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Correio Braziliense

Uma aprendizagem divertida

Jogos educativos podem ser um complemento para aprendizado, mas não devem substituir livros e brincadeiras do dia a dia


postado em 28/09/2019 06:19

Helena Huhn, 2 anos, brinca com joguinhos educativos como complemento do que é ensinado na escola(foto: Juliana Andrade/CB/D.A Press)
Helena Huhn, 2 anos, brinca com joguinhos educativos como complemento do que é ensinado na escola (foto: Juliana Andrade/CB/D.A Press)
Com os dedinhos pequenos, ainda precisando da mesa para apoiar o celular, Helena Huhn, 2 anos, leva o desenho do triângulo, da bola e do quadrado para suas respectivas sombras. Pela tela do celular, ela também aprende as cores e os números. Foi assim, desde a época em que  engatinhava, antes mesmo de entrar na escola. Hoje, os jogos educativos se tornaram um complemento para os livros, que enchem a estante da casa, e para o que é ensinado pelas professoras na escola.

 

“Ela brinca desde muito pequena. Antes de um aninho, já sabia as cores. A gente percebeu que, ao entrar na escola, ela se sentiu muito à vontade com as cores, formas e números. Inclusive, a professora a elogiou”, afirma a mãe dela, a professora Lizandra Huhn.

 

Para Lizandra, os jogos não substituem o aprendizado em sala de aula e muito menos os livros, que ela faz questão de incluir na rotina da menina. Mas confessa que as brincadeiras têm contribuído para o desenvolvimento da filha. “Eles despertam nela o gosto pelo aprender, pelo que a agrada e que está dentro da era em que vivemos, a era digital”, ressalta.

 

Na Escola Americana Brasileira, por exemplo, o uso de celular é proibido em sala de aula, mas tablets têm sido usados como ferramenta de aprendizagem nas classes de crianças menores. “Aplicativos para séries inferiores geralmente possuem uma estrutura de jogo, onde alunos são desafiados a identificar determinadas palavras ou objetos, formar números e letras corretamente, realizar cálculos simples, entre outros”, explica Brian Sullivan, diretor de tecnologia na instituição de ensino.

 

Para a psicopedagoga Dayse Serra, as tecnologias possibilitam as crianças desenvolverem diversas habilidades, que talvez não seriam feitas apenas com o quadro, o giz e o caderno. Dayse destaca que os jogos e vídeos educativos podem contribuir com a educação, mas se não for utilizada com cautela, pode ter resultados negativos em outras áreas. “Ao mesmo tempo que você tem uma criança mais atenta, mais esperta, por outro lado, essa criança vai ter perdas nas habilidade sociais, por estar acostumada a brincar sozinha”, alerta.

 

Para evitar que isso aconteça, Dayse ressalta a importância de estabelecer horários para brincar no celular. Lizandra garante que Helena não troca os brinquedos e os passeios pelo jogos digitais. E não teve dificuldade de interagir com as outras crianças na escola, mas destaca que também não poupa um “não”, se ela pedir para usar o celular fora de hora. “Ela tem horário para brincar e os jogos são escolhidos por nós. A gente escolhe de acordo com a idade e com o interesse dela”, completa.

 

Assim como Lizandra escolhe a dedo os jogos e vídeos com os quais Helena vai ter contato, na Escola Americana Brasileira, Brian analisa, com cuidado, os aplicativos que serão inseridos em sala de aula. Para ele, algumas plataformas deixam de lado os objetivos educacionais e dão destaque à experiência do jogo. “Alguns produtos novos são excelentes, mas há vários que não são. Há sistemas lógicos extremamente simplistas que logo se tornam previsíveis e repetitivos, e implementações malfeitas de inteligência artificial (IA), que reconhecem de forma inconstante o trabalho do aluno”, explica.

 

Discernimento

Dayse destaca que os jogos e vídeos não podem ocupar a maioria do tempo das crianças. Os livros são fundamentais para o aprendizado e o contato com ele deve começar ainda nos primeiros meses de vida. “Não podemos negar que o bebê do século 21 é diferente. Antigamente, quando a criança chorava, os pais entregavam um chocalho, hoje em dia, a gente entrega o celular”, comenta.

 

Ela afirma que, para garantir que as crianças não se viciem na telinha, é preciso incentivar outras atividades, como brincadeiras na rua e livros. Para isso, a psicopedagoga conta que os primeiros a darem exemplo devem ser os pais, pois quando se trata de tempo no celular, os adultos também têm dificuldade para controlar o uso. “Assim como na vida das crianças, os livros e os momentos de socialização devem estar presentes na rotina dos pais.”