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Correio Braziliense

Conheça a mulher que decidiu lutar pelas crianças com câncer no DF

Ilda Peliz empenha-se na batalha por um tratamento digno às crianças com câncer, após perder a filha, ainda bebê, em função da doença


postado em 21/04/2019 06:00 / atualizado em 20/04/2019 18:53

Ilda Peliz criou um hospital especializado no tratamento de crianças com câncer(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Ilda Peliz criou um hospital especializado no tratamento de crianças com câncer (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

 

Ao longo dos seus 87 anos, a ex-primeira-dama Sarah Kubitschek deixou um legado de solidariedade em Brasília. Determinada e prestativa, ela sempre se preocupou em ouvir os anseios daqueles que mais precisavam de ajuda, como crianças, mães, mulheres grávidas e deficientes em situação de vulnerabilidade. 


A principal prova disso foi a criação da Fundação de Pioneiras Sociais. Com ela, Sarah desenvolveu uma série de atividades voluntárias. Distribuiu, por exemplo, merenda escolar, roupas, alimentos, cadeiras de rodas e aparelhos para deficientes físicos. Ainda, forneceu assistência médica e educacional à população mais pobre. Também criou em Brasília hospitais, escolas, centro de pesquisas e ambulatórios especializados no acolhimento de pessoas carentes.

“A história da dona Sarah é uma inspiração para todas nós”, resume Ilda Peliz. A mulher de 68 anos é uma das sucessoras da ex-primeira-dama. Mineira como a mulher de Juscelino Kubitschek, Ilda carrega a vontade de mudar a vida da comunidade ao seu redor. “As mulheres são mães por natureza. Sempre tomam a dor do outro e querem ajudar”, comenta.

Em agosto de 1994, a filha Rebeca, à época com seis meses, foi diagnosticada com um câncer no sistema nervoso central. Ilda peregrinou por hospitais de Brasília, Goiânia e São Paulo, sem encontrar tratamento para a bebê, que morreu em outubro do ano seguinte. A partir daí, trabalhou para evitar que mais pessoas vivessem a experiência de perder um filho.

“No Hospital de Base, vi o que de pior um ser humano pode enfrentar. Foi um sofrimento enorme,  que me fez tomar a decisão de não permitir que o tratamento a crianças em Brasília continuasse daquela maneira”, recorda.

A então executiva do Banco do Brasil aposentou-se e aceitou um convite para presidir a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace), em 1996. Trocou o certo pelo duvidoso. Uma carreira bem-sucedida para ser a chefe de um trabalho voluntário. “Escolheram a mulher perfeita, porque eu sempre fui de brigar pelos direitos dos outros. Comecei com o pires na mão, mas tinha total noção de que a minha figura era fundamental para esse objetivo. Por isso, fui forte e mostrei que transformaria um sonho em algo concreto”, frisa.
 
 


Persistência

 

Ilda fez cursos de capacitação e especialização para entender o que era preciso para erguer um hospital voltado ao público infantojuvenil. Ao mesmo tempo, não poupou energias para mobilizar a sociedade sobre a importância da criação de um centro especializado no tratamento integrado e multiprofissional da criança e do adolescente e arrecadou mais de R$ 30 milhões em doações.

Quinze anos depois, a sua promessa tornou-se realidade: em 2011, foi inaugurado o Hospital da Criança de Brasília José Alencar. “Fico feliz ao saber que as pessoas acreditaram em mim, ainda mais ao ver que tudo deu certo. Foi a melhor coisa que fiz em toda a minha vida, pois estou transformando vidas”, comemora.

Nas contas da unidade de saúde, quase 3,2 milhões de vidas foram transformadas até agora. O Hospital da Criança se tornou referência nacional, com profissionais de quase todas as especialidades pediátricas. “Sinto-me realizada ao ver este hospital”, garante Ilda, que diz ter devolvido a Brasília apenas uma parte daquilo que a capital do país já lhe proporcionou. “Não foi por mim, mas, sim, por essa cidade. Moro aqui desde os meus 23 anos. Em Brasília casei, tive filhos e construí a minha vida. Idealizar esse hospital e tirá-lo do papel não foi nada fácil, mas valeu a pena. Eu faria tudo novamente, pois amo Brasília como se tivesse nascido aqui. Por essa cidade, faço qualquer coisa que estiver ao meu alcance”, afirma.

Quem conhece a idealizadora do Hospital da Criança só tem a elogiar. “Ela é uma pessoa íntegra e que abraça com muito interesse as causas que defende. O hospital está aí como exemplo. Ela é capaz de iniciar qualquer coisa do zero por essa cidade”, resume a atual presidente da Abrace, Maria Ângela Marini.

O mesmo reforça o presidente do Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), Newton Alarcão. “A Ilda transformou a dor da perda de uma filha por amor a uma causa. Muitos pais no lugar dela não teriam a mesma atitude. Isso é algo admirável.”

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