Eleições 2012

Eleição em BH é "termômetro" de disputa presidencial, para especialista

postado em 06/10/2012 15:46
Belo Horizonte (MG) ; As eleições municipais para a prefeitura de Belo Horizonte terão grande influência para o cenário das eleições presidenciais, na opinião do cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, a existência de ;candidatos virtuais; à Presidência da República envolvidos com a disputa local ;mostra claramente a importância que a cidade tem para o cenário de 2014".

;Sem dúvida, o que está acontecendo aqui em Belo Horizonte já é um termômetro das eleições majoritárias;, disse Reis à Agência Brasil. ;Ainda é difícil mensurar o peso dessa influência, mas é notório que há atores que são claramente candidatos virtuais, como o senador Aécio Neves, por enquanto o candidato mais óbvio, e a presidenta Dilma Rousseff. Isso mostra a importância das eleições municipais para o cenário nacional. Certamente a eleição presidencial também está sendo jogada na municipal;, disse o cientista político.

A presidenta Dilma Rousseff teve uma participação ativa na campanha do petista Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma participou de seu programa eleitoral e, na última quarta-feira, do último comício realizado pelo petista. Já o senador Aécio Neves apoiou de perto o candidato do PSB à prefeitura da capital mineira Marcio Lacerda.

A avaliação do cientista político não é totalmente corroborada por parte dos sete candidatos que concorrem à prefeitura no pleito de domingo (7). ;Dizer que essas eleições estão nacionalizadas é um exagero. Claro que causará reflexos na carreira política dos candidatos e na vida dos partidos. Mas é uma eleição municipal. Por isso não vamos discuti-la no âmbito nacional;, disse o candidato do PSB, Márcio Lacerda.

;Estamos fazendo uma campanha belorizontina. Claro que a cidade tem peso de grande dimensão para a política nacional, mas meu empenho está voltado às soluções necessárias para os problemas da nossa cidade, e 2014 será vivido no momento devido;, disse Patrus Ananias.

Para o professor Fábio Reis, as eleições para a capital mineira tem outra particularidade. ;Aqui, tucanos e petistas são mais próximos do que no resto do país. Nesse cenário, o PSB de Márcio Lacerda tem emergido de forma significativa;, disse.

;O próprio Lacerda foi eleito para a prefeitura com o apoio de parte do PT e do PSDB. Por isso não haverá tantas diferenças caso um ou o outro ganhe. Há um compartilhamento de ideias e de perspectivas sociais comuns aos dois, assim como não há indisposição entre o Aécio e o ex-presidente Lula. Isso para não dizer que há, entre eles, uma certa proximidade;, argumentou o cientista político.

Além de Lacerda e Ananias, participam das eleições municipais outros cinco candidatos: Alfredo Flister (PHS), Maria da Consolação (PSOL), Vanessa Portugal (PSTU), Pedro Paulo Pepê (PCO) e Tadeu Martins (PPL).

;As eleições representam uma oportunidade para que passemos, diretamente à população, informações que nunca são abordadas pela grande mídia, na tentativa de formarmos senso crítico para o embate cotidiano para a luta de classes;, disse à Agência Brasil, o candidato do PCO, Pedro Paulo Pepê. ;A conotação de nossa candidatura é mais ideológica do que eleitoreira, até porque o processo eleitoral já tem as cartas marcadas, na qual a imprensa burguesa, sob domínio das grandes oligarquias, propagandeia determinadas candidaturas;, acrescentou.

Para a candidata do PSTU, Vanessa Portugal, o objetivo maior da campanha ;é discutir um projeto; para a cidade. ;O problema aqui em BH é que parte das outras candidaturas apresentam um mesmo projeto: redução do Estado, no que se refere ao atendimento das necessidades básicas da população, e transferência desses recursos, em grande escala, para a iniciativa privada, por meio de terceirizações;, argumentou a candidata.

O candidato do PHS, Alfredo Flister defende um ;enxugamento da máquina pública;. ;A máquina já está inchada e precisa ser enxugada. Pelo menos 50% dos cargos de confiança precisam ser eliminados para que a prefeitura tenha mais caixa;, disse Flister que defende que os cargos públicos sejam ocupados exclusivamente por servidores concursados.

Já a candidata pelo PSOL, Maria da Consolação denuncia desperdício de dinheiro público com obras paradas e defende o financiamento público de campanha, um dos pontos da chamada reforma política, ainda sem aprovação no Congresso. ;É por aí [obras paradas] que grande parte da receita da prefeitura de BH é desperdiçada;, disse à Agência Brasil. ;Também aproveitamos a campanha para manifestarmos nossa posição a favor do financiamento público de campanha;, disse. ;Este [obras paradas] é o início do problema. No final, somos nós que vamos pagar as contas mesmo, já que as campanhas acabam sendo financiadas pelo dinheiro público;, acrescentou.

O candidato Tadeu Martins (PPL) tem como bandeira a criação de um ;parlamento metropolitano; que seria uma espécie de órgão legislativo local reunindo 34 municípios. ;Aproveitamos essas eleições para apresentar uma proposta de integrar, por meio da criação de um parlamento metropolitano, toda a região metropolitana de Belo Horizonte;, disse o candidato Tadeu Martins (PPL). ;Nossa campanha foi uma oportunidade para apresentarmos diretamente ao eleitorado a ideia de criar esse parlamento que, a princípio, seria composto por um vereador de cada cidade;, completou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação