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Correio Braziliense

Psicóloga cria rede de adoção e promove cidadania no Distrito Federal

Soraya Kátia Pereira preside a Aconchego, Organização da Sociedade Civil (OSC) que desde 1996 ajudou quase 2 mil pais e mães do DF


postado em 21/04/2019 06:00 / atualizado em 20/04/2019 14:10

Por conta do desejo de ser mãe, Soraya adotou dois filhos e criou uma rede de adoção(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Por conta do desejo de ser mãe, Soraya adotou dois filhos e criou uma rede de adoção (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A psicóloga Soraya Kátia Pereira, 60 anos, sempre sonhou em ser mãe. Devido a uma atrofia no útero, porém, nunca conseguiu gestar um bebê. Por mais de três décadas, o desejo de ter uma criança para chamar de filha ficou só na imaginação. Isso até ela cogitar a adoção. “Toda criança tem direito a uma família. Não é porque ela é adotada que ela é menos filha”, defende.
 
Com essa mentalidade, além de ter se tornado mãe de dois filhos, Soraya levou o debate adiante. O seu objetivo era tentar mudar a forma como a sociedade trata a adoção. “Os filhos não saem da gente, eles entram. Ser pai ou mãe vai além do que conceber uma criança. O que mais importa é o amor que você vai entregar para aquela vida”, pondera.
 
Soraya preside a Aconchego, organização da sociedade civil (OSC) que desde 1996 ajudou quase 2 mil pais e mães do Distrito Federal que queriam agregar mais um integrante à família. O foco do grupo é criar uma ponte entre os adultos que buscam um filho e as crianças e adolescentes que vivem em abrigos à espera de uma adoção.
 
“A nossa missão é voluntária, mas isso não significa que o que fazemos é caridade. Exercemos um direito de cidadania, afinal, estamos devolvendo para a sociedade todos os valores que aprendemos. Investimos em um conhecimento e, agora, queremos dar o melhor àqueles que precisam de ajuda. Isso é emocionante”, salienta.

Rede de apoio

A Aconchego tem psicólogos, assistentes sociais e pedagogos que se revezam para atender às crianças e adolescentes que moram em cinco abrigos da capital. Mensalmente, além de serem convidados a participar de rodas de conversa com adultos que buscam adoção, eles são chamados a relatar atividades com estudantes do ensino médio, para que possam, ao menos por um momento, sentir o que é ter um irmão mais velho.

 

“Queremos ser referência no desenvolvimento de tecnologias sociais transformadoras que promovam a convivência familiar e comunitária. Estamos aqui para fazer o possível e o impossível. Quando falamos de amor, não podemos medir esforços”, argumenta Soraya.
 
O amor pela cidade é outro motivo para a luta incessante da psicóloga em levar mais dignidade às crianças e adolescentes relegadas pelos pais biológicos. “Vim para cá com 14 anos, quando saí de Manaus (AM) com meus pais. Desde então, não me vejo em outro lugar. Fico feliz pela contribuição que dei à cidade. O Aconchego é feito de aconchegos. Todos estão andando na mesma direção, que é garantir os direitos de qualquer criança e adolescente”, destaca.
 
Assessor-técnico da Vara da Infância e da Juventude do DF, Eustáquio Coutinho diz que Soraya foi uma peça importante para que a adoção deixasse de ser um tabu na comunidade. “Ela é uma mulher forte e caridosa, que sempre se mostrou à disposição de entender as dificuldades do próximo e arrumar as saídas para resolvê-las. Ela usou toda a sensibilidade feminina para resolver problemas importantes à sociedade, mas que muitos creem que são irrelevantes. Alguém com essa visão merece destaque. Brasília tem muito a agradecer.”

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