
A primeira região em que Juscelino Kubitschek pisou quando veio a Brasília. Uma área verde preservada como nos anos 1960 e com muito ar puro. Tudo isso no Park Way, bem perto do Plano Piloto. O Brasília Country Club (BBC) faz parte do nascimento da utópica capital da República. Desde que foi inaugurado, em 26 de abril de 1958, o BCC, como também é chamado, mantém a proposta de oferecer lazer e qualidade de vida aos frequentadores. Com área aproximada de 184 hectares, o equivalente a 257 campos de futebol, era um dos locais mais visitados pelos primeiros moradores da capital.
José Augusto Ribeiro, vice-presidente do Country, se orgulha do clube que ajuda a administrar. “O Club é uma extensão da minha vida. Os momentos mais felizes que passei foram nele, com os amigos e família”. Em cada metro quadrado, as plantas, o colorido das flores e os registros históricos emocionam quem visita o local.
Os momentos marcantes estão gravados nas paredes da Casa Velha, antiga sede da Fazenda do Gama, transformada em museu. Além disso, outra marca registrada do clube é a hípica. Desde a fundação, o Country se tornou referência no hipismo e é escola de grandes atletas, como o associado Sérgio Oliva, medalhista da Seleção Brasileira nos Jogos Paralímpicos.

A estrutura das pistas de treinamento é o atrativo para os sócios. O empresário Victor Ramos, 35 anos, é diretor da hípica do Country Club. Ele pratica a modalidade há 11 anos, e tudo começou por influência dos pais. “Seja em qualquer lugar, o hipismo se diferencia do futebol e do tênis, por exemplo. Porque você tem que ter o animal para praticar. É um esporte que depende da sintonia dos dois para ter sucesso”, afirma.

O clube oferece duas categorias para os mais de 70 praticantes: o adestramento e o salto. O primeiro costuma ser a base inicial, pois será onde o aluno trabalhará a postura corporal e a mecânica dos exercícios. A prova de saltos demonstra algumas qualidades do cavalo, como força, potência, obediência, velocidade e respeito aos obstáculos. Para colocar a atividade em prática, cinco pistas de treinamento ficam à disposição dos sócios. Uma delas ganhou o nome de Israel Pinheiro, em homenagem a uma das autoridades responsáveis pela construção de Brasília. Ela também foi a primeira pista de salto construída na capital (26 de abril de 1986), e é palco de importantes campeonatos.

Desde 1993, Roberta Alfinito, 37, empresária, encontrou no hipismo a possibilidade de melhorar a qualidade de vida. “Depois que comecei a andar de cavalo, aprendi a ter mais disciplina, respeito aos animais e, principalmente, dedicação e esforço”, conta. O encanto pelo esporte começou no dia em que ela foi convidada para ver a amiga competir em uma prova de hipismo. De lá para cá, ela acumula medalhas de campeonatos nacionais e internacionais, e deixa o legado para os filhos, Eduardo Alfinito, 4, e Maria Clara, 2. “Falo para eles sobre o que aprendi no hipismo e me alegro quando os vejo querendo montar. Os olhos deles brilham. Meu filho sempre fala para mim: ‘Mamãe, vou ganhar troféu.’ Isso me enche de orgulho”, admite.
Ambiente de paz
Além do esporte, outro motivo que faz o brasiliense sair de casa e ir a um clube é a procura por tranquilidade. E não há nada mais relaxante do que estar rodeado de verde em um lugar naturalmente encantador. É nisso que acredita Claudio Leuzinger, 76, aposentado. “Eu era escalador de montanhas antes de vir para Brasília, então sempre fui ambientalista, uma pessoa apaixonada pela natureza. Quando me mudei para a capital, fiquei procurando um lugar com a minha cara e encontrei o Country. Foi amor à primeira vista!”, lembra.
Associado há 39 anos, ele brinca dizendo que “casou com o clube”, de tanto tempo que passa no local. “É um espaço com valores bem familiares, e também é onde encontro trilhas, tenho contato com o meio ambiente e me sinto bem”, diz. Nos pontos mais afastados dos caminhos que cortam a área de preservação, são frequentes os relatos de aparições de animais como macacos, aves e veados, por exemplo.
A extensa área verde conta com nascentes que deixam um clima úmido e agradável, ideal para quem quer fugir da seca típica do meio do ano no DF. Há quem diga que até a água de lá é diferente. Além de possuir Área de Proteção de Manancial (APM) dentro do espaço, o clube abastece residências das proximidades e se orgulha das piscinas.
Outro motivo de satisfação dos associados está na famosa bica d’água. “A música Água de beber, composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, foi feita nas imediações do Country. O Tom estava com sede e perguntou a um funcionário onde tinha água por lá. O homem respondeu: ‘Tem água de beber ali, camarada!’, apontando para nossa bica em cima do córrego, e assim o músico compôs a canção”, conta Claudio. Tudo isso encanta o associado, que passou vários momentos especiais no espaço do Park Way. “Eu criei meus filhos e netos dentro do clube”, comenta.
Quintal dos sonhos
Bruno Marcelo, 44, é pai de três crianças que podem desfrutar de um quintal de 184 hectares de área. “Nós moramos em um apartamento, mas o Country é uma extensão da nossa casa”, afirma o empresário. Os pequenos, de 5, 7 e 8 anos, se sentem à vontade no segundo lar, principalmente porque lá encontram suas paixões. “O clube tem uma área esportiva muito forte, e meus filhos são parte de times de futebol e hipismo aqui, cada um fazendo o que gosta”, diz. A filha do meio, por exemplo, coleciona participações em competições do esporte a cavalo, que é marca registrada do local.

O pai era associado antes de os filhos nascerem, e acabou sendo um dos responsáveis pela área futebolística. “Lá, nós nos sentimos acolhidos porque encontramos respeito, paz e tranquilidade. E, além dessa natureza fantástica, também é um lugar com uma identidade forte dos esportes, então quem é associado vai crescendo junto com a família ‘countryana’”, afirma.
Para ele, um dia perfeito tem que ter um churrasco e confraternização entre familiares e amigos no clube. É a mesma opinião de Afonso Siqueira, 65, que se associou em 1991. “Meus meninos também cresceram no clube e, até hoje, se relacionam com amigos que fizeram no Country. Hoje, eles não frequentam mais como antes. Mas, acho que quando eles casarem e tiverem meus netos, vão voltar a ir muito”, opina.
Como se associar
Existem duas modalidades de sócios: associado patrimonial e associado contribuinte. O valor mensal para ambos é de R$ 497. Para se associar, basta preencher os dados no endereço bit.ly/formularioclube e aguardar o contato do Brasília Country Club.
Brasília Country Club
Área: 184 mil m²
Associados: 750
Idade: 61 anos
*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira