Marchinhas clássicas estão de volta em CDs de Fafá de Belém e Mart'nália

O de Fafá é bem pernambucano; o de Mart nália, carioca da gema, mas os dois têm algo em comum: investem na tradição

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postado em 11/02/2013 07:06 / atualizado em 11/02/2013 11:15

João Wainer/Divulgação

 Marcio de Souza/Rede Globo/Divulgação

Há pelo menos duas décadas, a produção baiana tem imperado absoluta no que diz respeito a música de carnaval — aliás, amparados em estrelas como Ivete Sangalo e Claudia Leitte, axé e ramificações extrapolam os dias de Momo e tocam o ano todo. De vez em quando, porém, surgem lançamentos carnavalescos off Bahia que fazem frente ao grito de guerra “tira o pé de chão”. Afinal, quem disse que não é possível fazer isso (tirar o pé do chão) ao som de frevos e marchinhas?


Para provar, estão aí o EP Fafá, frevo e folia — Coração pernambucano, de Fafá de Belém, e a antologia de marchinhas Carnavalança, que traz Mart’nália à frente de um time de convidados especiais — entre os quais Chico Buarque, Maria Rita, Luiz Melodia e Martinho da Vila. O de Fafá é bem pernambucano; o de Mart’nália, carioca da gema, mas os dois têm algo em comum: investem na tradição.

Desde 1986, a paraense Fafá de Belém alimenta um chamego com Pernambuco. Nos últimos anos, pôde ser vista desfilando no Trio Oficial do Galo da Madrugada, “procissão profana onde o sagrado está presente na devoção dos seus foliões”, na definição dela. O disco é, para a cantora, uma maneira de retribuir o carinho recebido. Fafá, frevo e folia foi gravado em Recife, em dezembro do ano passado, sob produção do músico Zé da Flauta e a companhia de músicos pernambucanos,

A artista paraense já cantou de tudo na vida — de romântico a lambada; de música de boi ao Hino Nacional — e, a despeito das críticas, sempre mandou bem o recado. E não faz diferente com o frevo neste disco de cinco faixas, que começa com a clássica Voltei Recife (Luiz Bandeira). “Sou uma mulher brasileira que gosta de cantar, nascida na Amazônia e que ama este povo, sua cultura. Sou uma mulher de fé e alegria, a cada ano mais devota e honrada fico”, exaltou a cantora no lançamento oficial do EP, em 25 de janeiro, na sede do Galo — único lugar onde o disco pode ser comprado, o que torna recomendável, portanto, encomendá-lo a algum amigo que esteja na capital pernambucana nesses dias de folia.

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Todo mundo canta

Carnavalança foi produzido por iniciativa da autora e ilustradora carioca Mirna Brasil Portella, que um dia quis comemorar o aniversário de um ano do filho embalado por marchinhas e não encontrou um CD sequer do gênero. Teve então a ideia de fazer um livro ilustrado e um disco com essas músicas. Realizou o primeiro projeto. “Mas eu queria o CD, afinal, um livro com letra de música sem CD perde a graça. Imaginava um Arca de Noé do carnaval”, ela conta. Por meio de um amigo, Mirna chegou à Biscoito Fino, onde conheceu Martinho Filho, que chamou as irmãs Mart’nália e Maíra.

Mart’nália produziu Carnavalança em parceria com o irmão. Maíra, pianista de formação clássica, se encarregou de criar os arranjos. As duas também aparecem como principais intérpretes. A primeira usa todo o seu carisma e malandragem ao interpretar músicas como A.E.I.O.U., Saca-rolha, Turma do funil, Mulata iê-iê-iê…. A segunda não fica atrás, é bem graciosa nas faixas que lhe cabem (História do Brasil, Marcha do grande galo, Maria sapatão…). As irmãs atuam como mestres de cerimônia para os muitos convidados.

Chico Buarque cantou As pastorinhas; Maria Rita, Máscara negra e Bandeira branca; Luiz Melodia, Touradas de Madri; Martinho da Vila entoou Cidade maravilhosa. Também entraram no projeto Paula Lima (Jardineira), Evandro Mesquita (Mulata iê-iê-iê) e Moyseis Marques (Balancê). Todos convidados por Mart’nália. “Fomos escolhendo as músicas de acordo com a onda de cada convidado”, diz a produtora, que elogia os arranjos feitos pela irmã, “lindos e muito criativos”.

O repertório, como se vê, é só de marchinhas que a gente até acha que já nasceu cantando. A lista de autores inclui mestres como Lamartine Babo, Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, João de Barro, Mário Lago e João Roberto Kelly. São tantas as pérolas do gênero que resistem ao tempo, que a maioria das faixas é de pot-pourris. E ainda tem um animado coro de crianças que dá a Carnavalança um ar lúdico de disco infantil (mas para todas as idades). Mirna ficou feliz com o resultado: “Tive muita sorte em encontrar esse time de bamba que produziu o CD. Eles fizeram um trabalho lindo, reinventaram, deram um sopro de novidade”. Dona da ideia, ela é suspeita ao opinar, mas quem ouvir Carnavalança há de lhe dar toda razão.

Ê, pessoal, ê, moçada!
Na sequência do repertório, Fafá passa pelas menos conhecidas Sabe lá o que é isso (João Santiago), De chapéu de sol aberto (Capiba) e Sedução (também de Luiz Bandeira) e fecha com chave de ouro com o Hino do Galo (Mário Chaves). Essa última, mesmo quem não foi a Recife, mas já acompanhou o Galinho de Brasília ou o Suvaco da Asa, sabe de cor: “Ê, pessoal, ê, moçada, o carnaval começa no
Galo da Madrugada”.

Marra Comunicação/Divulgação

FAFÁ, FREVO E FOLIA — CORAÇÃO PERNAMBUCANO

EP de Fafá de Belém. Cinco faixas produzidas por Zé da Flauta. À venda apenas na sede do Galo da Madrugada, na Rua da Concórdia, em Recife. Preço: R$ 5.
Biscoito Fino/Divulgação

CARNAVALANÇA
Disco com Mart’nália, Maíra Freitas e convidados. Dezessete faixas, produzidas por Mart’nália e Martinho Filho. Lançamento Biscoito Fino. Preço médio: R$ 35.

» Alguns clássicos incluídos em Carnavalança

-Cidade maravilhosa (André Filho)
-Touradas em Madri (Alberto Ribeiro e João de Barro)
-Mamãe eu quero (Jararaca e Vicente Paiva)
-Índio quer apito (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira)
-Pirata da perna de pau (João de Barro)
-Pierto apaixonado (Heitor dos Prazeres e Noel Rosa)
-Tá hi (Joubert de Carvalho)
-Aurora (Mário Lago e Roberto Riberti)
-Allah-la-ô (Haroldo Lobo e Nássara)
-Marcha do remador (Se a canoa não virar) (Antonio Almeida e Oldemar Magalhães)

 

Ouça Voltei Recife, com Fafá de Belém:

 

 

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