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Confira as histórias de pessoas que mudaram de vida em busca da felicidade

A felicidade pode ser algo subjetivo. Mas, para nove pessoas ouvidas pela Revista, ela não só é palpável como foi atingida após uma mudança radical da rotina

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postado em 26/12/2013 07:30 / atualizado em 24/12/2013 14:40

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Na televisão, a propaganda indaga o telespectador à queima-roupa: o que você faz para ser feliz? A pergunta intriga e provoca questionamentos provavelmente desde que o homem sentiu um frio na barriga pela primeira vez. Para alguns, felicidade é sinônimo de conta bancária azul da cor do mar. Para outros, um estado de espírito, não importa quanto você ganhe. Os mais românticos defendem que o “conceito” se refere a experiências pessoais, companheiros, amigos, enfim, ao amor. Fato é que o tema desperta interesse não só no campo filosófico: ao redor do mundo, pesquisadores se desdobram para entender do que se trata essa tal felicidade — e o que é preciso fazer ou ter para se considerar um sujeito feliz.

Uma das maiores pesquisas sobre o tema foi feita pela Universidade de Harvard. O estudo, publicado pela revista francesa Geo Savoir em novembro de 2011, teve mais de 800 participantes acompanhados por 80 anos, desde 1938. O objetivo principal do Grant Study foi entender a influência que o estilo de vida que cada um escolhe impacta na percepção de felicidade no futuro. Levando em conta hereditariedade, infância, ambiente social, histórico familiar, estudos, casamentos, problemas de saúde, vida profissional e mais uma infinidade de detalhes, os pesquisadores — 50 ao todo — mapearam os dados.
Os resultados, como esperado, foram complexos: no começo da pesquisa, tudo levava a crer que a renda familiar seria sinônimo de uma longevidade maior de 10 anos, em média. Os mais pobres eram três vezes mais propensos a serem obesos, alcoólatras e tabagistas. Quando a vida dos pesquisados era analisada individualmente, porém, a coisa mudava de figura. Primeira conclusão: não dá para se basear pela média. Quem tinha tudo para se considerar infeliz, como problemas de saúde ou péssimo histórico familiar, dizia-se sereno e feliz.

É claro que os cientistas não conseguiram montar uma receita para a felicidade, mas foram capazes de apontar alguns comportamentos que tendem ao fracasso. O alcoolismo, por exemplo, foi o grande responsável por doenças, divórcios e mortes. O grau de inteligência não influencia na felicidade, assim como a posição política ou ideológica. O relacionamento com a mãe, sim: segundo a pesquisa, se a sua infância foi repleta de amor, há grandes chances de você ser um adulto feliz. E o velho ditado “dinheiro não traz felicidade” procede: ter tido uma juventude animada e feito uma faculdade vale mais do que dinheiro, no que diz respeito a ser feliz no futuro.
O exemplo de Harvard é apenas um entre muitos estudos e teorias sobre a felicidade. Ruut Veenhoven, sociólogo holandês, conduz os estudos do World Database of Happiness (WDH), um centro de pesquisa dedicado a investigar quais lugares do mundo são mais ou menos infelizes. Ele é professor emérito das condições sociais para a felicidade humana, na Universidade Erasmus de Roterdã, e define o projeto como um “arquivo de resultados”. “Ele armazena alguns dos 20 mil resultados de pesquisas sobre o aproveitamento subjetivo da vida, tanto sobre descobertas sobre quão felizes as pessoas vivem (resultados distributivos) quanto descobertas de coisas análogas à felicidade (resultados correlacionais)”, detalha.

No site oficial da pesquisa, é possível encontrar os níveis de felicidade de todos os países do mundo. Em uma escala de zero a 10, a felicidade do brasileiro está em 7,5. Em 1960, essa média era de apenas 4,6. A partir de relatórios de pesquisas, Veenhoven explica que é possível fazer uma “medição adequada de felicidade, no sentido de gozo subjetivo da vida como um todo”. Isso porque, ainda que a felicidade não seja algo concreto e palpável, o cientista diz que só o fato de todos nós termos o conceito em mente já permite que ele seja mensurado. “A felicidade pode ser medida usando interrogatórios.” E isso é feito da maneira mais simples possível: quão feliz você é pode ser indicado com palavras como “infeliz”, “moderadamente feliz” e “muito infeliz”, por exemplo. Também com números. Chegar à nota 10 não é impossível, ele acredita, porém, tampouco comum. “Nós, normalmente, temos nossos altos e baixos na vida. Ainda assim, a maioria das pessoas está feliz.”

 

 

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Quem: Rodrigo Mattioli,
Verônica Lacerda e Alice

Felicidade é:
Verônica: “Não tenho um conceito definido... Acho que hoje é ‘se saber sortuda’.”
Rodrigo: “Hoje, é poder viver de acordo com o que você acredita. Amanhã, será diferente...”


Rodrigo Mattioli, 31 anos, e Verônica Lacerda, 29, sempre quiseram descobrir o que estava além do Planalto Central. Os publicitários se conheceram em Brasília, mas, mesmo antes de se casarem, já tinham vontade de se mudar, por “curiosidade e cansaço”, como define Verônica. Não que a vida aqui estivesse difícil para os dois. A carreira de ambos estava de vento em popa, com a empresa de fotografia e design que montaram crescendo mais e mais. A filha, Alice, hoje com 7 anos, crescia saudável e feliz. Mas foi justamente quando o casal se deu conta de que as raízes na cidade ficavam cada vez mais profundas que decidiram que era a hora de tentar algo novo.

Rodrigo já tinha morado em Londres e queria voltar ao exterior. “Pensamos que, se não fôssemos logo, o crescimento da empresa e o fato de a Alice começar a ficar mais velha seriam fatores que fariam mais difícil nossa saída”, explica Verônica. Em 2008, os três fizeram as malas e partiram. Londres, porém, também ficou pequena demais. “A rotina de cidade grande cansou a gente”, resume ela. A outra empresa que abriram em terras inglesas também crescia, assim como o trabalho. A família queria mais tempo de convivência e liberdade. Queria largar tudo novamente para ir para o meio do mato. Mesmo sabendo que seria uma decisão difícil, especialmente com uma criança pequena, decidiram pesquisar mais a fundo sobre as possibilidades do plano.


Verônica e Rodrigo descobriram que, sim, seria possível viajar pelo mundo sem tantas amarras ou mesmo sem dinheiro sobrando. “Descobri que existem vários sites de voluntariado, lugares que oferecem acomodação e alimentação por troca de trabalho”, completa Verônica. Naturalmente, os dois precisaram fazer um planejamento financeiro mínimo antes de pegar a estrada. “Como freelancer, a gente tem uma regra básica: tem sempre que ter três meses adiantado de salário na conta-corrente”, explica Rodrigo. “Quando saímos de Londres, percebemos que três meses de salário de lá renderiam quase um ano em outros países.” O plano, então, passou a ser viajar seis meses com um orçamento de até £40 por dia (cerca de R$ 150). Na prática, os três estão gastando menos do que o planejado — o que dará uma “folga” para viajar por mais alguns meses além dos seis que já constam no currículo.

Hoje, três países e oito estados diferentes depois, a família está em processo de “test-drive” de estilos de vida diferentes. Se encontrarem um lugar em que se vejam morando, param. Se não, continuam pedalando suas bicicletas em busca da nação perfeita. O destino de cada viagem só é revelado para poucas pessoas, e se as passagens já estiverem marcadas, para não gerar expectativa em ninguém. Muitos os consideram corajosos, mas eles não se veem assim. “É preciso ter mais coragem para ficar no mesmo lugar, levando a mesma vida, sem mudar nada durante anos, do que resolver arriscar e se mudar”, pondera Verônica. “Não é que um jeito seja melhor que o outro, mas é assim que a gente gosta de levar a vida.”

Na bagagem, a família tem hoje poucos souvenirs e muitas memórias. A experiência em uma fazenda no norte da Inglaterra, por exemplo, ajudou-os a perceber que não precisam de tanto luxo para se virar. Ter oportunidade de trabalhar na terra e ver que o produto final do trabalho, para Verônica, “era como uma coisa muito sólida, real e que a gente pode entender de cara de que forma ele afeta a vida das pessoas que dependem dele”. A paisagem, as pessoas que conheceram pelo caminho e até mesmo a barrinha de cereal no bolso ganharam novos significados. “É engraçado como as coisas simples que a gente toma como garantido podem nos dar tanta felicidade.” 


Conhece-te a ti mesmo


Fora do âmbito científico, naturalmente há uma busca incessante para entender o que, afinal de contas, é felicidade e como chegar até ela. Para Ângela Solgio, presidente da Associação Brasileira de Ensino de Psicologia, procurar é intrínseco ao ser humano. O problema é definir atrás do que correr. “É um conceito amplo e relativo à cultura e ao próprio indivíduo. Em cada momento da história, há um consenso do que é ser feliz e cada pessoa define o que, para ela, é felicidade.”
Ser feliz dá trabalho: depois de escolher seus objetivos, ainda é preciso uma boa dose de bom senso para saber se eles são viáveis ou puro delírio de uma mente angustiada. “Viver em sociedade também é adiar desejos e levar em conta seus limites”, frisa a psicóloga. Obedecer a regras sociais e respeitar os outros, além de vencer o próprio medo, são outros obstáculos ao grande pódio da felicidade. Mas nada intransponível. “Não é preciso fazer isso tudo sozinho. De modo geral, o mais importante é tentar identificar o que não está bom para imaginar uma solução, ainda que não imediata.”

Foi a partir da curiosidade que surgiu o documentário Eu maior. Marco Schultz, um dos quatro produtores do filme, conta que a busca do tema sempre esteve vinculada ao autoconhecimento. “O enfoque é para a gente compartilhar uma angústia assumida.” Para Schultz, as perguntas começaram a pipocar em sua cabeça quando entrou para o mundo da ioga. Meditações e viagens de peregrinação com pessoas igualmente questionadoras abriram um vácuo de conhecimento. “Sempre achei que a vida não pode ser só esse resumo. Tem algo dentro de mim que quer algo mais ampliado.”
A partir daí, ele e os demais produtores passaram a buscar personagens que pudessem dar depoimentos distintos sobre a felicidade, sob os mais diversos pontos de vista. O resultado é uma miscelânia que une líderes espirituais, intelectuais, esportistas e artistas para “questionar a felicidade de superfície, horizontal”, sem nenhuma crença específica. “Buscamos ser coerentes com os entrevistados —de diferentes gêneros, estilos de vida, credos, cientistas ou não. Tivemos esse cuidado de tentar encontrar a pluralidade do ser humano por meio dessas pessoas todas.”

Naturalmente, o tema se desdobrou em muitos outros: a existência ou não de Deus, a integração do homem com o mundo, o sofrimento, a fraternidade e o significado da vida são alguns exemplos. Com apenas duas semanas, o filme já tinha quase 350 mil visualizações no YouTube. Até o fechamento desta matéria, esse número já ultrapassava 419.400. Isso tudo sem o amparo de uma assessoria de imprensa ou qualquer outro tipo de divulgação que não o compartilhamento do vídeo em redes sociais e boca a boca. “Isso mostra que o momento do mundo é de questionamento profundo, em todos os sentidos. O ser humano é um inquiridor.”
Há ainda quem transforme a busca pessoal em livro. Isabel Abecassis Empis, psicoterapeuta portuguesa, transformou sua experiência de 35 anos em consultório no livro O poder do querer: como transformar sua vida naquilo que você quer (Academia do Livro). Na obra, 18 histórias de vida estudadas por ela são usadas para explicar o caminho para a realização pessoal. O foco principal é entender como funciona o tal autoconhecimento. Pessoas tristes, por exemplo, muitas vezes escutam que têm tudo para não se sentirem assim. “Essas pessoas se sentem ainda mais doentes. A grande verdade é que nós não somos os acontecimentos da nossa vida, mas nossa relação com eles.”

Essa aprendizagem pode até parecer intuitiva, mas, segundo a psicanalista, está ausente na vida de muitos, o que bloqueia a capacidade de traçar objetivos. A prática de tentar explicar tudo — a “explicologia” ou “explicanálise”, como ela define — também não ajuda. “Tentar explicar os porquês de tudo só leva a pessoa a se separar cada vez mais de si própria e, muitas vezes, dos outros”, defende. Por fim, o grande conselho de Empis: expectativa em vez de esperança gera angústia e (adivinhe?) infelicidade. “Na expectativa, estamos sempre à espera que o outro, o mundo, a vida seja aquilo que nós pensamos que precisamos para realizar o nosso sonho ou ser feliz. Quando, na verdade, é na esperança que está a possibilidade de sonhar e de realizar a partir de nós mesmos.”

 

 

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Quem: Fred Di Giacomo e Karin Hueck

Felicidade é:
Fred: ”Há duas definições que eu gosto bastante, uma é de Freud que diz que a felicidade seria a busca pelo prazer e a tentativa de evitar o
desprazer. Outra é do cantor punk brega Wander Wildner: ‘Vida é muito simples, basta achar algo que se gosta para fazer’.”
Karin: “A felicidade não é um objetivo final. Não é algo que está parado lá na frente e que basta você esticar a mão para encontrar. Pelo contrário, a felicidade é tudo, menos estática.”


Fred Di Giacomo e Karin Hueck, 29 e 28 anos, tinham bons empregos. Os dois são jornalistas e escritores, já publicaram livros, ganharam prêmios e realizaram pesquisas importantes. Um belo dia, resolveram ir atrás dessa tal felicidade. O casal pediu demissão, fez as malas e, há quatro meses, foi viver em Berlim, na Alemanha. O projeto foi batizado de Glück Project, ou Projeto Felicidade, em tradução livre do alemão. No site da iniciativa, os dois catalogam o que encontram por aí, como exemplos de pessoas que tiveram a coragem para investir no que as fazia felizes.
A dupla entrevista ainda médicos, psicólogos e especialistas sobre temas relacionados à felicidade, como medo e arrependimento. A ideia é juntar tudo em um livro. “Cada entrevista feita ou livro lido gera um post no blog”, explica Fred, que frisa: o resultado prático não é o principal objetivo da busca. “Existe um objetivo pessoal, que é repensar nossas vidas, nosso modo de viver, nossa forma de encarar o mundo”, resume.

Quando a notícia de que largariam os empregos para se debandarem para a Alemanha foi anunciada, as reações, surpreendentemente, foram positivas. Nada de perguntas, acusações ou tentativas de sabotagem (ainda que não intencionais). Na verdade, o casal conta que sentiu amigos próximos e parentes inspirados pelo exemplo. “As pessoas que ficaram mais surpresas foram as que não nos conheciam direito, que achavam que éramos muito satisfeitos e realizados, por exemplo”, diz Karin.
Os dois já contabilizam momentos marcantes, tanto com relação à cidade quanto às experiências que tiveram. Debates com escritores, cineastas e pesquisadores são alguns dos legados da viagem. Para os dois, a maior epifania do autoconhecimento foi o que fazer com o tempo livre. “Eu tinha curiosidade em saber o que faria da minha vida se tivesse mais tempo livre. A resposta que encontrei foi que tenho vontade de fazer muito mais coisas do que fazia antes: aprender a desenhar, fazer filmes, cozinhar, andar de bicicleta”, enumera a jovem. “Hoje, a sensação que tenho é que a vida é um corredor com diversas portas esperando para serem abertas e nós estamos abrindo várias delas para dar uma espiadinha. Se gostarmos de alguma, podemos entrar e ficar”, finaliza Fred.

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

Quem: Pierre Marcovicz

Felicidade é:
“Encontrar o que se deseja de verdade e ir em frente.”

Pierre Marcovicz, 37 anos, levava uma vida comum. Acordava, tomava banho, arrumava-se e seguia para o trabalho. O problema era o intervalo entre o serviço e a volta para casa: raramente se passavam menos de 10 horas entre uma coisa e outra. A rotina se repetiu por cerca de 14 anos. Pierre trabalhava com suporte de TI (tecnologia da informação).  Além da imensa quantidade de trabalho, Os horários de Pierre não eram convencionais. O recorde foram 24 horas em frente ao computador. Horas extras? Nem pensar. “Nem o salário era bom. Sentia que estava desperdiçando minha vida.” O excesso de trabalho somado às relações não muito amistosas entre os colegas de ofício o deixavam extremamente estressado, frustrado e sem vontade de continuar com a vida que levava. As cartas do tarô, atividade que despertava seu interesse desde a infância, serviam como válvula de escape.

A rotina estafante, finalmente, fez com que Pierre chegasse ao limite. Resolveu transformar o hobby em algo profissional e, há um ano, usa as cartas como ganha-pão. O dinheiro da rescisão de contrato do antigo emprego serviu como amparo para os primeiros meses de empreitada. “Fiquei tranquilo. Se desse errado, pelo menos tinha tentado.” Os amigos e familiares o apoiaram incondicionalmente. Por enquanto, as consultas são feitas no apartamento em que mora. A ideia é transferi-las para um consultório próprio no futuro. A carga de trabalho diminuiu e o prazer aumentou — bem como a conta bancária. Ainda que as contas não estivessem estabilizadas, a tranquilidade que a nova vida trouxe teria valido a pena. “Não fico mais estressado ou nervoso.” Além das cartas, ele usa o tempo livre para estudar para concursos que o interessem. Ao contrário de muitas pessoas, contudo, esse é, agora, seu “plano B”.   

 

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
 

Quem: Célia Estrela, 51 anos

Felicidade é:
“Receber amigos em casa para um jantar e
compartilhar momentos gostosos.”

Célia Estrela, 51 anos, fez um curso de ensino superior, como muitas pessoas. Porém, não escolheu exatamente o que queria para o resto da vida. “Você faz faculdade para ter um diploma, mas eu não era feliz”, resume. Há 20 anos, ela decidiu largar a vida de economista para seguir seu sonho: ser artista plástica. Autodidata, ela conta que pinta desde criança. “Quem tinha mais medo era eu, mas meu pai me incentivou a tentar. Ele disse que, se não desse certo, eu teria o apoio da família.”
A decisão de transformar a arte em trabalho veio após a primeira experiência profissional com economia. Célia tentava pintar uma coisa ou outra em seu tempo livre, porém as oito horas diárias de trabalho a impediam de se dedicar completamente aos quadros. Ainda assim, via no rosto dos amigos qual deveria ser seu caminho. A cada novo produto que produzia, a procura e os elogios cresciam. As encomendas foram aumentando, assim como a vontade de largar tudo. “Vi que só me sentia realmente feliz nesse tempinho em que não estava no trabalho”, completa.

Aos 30 anos, o momento de começar um novo trabalho, mais recompensador, chegou. Após a primeira exposição, Célia viu que poderia investir também em outras formas de arte. Lançou sua primeira coleção de porcelanas e adaptou um canto da casa para fazer o ateliê. O local hoje virou um reduto de artistas, amigos e clientes, que marcam horário para escolher as peças. Sua maior propaganda é boca a boca: ela conta que, não raro, clientes que viram suas peças na casa de amigos aparecem para adquiri-las também.
A vida hoje é muito diferente do que era antes. Não que Célia trabalhe menos por estar em casa: assim como um ofício convencional, é preciso disciplina e horários para que tudo dê certo. Financeiramente, as coisas vão bem, obrigada. A conta bancária está mais folgada hoje que nos tempos de economista. “Se eu vendo dois quadros em um mês, ganho mais do que se trabalhasse no meu antigo emprego por 30 dias.” Claro que esses dois compradores nem sempre aparecem. Porém, ela não se preocupa. “Sou muito pé no chão. Dá para viver de arte, desde que você se destaque e faça algo acessível ao público”, ensina. “Não dá para ficar gastando à toa.”

Para ela, ir atrás de um sonho não quer dizer relaxar. A prova está no corpo: após 20 anos pintando diariamente por cerca de oito horas, as dores são inevitáveis. “A vantagem é que não tenho mais estresse. Quando você faz o que gosta, nem sente o tempo passar.” Outro bônus do emprego hobby, segundo a artista, é ter cabeça e tempo para investir em outros projetos pessoais. Para o futuro, o plano de Célia é lançar um livro sobre decoração de mesas. “A proposta é dar dicas para decorar usando coisas reaproveitadas. A pessoa só se sente infeliz com o que não pode ter. O que tenho me faz feliz.”

 

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
 

Quem: Iara e Eduardo Xavier

Felicidade é:
“Amar tudo e todos. Para nós, não existe uma vida totalmente feliz ou totalmente infeliz. Existem momentos de felicidade.”

“Cansamos de ouvir notícias ruins.” Essa é a justificativa do casal Iara e Eduardo Xavier, 32 e 45 anos, para vender um apartamento e outros bens materiais, colocar itens essenciais no bagageiro do carro e sair pelo Brasil em busca de notícias boas. O plano começou em 2011 e continua até 2015. O planejamento acaba aí. “Acreditávamos que, se planejássemos muito, não iríamos sair nunca”, justifica Iara. Até agora, o casal já percorreu 180.160km, visitou 24 estados e catalogou 832 projetos.
A sensação de não contribuir com algo concreto para o mundo os incomodava. Manter as contas em dia, a casa limpa e as roupas lavadas os entorpecia: o que é felicidade? O que fazer para proporcionar felicidade aos que estão por perto? No site oficial do projeto Caçadores de Bons Exemplos, os dois dão a resposta: “Conhecendo e convivendo com pessoas que pararam de olhar para o próprio umbigo e pensam no coletivo”.

Ninguém entendeu a proposta de início. “Como poderíamos vender tudo o que tínhamos e viver na estrada?”. A viagem começou por Minas Gerais. A ideia é passar por todos os estados brasileiros para, depois, seguir para o exterior. O objetivo é juntar tudo em um livro, que será distribuído gratuitamente em escolas públicas brasileiras. “Enquanto isso, vamos distribuindo todas essas informações no site e nas redes sociais.”
Quem aponta os bons exemplos são os moradores das cidades que o casal visita. Uma vez no destino, os dois se guiam pelas indicações dos nativos até encontrar um ou mais projetos que incentivem boas ações. De vez em quando, conseguem pouso em casas de famílias. Na maioria das vezes, dormem em uma barraca automotiva montada no teto do carro. Não há rotinas. Hoje, os dois se consideram mais felizes do que quando tinham endereço fixo. Além da nova visão de mundo, desprovida de tanto consumismo, eles contam que aprenderam a viver um dia de cada vez. “Simplesmente vivemos e encontramos a felicidade em pequenas coisas e nos momentos”, filosofa Iara.

 

 

 

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ENTREVISTA // Gustavo Dauster

Mudança na xícara de café

Ele teve uma vida privilegiada. Filho de diplomatas, morou em diversos países. Teve acesso às mais “requintadas experiências culturais”, como define. Visitas a museus, galerias de arte e catedrais, além do gosto por comidas finas e, mais tarde, bebidas requintadas fizeram parte de sua educação desde sempre. Em suma: seu futuro estava garantido pela família abastada. Mas ele não se sentia completo. Gustavo chegou a começar o curso de engenharia química na conceituada Brown University, nos EUA. Desistiu. Voltou para o Brasil e ingressou na UnB. Lá, uma colega, que via o futuro das pessoas em borras de café, disse logo de cara: não é aqui o seu lugar. Anos mais tarde, Gustavo — hoje, Giridhari Dasa — tornou-se Hare Krishna. Aproximou-se de Sriman Mahavira Prabhu, conhecido membro do movimento desde os anos 1970, e vive uma vida de entregas, orações e felicidade.

Qual seria o seu conceito de felicidade?
Felicidade é estado de leveza, de não lamentação, de alegria profunda, de realização. É o experimentar da bem-aventurança transcendental. Na verdade, ficamos verdadeiramente felizes quando fazemos os outros felizes, principalmente quando podemos satisfazer o Senhor Supremo.

Quais foram os momentos mais marcantes até agora?
A vida espiritual dedicada traz uma série de momentos marcantes. Cada novo progresso em consciência superior nos traz felicidade. Cada nova turnê, novo artigo ou palestra que criamos, cada projeto terminado (como a gravação dos livros em áudio) trazem enorme bem-estar.

Você se considera mais feliz hoje do que era antes? Por quê?
Sim. Somos seres transcendentais e só a transcendência nos traz verdadeiro prazer. Por isso que temos relatos de pessoas em todas as partes do mundo, em toda a história da humanidade, expressando a importância suprema de uma vida espiritual, de devoção a Deus, da meditação etc.

Conseguiu encontrar respostas para os questionamentos internos?
Encontramos respostas a tudo no caminho da consciência de Krishna. Isso não significa que atingimos a perfeição, mas o conhecimento pleno se manifesta rapidamente. Tudo fica muito claro quando temos acesso ao conhecimento perfeito de Bhagavad-gita e Srimad Bhagavatam, e quando colocamos em prática o estilo de vida apropriado para nos preparar física e mentalmente para receber o conhecimento.

O que impede que alguém corra atrás de um sonho para ser feliz?
Depende do sonho. Tem uns sonhos que são pesadelos e é melhor  não correr atrás deles. Tem outros que são meras ilusões e não vão trazer verdadeira felicidade. Então, antes de saber o que está nos impedindo de alcançar nosso sonho, temos que considerar quem somos, onde estamos, para, então, concluir o que será o melhor para nós. Daí para a frente, temos que ter uma boa estratégia, um caminho ou um método claro, e muita firmeza e determinação. 


O que te faz feliz?
Veja alguns aspectos que podem deixar a vida mais cor-de-rosa, de acordo com o estudo de Harvard:

» Habilidade de formar bons relacionamentos com outras pessoas.
“É a aptidão social, e não o brilhantismo intelectual ou a classe social dos pais, que leva ao envelhecimento bem-sucedido”, aponta o Dr. George Vaillant (coordenador da pesquisa por mais de 40 anos).
» Não abusar do álcool
» Conseguir uma boa educação
» Ter um relacionamento estável
» Não fumar
» Praticar exercícios
» Manter o peso corporal saudável


Na internet
» www.caseiecompreiumabicicleta.com
» www.gluckproject.com.br
» www.cacadoresdebonsexemplos.com.br
» www.worlddatabaseofhappiness.eur.nl
» www.eumaior.com.br

 

 

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