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Correio Braziliense

Poesia, teatro e música são ferramentas de empoderamento feminino na cidade

Na arte, elas buscam dar visibilidade às pessoas excluídas. Além disso, representam a diversidade artística da capital que reafirma, todos os dias, a vocação cultural


postado em 21/04/2019 06:00 / atualizado em 20/04/2019 14:46

Cristiane Sobral desponta como uma das influentes mulheres no Distrito Federal(foto: Ricardo Pacheco/Divulgação)
Cristiane Sobral desponta como uma das influentes mulheres no Distrito Federal (foto: Ricardo Pacheco/Divulgação)
Tem aula e ensinamentos para todo mundo. Se precisar, tem diversão também. Caso necessite, um poema pode abrilhantar o dia. Independente e inovadora, a artista Cristiane Sobral desponta como uma das influentes mulheres que desenvolvem um trabalho cultural e social em Brasília. Dona de um currículo recheado de trabalhos e cumprindo múltiplas funções, destaca-se pela sutileza e determinação com que encara a vida.

Nascida no Rio de Janeiro, mas há quase três décadas morando na capital do país, intitulou-se de carioca-brasiliense. Começou a viver a cultura com a graduação em interpretação teatral, na qual foi a primeira mulher negra a finalizar o curso na Universidade de Brasília (UnB).

“Vim para cá com 16 anos, idade em que você está em construção de personalidade e também como mulher. No começo, foi uma cidade muito difícil para mim, menina vinda dos subúrbios cariocas. É uma identidade bem constituída, e aqui também me sinto em casa”, explica.

Desde então, empilha formações acadêmicas em busca de um rendimento melhor e criou a Cabeça Feita — Companhia de Arte Negra no fim da década de 1990, que sobrevive até os dias atuais.

“Participo como atriz, diretora e dramaturga. A intenção foi criar um espaço profissional, no qual eu não dependesse de ofertas de trabalho, nesse cenário de Brasília, que ainda está em construção. Porém, o Centro-Oeste, principalmente o fora dos eixos, foi um grande espaço para mim. Minha carreira é significativa por ter sido construída aqui”, conta a artista.

Mulher negra

Com a companhia teatral, desenvolveu outras especialidades que estão atreladas ao movimento cênico e se intercalam profissionalmente. Cristiane é atriz, escritora, empreendedora e professora. O desenvolvimento de todas as funções fizeram com que o reconhecimento da artista tomasse grandes proporções na cidade.

“Elas estão atreladas. Comecei a dar aula nas escolas, sou professora da Secretaria de Educação do Distrito Federal, e também no Departamento de Artes Cênicas da UnB. Escrevo desde o início dos anos 2000 e tenho oito livros publicados que falam desde prosa e poesia até peças de teatro e ficção. São lugares que se misturam na minha trajetória profissional”, explica.

Carregando diversas funções e trabalhos, ganhou prêmios do movimento Frente Feminina e da Funarte, como o recente espetáculo Esperando Zumbi. A poeta arranja tempo, ainda, para tocar o projeto teatral que criou e se orgulha das origens e da companhia que administra. “É a realização de um sonho, me sinto muito feliz de ter feito essa aposta. Como mulher negra, sou uma das poucas diretoras de teatro no país. Vejo os mais jovens que me procuram como referência e isso é muito animador. Não posso negar o aspecto da representação e da importância do livre acesso dos negros ao empreendedorismo. Mas entendo como um sinal de que temos muito a conquistar”, pontua.

João Garcia, bibliotecário e responsável pela linguagem em literatura do Sesc, destaca a qualidade técnica da escritora com as palavras e o poder com o qual consegue persuadir e conscientizar o público. “Cristiane é uma referência. É conhecida por críticos, repórteres e tem um estilo muito próprio de literatura. É uma mulher que cria um encantamento quando fala e escreve. Quando você dá espaço para ela, uma missão social é cumprida nos âmbitos do empoderamento feminino e na consciência crítica social de problemas que estão perto de nós. Ela merece destaque por combater as desigualdades com a literatura.”
 
Naquele dia
Meu pixaim elétrico gritava alto
Provocava sem alisar ninguém
Meu cabelo estava cheio de si
Naquele dia
Preparei a carapinha para enfrentar 
a monotonia da paisagem da estrada
Soltei os grampos e segui
 
Trecho do poema Pixaim elétrico  


"Nós, negros e mulheres, não nos enxergamos como vítimas ou em posição inferior", Realleza, rapper (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
 

O hip-hop que une ideias

O esplendor do hip-hop passa por aqui. Nascida em Brasília, negra e com criação oriunda da periferia ceilandense, Rebeca Elen é uma das mulheres que se destaca culturalmente na capital federal. Reconhecida pelo codinome artístico Realleza, a rapper versa desde os 13 anos, idade com a qual descobriu o estilo musical em um projeto das escolas públicas de Ceilândia.

“Comecei a cantar depois de um convite do secretário da escola em que eu estudava. Ele me abordou, junto de um amigo, e entregou um CD com 12 faixas e a letra de uma música. Pediu para gente escolher um dos beats e cantar com a composição. A gente se apresentou e ele gostou. Então, começamos a cantar em festivais escolares e fiquei conhecida na região”, lembra a rapper.

Com a caneta firme na mão e temáticas que retratam a realidade em que se insere, Realleza começou a versar sobre  meio ambiente, racismo, respeito e relacionamentos. Com o avançar da carreira, novos assuntos, tão importantes quanto os citados anteriormente, começaram a surgir, como o empoderamento feminino e da mulher negra.

“Busco colocar nas minhas letras um viés no qual nós, negros e mulheres, não nos enxergamos como vítimas ou em posição inferior. O meu ideal é de que podemos alcançar o melhor, ir em busca de melhorias e motivar as pessoas a seguir em frente. Também uso as músicas para me motivar e lembrar que preciso sempre levantar a cabeça e ir à luta”, explica Rebeca.

Com passagens por grupos como o Resgatados das Cinzas e com cinco anos de parceria com os Sobreviventes de Rua, Realleza começou a se posicionar como um nome importante e conhecido em Brasília. Parcerias com Caetano Veloso e Racionais MCs entram como destaque na caminhada da cantora.

Todas as inspirações poéticas, acompanhadas de danças e batidas, firmaram a cantora no cenário nacional do hip-hop, espalhando alegria e contagiando o público. “As minhas letras surgem da minha vivência como mulher, preta, periférica e moradora do Sol Nascente”. Então, resolveu seguir um caminho independente e investir na carreira solo. Hoje, conta que a decisão que tomou foi acertada.

Carreira solo

“Alavancou minha carreira. Eu tinha muita insegurança, não acreditava no meu potencial. Antes, nos grupos, os homens tomavam a frente, e agora, na carreira solo, tomei a posição de linha de frente e chamei outras mulheres para trabalhar comigo. Foi a melhor coisa que fiz. O meu potencial, o meu talento e a minha mensagem aparecem e chegam às pessoas”, conta.

Rebeca pontua, ainda, a importância de não esquecer da vida que leva fora do ramo de artista e de manter as convicções sociais em busca de igualdade, autossuficiência e respeito. “Estou no sétimo semestre do curso de direito e coordeno o meu trampo, sou a fonte do meu trabalho. Eu vivo isso diariamente e tento me empoderar. Eu me posiciono como mulher que merece respeito no dia a dia”.

Nego Billa, um dos integrantes do grupo Família PR15, relembra com carinho do momento em que descobriu Rebeca como uma artista de potencial. “Sou produtor musical e fui uma das pessoas que descobriu a Realleza, através de um projeto social. É muito importante ter uma mulher como ela cantando, soma muito no movimento do hip-hop”, conta o artista.

Mulher forte

Dione Black, um dos participantes do PR15, assistiu a uma das primeiras apresentações da rapper e acompanha a carreira da artista até hoje. Dentre as características marcantes, destaca a força e o posicionamento. “Realleza é uma mulher forte, que se coloca em um ambiente totalmente machista. É uma mulher negra e rapper, que usa a voz como instrumento de empoderamento pessoal. Ela não está se valorizando pelas curvas corporais, mas pela palavra que não faz curva.”

Além disso, o artista destaca o potencial que Rebeca tem para conquistar grandes públicos fora da capital federal e expandir o trabalho que vem fazendo. “Consideramos Rebeca como uma colega no ambiente cultural e profissional do movimento hip-hop e acreditamos que ela será ouvida por todos. Brasília é um lugar pequeno no mapa, e em breve ela alcançará o Brasil com suas músicas. Ela tem muito a dizer”, afirma Dione, integrante do grupo Família PR15.

Vozes que rimam e encantam

Rosa no início da carreira: uma voz elogiada pela crítica(foto: Thamires Santiago/Divulgação e Joaquim Firmino/CB/D.A Press)
Rosa no início da carreira: uma voz elogiada pela crítica (foto: Thamires Santiago/Divulgação e Joaquim Firmino/CB/D.A Press)
Com presença marcante na cena cultural brasiliense, as mulheres exibem sensibilidade, talento e criatividade nas mais diversas vertentes artísticas. Contribuem também para que a capital federal tenha destaque nacional e até internacional nesta área. Um dos nomes mais representativos do segmento musical é a cantora, compositora e violonista Rosa Passos, com trabalho celebrado em várias partes do mundo.

Quem chama a atenção também é a atriz, poeta e produtora Marina Mara, elogiada por sua permanente militância nas artes. Como coordenadora do bloco Rejunta meu Bulcão, ela acaba de ser premiada, no campo da sustentabilidade, pela preocupação de manter a cidade limpa durante o carnaval.

Baiana de Salvador, moradora em Brasília desde meados da década de 1970, foi aqui onde Rosa Passos desabrochou artisticamente. A princípio, cantando em casas noturnas, e em seguida lançando discos, que reverberaram no país e no exterior. Aos 67 anos, mãe de três filhos e avó de seis netos, divide o tempo e a atenção com a prole e com a música, reverenciada pelo refinamento.

“Embora tenha iniciado minha trajetória musical na Bahia, participando de festivais e criando minhas primeiras composições, foi em Brasília, que tomei como meu porto seguro, onde construí minha obra e a tenho levado para todo o mundo, em frequentes turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão”, relata a baiana mais brasiliense da capital.

Obras-primas

Rosa conta que lançou 21 discos, sendo vários trabalhos autorais, e outros como intérprete de mestres da MPB, como Dorival Caymmi, Ary Barroso, Tom Jobim, Gilberto Gil, Djavan e João Bosco. “Todos têm obtido o reconhecimento do público e da crítica nos locais onde me apresento. Conquistei fãs em vários continentes,”, comemora.

Amanhã vai ser verão é o álbum mais recente de Rosa, lançado em fevereiro e distribuído pela Tratore, no qual ela interpreta canções e boleros, com composições de sua autoria e algumas de outros autores. Da família, recebe total apoio no processo de criação. Avó coruja, Rosa fala com entusiasmo dos netos. “O Guilherme, de 9 anos, estuda piano; enquanto Theodoro e Bernardo, mais velhos, demonstram bom gosto musical. Se quiserem seguir carreira artística, terão o meu apoio”.

Instrumentista de banda repleta de estrelas da MPB, como Chico Buarque e Maria Bethânia, o contrabaixista cearense Jorge Helder, teve iniciação musical em Brasília, acompanhando Rosa Passos em bares como Amigos, Degraus e Mistura Fina (todos já extintos). “Rosinha, com seu profundo conhecimento musical, sua sutileza, foi uma espécie de mestra para mim. Há mais de 30 anos, temos trabalhado juntos. Toquei praticamente em todos os seus discos e nos tornamos parceiros no ano passado, quando compusemos Inocente blues, registrado no Amanhã vai ser verão, o novo CD dela”, destaca.

Poema na parede

Marina Mara tem 20 anos de militância artística a ativismo social. “Hoje, falo sobre nossas lutas, sobre a dor e a delícia de ser mulher, num mundo tão patriarcal e machista, sob a perspectiva do empoderamento feminino, mas também do autoamor e do autocuidado e bruxarias urbanas”, destaca a brasiliense nascida em Taguatinga, há 40 anos.

Com mestrado em arte e tecnologia na UnB, Mara se diz apaixonada por Brasília, “local que me inspira como poeta, atriz e produtora artística. Vivo intensamente esta cidade, que está numa fase de afirmação cultural. Vivenciamos uma cultura que tem a diversidade como principal característica”, afirma. “Em minhas caminhadas, costumo ficar atenta à fala das pessoas e verifico a mistura de sotaques”, acrescenta.

A criação do aplicativo Poemapp — Mapa da poesia no Brasil, fez parte do mestrado de Mara em arte e tecnologia pela Universidade de Brasília (UnB). Em 2009, lançou o primeiro livro, intitulado Sarau sanotário. “Além do livro, fiz uma espécie de exposição dos poemas por mais de mil banheiros do Distrito Federal. Depois lancei outras três obras, Figuras (2015); Profissão poeta (2017); um guia de como viver de poesia; e Blasfêmia, no ano passado.

Sobre Blasfêmia, que é dedicado às mulheres, ela explica: “Nesse livro reuni contos, devaneios literários e alguma coisa próxima de roteiro de cinema.  Por ser dedicado ao universo feminino, foi o livro que obteve maior repercussão”, festeja.

Menina de barro, do diretor brasiliense Vinicius Machado, foi o primeiro filme do qual Marina Mara participou. O longa-metragem recebeu o prêmio de melhor filme, na escolha do júri popular, em 2018, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Uma das criadoras do Rejunta meu Bulcão, em 2015, Mara ajuda a coordenar ações do bloco que arrastou ao Setor Bancário Norte mais de 10 mil pessoas no carnaval deste ano. “Nossa proposta é celebrar a arte de Athos Bulcão, um dos responsáveis pela identidade visual de Brasília. Recebemos, na semana passada um prêmio, ligado à sustentabilidade, oferecido pelo Serviço de Limpeza Urbana, por termos o cuidado de manter a cidade limpa durante o carnaval”.

“Foi em Brasília, que tomei como meu porto seguro, onde construí minha obra e a tenho levado para todo o mundo, em frequentes turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão”
Rosa Passos, cantora e compositora

21 
Número de discos lançados por Rosa Passos
 

Uma gigante entre gigantes

"Vivo intensamente esta cidade, que está numa fase de afirmação cultural. Vivenciamos uma cultura que tem a diversidade como principal característica", Marina Mara, atriz, poeta e produtora (foto: LarissaBarbosa/Divulgacao)
Quem tem grande admiração pelo trabalho de Rosa Passos é João Donato, precursor da bossa nova e reverenciado internacionalmente. “Sou fã incondicional de Rosinha, uma das maiores cantoras brasileiras, uma intérprete com uma voz límpida, suave e delicada, que encanta a todos que a ouvem”.

Gravei um disco em Brasília que, infelizmente, ainda não foi lançado, no qual ela canta em uma das faixas. No fim do ano passado, nos encontramos no palco em Salvador, no Teatro Rubi. Fizemos um show de piano e voz e ela interpretou de forma belíssima, músicas do meu repertório. Era para ser duas apresentações, mas, por conta do interesse do público, tivemos que fazer uma terceira apresentação. Em todas, formos ovacionados”, relembra Donato.

Um dos músicos mais requisitados pelos maiores nomes da MPB, o violonista Lula Galvão é um fiel escudeiro de Rosa Passos, com quem trabalha praticamente desde o início da carreira da cantora, quando ela ainda se apresentava em casas noturnas brasilienses. Ele a conheceu, no Degraus, um antigo bar da Asa Norte, onde ambos cumpriram temporada.

“Naquela época, Rosa foi convidada para participar do Projeto Pixinguinha, ao lado de Zezé Motta, e me chamou para tocar com ela, nos shows em Recife, Salvador, Ilhéus e Itabuna, o que intensificou nossa amizade”, lembra o violonista e guitarrista.

Quando Rosa gravou Curare, seu primeiro disco, teve Lula ao seu lado; e a partir daí ele participou de todos os discos, inclusive como arranjador. “Acompanhei Rosa em shows pelos Estados Unidos e Europa e, quando ela gravou o CD Entre amigos, com Ron Carter, eu estava junto no estúdio. Para mim, foi um privilégio estar ali, lado a lado com artistas da importância de Rosa e do contrabaixista norte-americano”.
 

A voz da diversidade

"Passei a vida toda por um processo muito doloroso até me reconhecer e me autodeclarar negra. Mas, quanto mais eu tentava ignorar, mais essa busca se mostrava determinante para os meus movimentos", Jaqueline Fernandes, produtora (foto: Vinicius Cardoso Vieira/CB/D.A Press)
Aos 13 anos, a gestora cultural Jaqueline Fernandes, 38, deu os primeiros passos na vida ativista. Tudo começou quando ela se aproximou do movimento da contracultura, que abriu a visão da então adolescente para um olhar mais crítico da sociedade. À época, vivia no Jardim Roriz, em Planaltina, onde passou a perceber as contradições sociais e culturais da vida em Brasília para além do Plano Piloto.

A cultura urbana, o hip-hop, o espiritualismo e a cultura popular tradicional provenientes das regiões próximas ao Plano Piloto tiveram papel fundamental nos trabalhos dela. “Crescer vivenciando a diversidade cultural, que forma a identidade dos planaltinenses, por exemplo, me influenciou definitivamente. Em Planaltina, fiz as minhas primeiras escolhas. As militâncias e produções”, lembra.

Ainda muito jovem, enveredou pelo mundo artístico produzindo zines e escrevendo contos e poemas. Também foi na região administrativa que se aproximou da moda política e da música, que ela aponta como linguagens centrais da caminhada que seguiu e passa pela criação de um festival de múltiplas linguagens, de empresa de produção cultural (a Griô Produções, da qual fez parte até 2014) e de um instituto de equidade de gênero, além da participação na vida política brasiliense.

“Passei a vida toda por um processo muito doloroso até me reconhecer e me autodeclarar negra. Mas, quanto mais eu tentava ignorar, mais essa busca se mostrava determinante para os meus movimentos”, afirma. Dessa vivência, se materializou o Festival Latinidades, evento criado em Brasília para celebrar o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, comemorado mundialmente em 25 de julho.

A ideia foi consolidada ao lado da videomaker Chaia Dechen, e o festival se tornou uma referência mundial, recebendo nomes como Angela Davis, Patricia Hill Colins e Elza Soares. “O Latinidades inseriu Brasília na rota de grandes eventos da cultura negra no Brasil”, resume. Como um filho que cresce, ganha o mundo e sai debaixo das asas dos pais, o festival, nos últimos quatro anos, seguiu seu rumo sem a presença de Jaqueline na organização — mas sempre na plateia. Nos mais de 10 anos, o festival teve mais de 200 ações formativas, cinco publicações e a presença de nomes nacionais e internacionais ligados ao movimento negro e ainda rendeu a dupla de idealizadoras a indicação ao Prêmio Claudia em 2014 na categoria Cultura na América Latina.

“Jaqueline Fernandes pôde construir uma das mais certeiras ações afirmativas deste país (o Festival Latinidades) e segue nos ensinando a dar passos para a construção de um futuro mais justo, semeando sonhos em um campo onde vozes da diversidade possam dialogar com as forças dominantes, sempre tendo a formação e o pensamento como eixos fundamentais”, observa o produtor cultural Guilherme Tavares.

Destaques

A produtora ocupou o cargo de subsecretária de Cidadania e Diversidade Cultural, na Secretaria de Cultura do DF, durante a gestão passada. Agora, passou a se dedicar ao Instituto Afrolatinas, organização criada por ela e que pretende ser referência para promoção da equidade de gênero e raça no Distrito Federal. “Ser mulher negra na cultura de Brasília é ver e sentir diariamente o peso da reprodução dessa estrutura social nas produções. Ser ativista é atuação constante para incidir sobre essa realidade”, analisa Jaqueline.
 
*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira 

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