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Correio Braziliense

Big Data é a tecnologia do futuro que já impacta os negócios no presente

Profissionais capazes de trabalhar com Big Data são cada vez mais procurados. O volume de dados com que empresas precisam lidar diariamente exige mão de obra qualificada


postado em 08/08/2019 12:25 / atualizado em 08/08/2019 14:56

Marcelo Aquino, sócio da KPMG:
Marcelo Aquino, sócio da KPMG: "Buscamos profissionais não só com características comportamentais, mas que também ajudem na análise de dados dos nossos clientes" (foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)
Em um mundo tecnológico, onde compras e contratos demandam o cadastro de clientes, a organização dessas informações pode ser uma mina de ouro para empresas. Por isso, profissionais capazes de trabalhar com Big Data são cada vez mais procurados. O termo em inglês refere-se ao conjunto de tecnologias de processamento e armazenamento de dados com técnicas de inteligência artificial que permitem a automatização de análises e a tomada de decisão em tempo real.

 

Esse processo pode ser observado, por exemplo, em sistemas de GPS, com aplicativos que oferecem ao usuário sugestões de melhores rotas, cálculo de distância e alertas sobre acidentes de trânsito. No mundo empresarial, auxilia companhias a conhecer melhor os clientes e a identificar grandes oportunidades de negócio, como explica o professor Rodrigo Togneri, do MBA Executivo em Business Analytics e Big Data da Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

De acordo com ele, entre 2016 e 2018, as organizações investiram em infraestrutura, comprando máquinas, principalmente. “Nesse momento, a maioria já tem a parte básica e fundamental pronta. A partir de 2019, mais resultados vão começar a aparecer”, avalia. Ele lembra, no entanto, que ainda há obstáculos para desenvolver o setor, especialmente quanto à segurança da informação. “Conseguir organizar tudo da maneira correta, dando abertura somente àqueles que podem, ainda é um desafio. Quando se fala em empresas muito grandes, é difícil saber quem pode acessar o quê.”

 

A dificuldade de encontrar mão de obra especializada é outro desafio. “Existem poucos profissionais capacitados e eles estão inflacionados, porque são os únicos”, relata Togneri. “É difícil conseguir pessoal no nível necessário e, então, são contratadas pessoas que ainda não estão tão maduras, o que faz com que todo o processo tecnológico demore mais para acontecer.”

 

Segundo ele, para trabalhar na área, é preciso entender de matemática, estatística e computação, mas o professor afirma que, quem for disposto e resiliente, em torno de dois anos, e com muito estudo, pode ganhar autonomia. Togneri destaca três profissões aptas a lidar com o setor: cientistas de dados, engenheiros de dados e arquitetos de Big Data (veja quadro). “Hoje, praticamente não existem graduações focadas nisso. Você tem os cursos separados: matemática, estatística, computação, engenharia, mas, quando a gente fala de Big Data, é tudo isso junto”, ressalta.

 

Para quem quer se especializar na área, restam as pós-graduações, mestrados, MBAs e cursos on-line sobre tecnologias específicas. “A pessoa acaba estudando de maneira mais autônoma. É legal, porque é mais flexível”, pondera.


Mercado

A cada dia, o mercado precisa de mais pessoas com capacidade analítica, como afirma Marcelo Aquino, sócio da KPMG, empresa de auditoria e consultoria. “Em função dos processos de informação digital, novas tecnologias e disrupção de modelos de negócio, buscamos profissionais não só com características comportamentais, mas que também ajudem na análise de dados dos nossos clientes.”

 

Há pelo menos 10 anos, a empresa trabalha com a área e, há dois, deu início a uma plataforma para avaliação e tratamento. “Nós fazemos estruturação para fornecer informações mais qualitativas e preditivas a quem nos contrata”, explica Aquino. “Baseado nisso, ajudamos os clientes a tomarem decisões mais assertivas. Quem tem dados, tem informações de mais valor.”

 

De acordo com ele, é possível observar melhorias na performance. Mais de 100 profissionais recebem informações das empresas contratantes e são responsáveis pela compilação dos dados. A maior parte deles é de jovens com menos de 30 anos. “Eles se adaptam com facilidade às tecnologias”, analisa o profissional. Sem hesitar, garante: não há como as empresas fugirem de Big Data nas próximas décadas.

 

“Temos sempre que ter um conhecimento aliado à tecnologia. As transformações de modelos de negócio serão brutais e precisamos estar preparados”, avalia. “Não sei, por exemplo, se a gente vai ter auditoria no futuro. Todo mundo tem que reagir. Não adianta querer negar, é hora de pensar em como melhorar o mundo com as tecnologias que vêm surgindo.”

 

Para saber mais 

Os três Vs do Big Data

  • Volume » Para ser Big Data, é necessário que muitos dados sejam produzidos
  • Velocidade » Esses dados precisam ser analisados de forma muito rápida
  • Variedade » A análise deve englobar muitos tipos diferentes de informações e arquivos (fotos, vídeos, textos, figuras, música etc.)

Fonte: Márcio Bezerra da Silva 

 

Tendência nos próximos anos

Com a evolução da capacidade operacional a partir do Big Data, muito poderá ser transformado no dia a dia das pessoas. O professor da Faculdade de Ciências da Informação da Universidade de Brasília (UnB) Márcio Bezerra da Silva explica que há demanda na área para, pelo menos, mais 20 anos. “Existe a internet das coisas, que tenta que tudo esteja conectado, analisando dados e tomando decisões. Um robô, por exemplo, aprenderia a hora de dar comida para o cachorro”, afirma.

 

Ainda há, no entanto, um longo caminho a se percorrer. “Há empresas trabalhando com isso, mas, até chegar ao público, ainda está muito longe e é caro. Juntando automação residencial e empresarial com Big Data, é possível montar uma casa inteligente, que toma decisões por você: sabe a hora de descongelar a carne, abrir o portão e muito mais”, elenca Silva.

 

O professor reconhece que a área é complexa — envolve tanto o que está organizado quanto o que está solto, isto é, tudo o que é publicado e compartilhado em redes sociais. “Um grande problema é a veracidade. Existe muita produção de informações falsas em vários lugares. O Big Data, hoje, tenta encontrar fontes seguras e, para isso, precisamos da ajuda de outras disciplinas, como o direito.”

 

Empresas de informática estão de olho no assunto. É o caso da norte-americana IBM. O líder técnico de Vendas de Data para a filial na América Latina, Samir Nassif Palma, afirma que organizações atentas a isso levam inovação à indústria. “Dados estruturados, aqueles tabulados, representam apenas 20% de todo o domínio existente. Nos últimos 20 anos, chegou a vez dos 80% restantes, os gerados na troca entre pessoas, máquinas e organizações.”

 

Ele explica que a quantidade de informação gerada na web pela população mundial dobra a cada 18 meses. “Aproveitar a oportunidade apresentada por esse crescente universo será o diferencial competitivo de nosso tempo.” Entre os resultados observados estão mitigação de riscos, incertezas e subjetividade. “Decisões orientadas são mais seguras e menos questionadas. Uma vez que parte do domínio não era tratada no passado, novos dados permitiram transformações que se traduzem em eficiência operacional, redução de perdas, otimização de processos, incremento de receita e melhora na satisfação de clientes.” 

Profissões em alta

Entenda o que fazem os profissionais envolvidos com Big Data:

  • Cientista de dados » Tem amplo conhecimento em técnicas de inteligência artificial e negócios
  • Engenheiro de dados » Trabalha com a automação dos processos inteligentes no ambiente de Big Data
  • Arquiteto de Big Data » Escolhe as tecnologias que permitem que a engenharia funcione
Fonte: FGV 


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