Cia. Setebelos encara uma maratona de apresentações durante o carnaval

Após sete anos de estrada e muita gargalhada pelos palcos de Brasília e do país, a companhia se apresenta desta sexta-feira (8/2) a terça-feira (12/2)

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postado em 08/02/2013 08:09 / atualizado em 08/02/2013 08:19

Janine Moraes/CB/D.A Press

Quando cruzavam uns com os outros, nos corredores da escola, os integrantes da Cia. de Comédia Setebelos não poderiam imaginar que o riso acabaria por atar seus destinos, anos depois. Foi numa oficina de teatro que eles se reencontraram, mapearam quem criava cenas de humor e decidiram propor um quadro juntos. A brincadeira caiu no gosto de quem viu e começou a torcida para que os meninos escrevessem uma peça juntos. Desde a estreia do primeiro espetáculo, Cinta-liga da justiça, já se vão 7 anos de sucesso e gargalhadas. Atualmente, o sexteto integra o restrito grupo de companhias locais com repertório variado e forte o bastante para realizar um festival de carnaval.


De hoje a terça-feira, sempre às 20h, o Teatro dos Bancários será cenário de um rodízio de produções do Setebelos. Nesta sexta-feira, a programação começa com Stand up ao quadrado, com dois integrantes (Daniel Villas-Bôas e Saulo Pinheiro) sustentando o formato enxuto que caracteriza o gênero: microfone na mão, banquinho e uma sucessão de piadas. Amanhã, é a vez da A fabulosa comédia, uma releitura inusitada dos contos da carochinha. O fim de semana se encerra com Terror — a comédia, que se apropria das histórias mais assustadoras para fazer graça.

A maratona segue carnaval adentro com Qual o seu pedido — a comédia do improviso, especial de carnaval, montagem de improviso baseada na técnica do teatro-esporte. Tudo o que a plateia pede é executado no ato. Por fim, a temporada momesca se encerra com a mais recente criação dos atores: a peça Amor de Ahh a Zzz, um passeio por todas as fases de uma relação amorosa. “Para nós é uma delícia revisitar essas peças, especialmente porque algumas só fazemos nessa ocasião”, destaca Paulo Mansur. “Sem contar que está tudo lá: do teatro de comédia ao stand up, passando por esquetes e pelo espetáculo de improviso”, reforça Lucas Moll.

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Escolha
Antes de dedicar-se exclusivamente ao teatro, os atores estudavam direito, publicidade, filosofia, jornalismo, design gráfico. Os encontros eram marcados para as madrugadas, único horário possível para todos. A partir do terceiro espetáculo, no entanto, o êxito ganhou proporções inimagináveis e foi preciso tomar a decisão que a trupe considera, até hoje, a mais difícil que já surgiu. “Antes, o teatro se adaptava à faculdade. Desde então, a faculdade passou a se adaptar ao teatro. Escolhemos viver de arte”, conta Villas-Bôas.

Quando decidiram transformar a paixão em ofício, eles não optaram pelo caminho acadêmico (dois comediantes chegaram a cursar artes cênicas na Universidade de Brasília (UnB). Decidiram focar nas habilidades teatrais que mais os interessavam e se cercaram dos que consideram os melhores em cada ramo: para burilar os talentos de mímica, fizeram aulas particulares com Miqueias Paz. Hugo Rodas trouxe a noção de palco, de espetáculos com grandes elencos. Irmãos Guimarães, Adriana Lodi, Ricardo Blat, o palhaço argentino Chacovachi, entre outros, fazem parte do rol de mestres que os ensinaram a dominar os tablados.

Depois de passar pelo improviso, pelas esquetes e por teatro de comédia, os integrantes da companhia decidiram enveredar pelo stand up. Criaram o projeto Setebelos Convida, que traz, semanalmente, um nome consagrado nacionalmente para compartilhar o palco com eles. A badalação em torno dessas noitadas, realizadas no Bar do Ferreira do shopping Pier 21, às terça-feiras, forçaram a ampliação do projeto. Agora, às segundas, é a vez do público do Bar do Ferreira no Shopping Quê, em Águas Claras, estar diante de mestres do gênero. Victor Sarro, comediante dos programas globais Encontro e Esquenta, e Marcos Zenni, do programa Amigo da onça, estão escalados para as próximas edições.

Ingredientes


Ao mesmo tempo em que se assemelham a outros grupos na intenção de fazer rir, eles têm marcas próprias. O grupo ambiciona criar, em cena, uma atmosfera mágica, dinâmica, com recursos de luz e som caprichados. Terror, por exemplo, usou o artifício do som 3D surround para envolver a plateia. “Algumas produções são quase videoclipes”, conta Villas-Bôas. Outro fator que ganha atenção é a reconstrução de personagens. “Nosso Drácula é diferente de todos que estão por aí”, asseguram. Na busca por um teatro físico e vigoroso, eles ainda pesquisam soluções simples para reproduzir, no palco, efeitos cinematográficos complexos.

“A brincadeira virou nosso trabalho. Hoje somos uma empresa com funcionários”, dizem, em coro. Enquanto um se diz empresário do ramo do entretenimento, o outro se considera um vagabundo que faz as pessoas rirem. A estrutura é de empresa, mas o clima é de descontração e intimidade. Na hora de criar, eles promovem uma espécie de brainstorming. “Vamos falando tudo e um vai melhorando as piadas dos outros”, conta Daniel Lima. Mesmo depois que acaba o horário de trabalho, os “belos” não se desgrudam: três integrantes moram juntos, todos viajam na companhia uns dos outros e, invariavelmente, combinam cinemas e madrugadas diante da TV, vendo as lutas do UFC.

“No Brasil e no mundo, o momento é da comédia. Emissoras de televisão estão disputando os comediantes. As pessoas querem ir ao teatro pra rir e aqui em Brasília, cada vez mais, essa opção é considerada um bom programa”, acredita Villas-Bôas. Os responsáveis por este caminho aberto, garantem em uníssono, são os integrantes da companhia Os Melhores do Mundo. “Eles desbravaram, capinaram e cimentaram a estrada pra gente passar. Mostraram que é possível ter sucesso com um grupo de comédia”, reconhece Villas-Bôas. Se a trilha de consagração percorrida pelos ídolos se repetirá no caso deles, ninguém poderá dizer. Mas o presente da Cia de Comédia Setebelos, este sim, é próspero.


750
Panfletos foram impressos para a primeira temporada

20 mil
Panfletos são impressos por semana


Na terra da garoa
Depois de dois meses em cartaz no Teatro Folha, com a peça Terror — a comédia, a companhia está de malas feitas para voltar a São Paulo. Em março e abril, eles farão temporada na cidade, com dois espetáculos diferentes: enquanto a peça mais recente, Amor de Ahh a Zzz, será encenada no mesmo Teatro Folha, a produção Stand up ao quadrado ocupará o Teatro Renaissance. “É necessário pegar o know how, ter jogo de cintura. Uma piada que funciona aqui pode não funcionar ali, e vice-versa. Vamos aprendendo a usar o público em nosso favor”, conta Villas-Bôas.


4º Festival Setebelos de Carnaval
De hoje a terça-feira, às 20h, no Teatro dos Bancários ( EQS 314/315; 3262-9090). Hoje: Stand up ao quadrado. Amanhã: A fabulosa comédia. Domingo: Terror - A comédia. Segunda: Qual o seu pedido? - A comédia do improviso - Especial de carnaval . Terça: Amor de Ahh a Zzz. Ingressos a R$ 50 e R$ 25. Não recomendado para menores de 14 anos.

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