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Correio Braziliense

Trabalho sempre conectado

Além de facilitar a comunicação no dia a dia, as redes sociais e de mensagens instantâneas têm presença consolidada no mercado de trabalho. Profissionais devem respeitar esses espaços e evitar informalidade


postado em 08/11/2018 05:00 / atualizado em 07/11/2018 23:13

Funcionários de hospital no DF buscam equilíbrio em grupos de mensagem: sem constrangimentos(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Funcionários de hospital no DF buscam equilíbrio em grupos de mensagem: sem constrangimentos (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A comunicação nas empresas mudou. O tradicional mural de avisos e as reuniões ainda existem, mas, muitas vezes, ficam em segundo plano. Hoje, por exemplo, dificilmente um profissional fará parte de uma empresa que não tenha um grupo no WhatsApp entre os funcionários. Aplicativos de mensagens instantâneas como esse tornam a comunicação rápida, dinâmica e ampla, entre uma organização ou algum setor específico dela. Mas, como toda novidade, exige cuidados.
 
Se, por um lado, esses meios digitais facilitam muitos processos dentro das empresas, por outro, ainda são vistos por muitas pessoas como um ambiente descontraído e sem regras. No entanto, gerenciar as redes sociais do trabalho com profissionalismo não é tão simples quanto mandar uma mensagem para os amigos.
 
“A gente acha que regras de etiqueta, por exemplo, são ultrapassadas, mas não são. Elas são extremamente importantes para que se mantenha um bom ambiente virtual. Não é porque o seu grupo de trabalho está no WhatsApp que você vai mandar mensagem às 5h. Não podemos usar essa ferramenta de trabalho como se estivéssemos utilizando com nossos amigos, com correntes, conteúdos que não são relacionados àquele ambiente e bom dia com florzinha, por exemplo”, explica Débora Barem, especialista em gestão de pessoas e professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB).

Profissionalismo


Apesar de não existir uma receita de bolo para o sucesso da comunicação virtual entre chefes e funcionários, Débora acredita que é essencial ter um planejamento já na criação dos grupos empresariais. Em algumas empresas, esse espaço pode ser mais informal, até para facilitar o entrosamento pessoal dos membros do grupo. Para outras, o ideal é que ali não se trate de assuntos sem relação com a organização. O importante é que a função das redes sociais seja explicada pelos gestores.
 
“O gerente precisa deixar muito claro, já na hora de criar o mecanismo, que existem regras. Caso aconteça algo que ultrapasse essas determinações, ele vai e conversa com a equipe. O ambiente virtual não é para trazer amarras, mas temos que evitar assuntos que tragam certo constrangimento”, aconselha a especialista.
 
É assim, sem amarras, que funciona a rede social no serviço de Múcio Marinho, 40 anos, que criou um grupo no WhatsApp para ampliar a comunicação com os funcionários do Hospital de Olhos Santa Lúcia. Criada há cerca de um ano, a ferramenta on-line reúne chefia e funcionários em uma “informalidade profissional”.
 
Sem ser muito fechado aos assuntos de fora da empresa nem totalmente aberto a qualquer tipo de conteúdo, o grupo funciona para todos. “É uma experiência nova, ainda estamos descobrindo resultados. Apesar de publicarmos memes, por exemplo, temos muitas informações referentes ao trabalho”, conta o gestor de recursos humanos.
 
A agilidade dos contatos via aplicativos acaba sendo um dos principais benefícios dessa inclusão das redes no mercado. “Como as mensagens são instantâneas, se uma máquina de exames quebra, por exemplo, o funcionário que a opera já avisa isso pelo grupo, manda uma foto, informa o chefe, e os superiores podem encaminhar esse erro para a empresa responsável pelo reparo, em questão de minutos”, exemplifica Múcio.
 
 
 

Porta de entrada


Além de serem boas ferramentas para quem está no mercado, as redes sociais podem auxiliar na procura por emprego. Redes de negócios virtuais e plataformas que cadastram currículos são usadas por muitos profissionais de recursos humanos na hora de buscar candidatos às vagas disponíveis. Até as redes sociais podem ser avaliadas.
 
Beatriz Nóbrega, graduada em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), dá dicas: “Antes de a organização contratar alguém é feita uma checagem de forma ampla nas redes sociais. Não vou dizer que existe certo ou errado, mas devemos construir o perfil de maneira adequada, da forma como queremos ser vistos. Aquilo que você declara nas redes sociais é aquilo que você é”.
 

Evite excessos

 
A facilidade em compartilhar informações pode causar constrangimentos ou mal-entendidos. A publicitária Wanessa Sardinha, 23 anos, passou por uma situação como essa. “Eu estava conversando com um outro funcionário sobre um trabalho em específico, mas ele não entendeu muito bem o que eu tinha dito, disse que eu não tinha falado claramente e ficou um ‘disse me disse’. Nosso chefe nos chamou para conversar em uma reunião e vimos onde estava o erro de comunicação”, lembra. Essa é justamente a solução proposta por Débora Barem: “Caso aconteça uma falha na comunicação, o gerente sempre tem condição de chamar as pessoas e esclarecer o caso com todos presentes, fora do ambiente virtual”. 
 

De olho 


Confira os cuidados necessários com o comportamento nas redes sociais:

l Evitar todas as publicações que “sua mãe não teria orgulho de compartilhar”, como imagens e palavras que depõem contra você;

l Lembrar que toda mensagem pode ser mal-interpretada e avaliar muito antes de enviar imagens, áudios e vídeos no grupo de trabalho;

l Evitar tomar posturas extremistas;

l Postar conteúdos relevantes e inteligentes;

l Cultivar a rede de relacionamento e gerar interesse pelo seu perfil.

Fonte: Beatriz Nóbrega

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