Publicidade

Correio Braziliense

Primeira mulher a comandar a UnB adota gestão moderna e com olhar feminino

Antes de chegar à Reitoria, ela ocupou os cargos de vice e de diretora do Instituto de Geociências e, um dos maiores orgulhos: liderou, como decana de Ensino de Graduação, a expansão da universidade


postado em 21/04/2019 10:44 / atualizado em 22/04/2019 15:46

"Eu sei de tudo o que está acontecendo (na UnB), mas descentralizo demais. Quero que as pessoas que trabalham comigo também se realizem" (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Os caminhos de Márcia Abrahão se cruzam com os de Brasília em diferentes momentos até que se entrelaçam de maneira definitiva. Aqui nasceram os filhos da primeira mulher escolhida reitora da Universidade de Brasília (UnB), em 2016, e onde sua carreira acadêmica encontrou o ápice.

O pai, militar, veio para a capital um ano depois da inauguração da cidade. Em 10 de novembro de 1964, a mãe deu à luz a Márcia, a caçula, no Rio de Janeiro, e logo depois voltou para o Distrito Federal.

A família ainda morou durante outro período na capital fluminense e, quando Márcia cursava o 2º ano do ensino médio, desembarcou novamente em Brasília. Foi nessa fase que uma primeira e importante influência surgiu. Veio da professora de química Ana Doca o incentivo para cursar geologia na UnB.

Durante a graduação, que concluiu em 1986, foi a vez de a professora de mineralogia e cristalografia do Instituto de Geociências Maria Adusumilli se tornar referência. Daí, a trajetória passou por diversos episódios de superação. Conciliar família, estudos e trabalho foi um deles. Descobriu que estava grávida de Tomás, hoje com 29 anos, um dia antes da seleção do mestrado e, após o nascimento do primogênito, cogitou dedicar a vida à maternidade.

A mãe, Josephina Abrahão Moura, 80, que nunca trabalhou, foi quem a incentivou a não abrir mão da carreira. “Eu não seria feliz, nem a minha família seria feliz”, afirma a reitora, casada há mais de 30 anos com Luiz Ferreira da Veiga. Defendeu a dissertação em 1993 e, em 1998, após o nascimento da caçula, Renata, 26, teve a tese de doutorado aprovada.

“Ela é um exemplo na área administrativa e para as geólogas, porque, inicialmente, essa era uma profissão onde predominavam homens. Ainda hoje existe discriminação”, observa Nilson Botelho, orientador de mestrado e doutorado de Márcia, ambos na área da geologia econômica.

Antes de chegar à Reitoria, ela ocupou os cargos de vice e de diretora do Instituto de Geociências e, um dos maiores orgulhos: liderou, como decana de Ensino de Graduação, a expansão da universidade, por meio do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Ao todo, foram 36 cursos criados nos quatro câmpus — Darcy Ribeiro, Planaltina, Gama e Ceilândia — e vários outros com vagas ampliadas. 

Raízes

Pouco antes da vida universitária, Márcia integrou o time de vôlei da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB). Em uma das competições, conheceu Maria Tereza Walter. Mais tarde, as duas começaram a jogar do mesmo lado da quadra. Entraram para o time da universidade e representaram a capital federal em disputas nacionais. O companheirismo que ali surgiu se estendeu por toda a vida.

“Márcia sempre foi muito muito alegre. Temos aquele tipo de relação que basta um olhar para que uma saiba o que a outra quer dizer”, destaca a amiga.

A experiência com o esporte ajuda até hoje no trabalho em equipe. É de fácil convivência, tem determinação e coragem, conforme relatos de pessoas próximas, e ainda carrega a bandeira de valorização das mulheres. Dos oito decanatos, cinco são geridos por elas. “Eu sei de tudo que está acontecendo, mas descentralizo demais. Quero que as pessoas que trabalham comigo também se realizem”, garante a reitora.

Bem pertos dos alunos 

"Foi amor à primeira vista com a cidade. Senti que podia ser livre, feliz e que continuaria aqui pelo resto da vida. Em nenhum outro lugar tive essa conexão", Eda Coutinho, reitora do Iesb (foto: Andre Zimmerer/Divulgação)
Entender necessidades de indivíduos, entre um grande número de pessoas, pode ser difícil para uns. No entanto, escutar e avaliar as histórias de cada pessoa nunca foi dificuldade para Eda Coutinho Machado, 79 anos. Com a vontade de unir educação, empreendedorismo e de ajudar pessoas, em 1998, ela e um amigo deram início a uma empreitada que resultou em um projeto de sucesso em Brasília. 

Até hoje, a reitora e cofundadora do Centro Universitário Iesb colhe os frutos do trabalho que desenvolveu, principalmente com a expansão da instituição de ensino para outras cidades do Distrito Federal. O caminho até aqui, no entanto, não foi curto. Mineira de Bento Brandão, Eda morou em São Paulo antes de se mudar para o Paraná. Ali, aos 17 anos, surgiu a vocação para o ensino. Ela atuou como diretora de um grupo de escolas na zona rural do Paraná e, quatro anos depois, aprofundou as experiências com a educação durante uma viagem à Colômbia.
 
Em 1966, mudou-se para Brasília. “Foi amor à primeira vista com a cidade. Senti que podia ser livre, feliz e que continuaria aqui pelo resto da vida. Em nenhum outro lugar tive essa conexão”, recorda-se.

Experiências

Pouco tempo depois de terminar o curso de pedagogia na Universidade de Brasília (UnB), passou a dar aulas na Faculdade de Educação, foi para a Fundação Getulio Vargas (FGV) e, enquanto trabalhava lá, ganhou uma bolsa de mestrado para estudar nos Estados Unidos, onde decidiu ficar até terminar o doutorado. Quando voltasse, teria uma vaga garantida na Universidade de Campinas (Unicamp). Liliane, 60, filha mais velha de Eda, ainda era adolescente e morou com a mãe durante esse período, pois o pai havia morrido. 

Dali, Eda passou pela Unicamp, esteve nos Estados Unidos novamente, estudou na Alemanha e voltou para Brasília, em 1977. Apesar das constantes viagens, a previsão de que permaneceria na cidade concretizou-se. Aqui, a família cresceu. Dois anos depois de ter Edson, hoje com 33, o segundo filho, a professora ganhou o primeiro neto da filha primogênita — hoje tem mais dois. O foco voltou-se às crianças e, mesmo aposentada, Eda manteve uma rotina intensa de trabalho, na década seguinte, com a inauguração do primeiro câmpus do Iesb, na Asa Sul.

Amigo de longa data de Eda, o atual senador Pedro Chaves dos Santos auxiliou na criação da instituição de ensino. “Todas as viagens dela, e a relação com as universidades nos Estados Unidos, deram a ela um know-how diferente. Ela tem de 7 mil a 8 mil alunos e atende cada um. Ela é a amiga das amigas e sempre foi a nobreza em pessoa”, elogia Pedro.



Você sabia?

Hino da capital criado por uma professora
 
Há 58 anos, o Hino de Brasília foi composto por uma professora. A pianista carioca Neusa Pinho França Almeida criou cada uma das notas da parte instrumental da música enquanto estava em um ônibus, a caminho da antiga Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro. Antes de chegar à futura capital, Neusa conseguiu o emprego de professora de música em Brasília, ao ser a primeira colocada em um concurso público para a vaga. A canção composta por Neusa, e com letra do poeta Geir Campos, passou pela avaliação de especialistas e foi oficializada por Jânio Quadros, em 19 de julho de 1961. Neusa morreu em março de 2016, aos 95 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral. 

Publicidade

EXPEDIENTE


Diretora de Redação:

Ana Dubeux

Editores executivos:

Vicente Nunes

Plácido Fernandes

Edição:

Mariana Niederauer

Desenvolvimento web:

Christiano Borja

Elielson Ribeiro Macedo

Luiz Filipe Azevedo de Lima