2W Investimentos, explica que, para manter as mensalidades, fazer esse levantamento é fundamental. “Precisamos entender o orçamento de maneira macro, olhando para o mês todo. Isso vai ajudar, não só a compreender para onde está indo o dinheiro, como o que você pode ou não gastar”, ressalta.

O consultor financeiro Rogério Olegário afirma que se a conta da receita menos os gastos estiver dando um resultado abaixo de zero é hora de abrir mão de alguns custos. “Nesses casos, você tem que escolher quais os gastos que pode excluir do seu dia a dia e despesas do futuro. Infelizmente, não tem outra maneira, tem que abrir mão mesmo. E não adianta pagar em cheque especial ou cartão de crédito, porque assim você vai estar apenas empurrando a conta para o futuro”, garante.

Abrir mão de gastos desnecessários foi justamente a solução encontrada por Luciana para mudar a realidade financeira dela, além de abrir mão do cartão de crédito. Desde então, a família vem cumprindo o pagamento da mensalidade da escola em dia e garantindo o desconto de 15% de pontualidade. “Pegamos esse dinheiro e viabilizamos um curso de inglês para ela em um escola de referência em Brasília”, comemora.

Planejamento 

Gabriel Rodrigues, 5, frequenta a escola particular desde os seis meses. A mãe dele, a analista de recursos humanos Natália Rodrigues, 35, conta que fez as contas antes mesmo de matricular o menino. Para que isso fosse possível, ela também abriu mão de outros gastos e colocou a escola do Gabriel como prioridade no orçamento.

O consultor financeiro Rogério Olegário destaca que ao optar por matricular uma criança na escola particular, você tem que estar ciente de todos as despesas futuras, incluindo material escolar, para saber qual é o seu limite de gasto. “As pessoas tendem a fazer as contas olhando para trás, querendo saber o que gastou, mas nós temos que olhar para a frente. Nós temos que descobrir quanto eu ainda posso gastar e, a partir daí, ver se eu tenho condições de fazer a matrícula em uma escola particular e quanto eu posso gastar com a mensalidade”, alerta.

Uma dica do economista Thiago é caprichar na pesquisa na hora de escolher a escola do filho. Ele afirma que as instituições geralmente apresentam valores variados. E depois de saber quanto você está disposto a gastar com esse item é preciso mapear as instituições que correspondem às suas expectativas e que caibam no orçamento.

Negociando 

A palavra negociar faz parte da rotina de Natália. Além de garantir os descontos de pontualidade, a analista de recursos humanos sempre fica no pé da escola em relação aos reajustes da mensalidade. “Como ele estuda na mesma instituição há muitos anos, quando tem reajuste, a gente vai na escola, senta com a coordenação, conversa, e tenta negociar o melhor valor possível”, conta.

Para o economista Thiago Ninaut, negociar é sempre uma boa opção. Alguns reajustes fazem uma grande diferença no orçamento e bons descontos são sempre bem-vindos. “Tem que tentar barganhar esse desconto para que não tenha um grande aumento. Essa atualização acontece sempre e não é uma atualização simples igual a da poupança. Ela, geralmente, varia bastante”, ressalta. 

A organização das finanças ainda permite que os pais possam negociar e garantir ótimos descontos. Uma dica do consultor financeiro Rogério é ver se os descontos para pagamentos anuais fazem muita diferença. “Se a escola oferecer 10% de desconto, por exemplo, isso é o dobro da taxa Selic. Porém não é para ficar sem pagar a escola. Todo mês, você leva o dinheiro da escola para a sua conta”, afirma. Ganhando os juros do dinheiro ou investindo, o consultor financeiro garante que, no fim do ano, os pais ganham mais que os 10% de desconto oferecidos pela escola e podem fazer a mesma manobra no ano seguinte.