postado em 28/08/2010 07:00
Salvador ; A visita da presidenciável petista Dilma Rousseff à capital baiana aprofundou a crise entre o PT e o PMDB no estado. A disputa que travam os candidatos a governador Jaques Wagner (PT), que busca a reeleição, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) tornou política uma questão judicial da prefeitura de Salvador.Durante a semana, a administração municipal cumpriu ordem da Justiça e mandou demolir 349 barracas de praia que estavam na orla da capital por terem sido construídas em terreno da Marinha. Geddel lamentou, dizendo que a ação das retroescavadeiras atingiu em cheio a sua candidatura. Isso porque o prefeito de Salvador, João Henrique, também é do PMDB. Wagner tentou apaziguar a situação pedindo intervenção do presidente Lula, mas não perdeu a chance de capitalizar politicamente o fato. ;A Bahia chora hoje a falta de diálogo. Precisamos encontrar uma solução para os barraqueiros mantendo a beleza da praia;, afirmou o governador petista.
Para tentar jogar a decisão no colo do governo federal e poupar a minguante candidatura de seu aliado, João Henrique mandou veicular uma mensagem na televisão dizendo que a prefeitura apenas cumpriu ordem da Justiça com base num programa federal de revitalização das orlas.
Segundo a Associação dos Barraqueiros, as 349 barracas mantinham o trabalho de cerca de três mil ambulantes que usavam a praia como sustento. Na alta estação, o número chega a 20 mil, novamente de acordo com os representantes dos donos das barracas. O presidente Lula evitou prometer solução rápida. Disse que uma saída para o impasse só virá depois da eleição. No comício, chegou a brincar. Disse que os trabalhadores iriam voltar à ativa porque ele não gostaria de se indispor com os vendedores quando estiver descansando na praia depois de abandonar o Planalto. Ele afirmou que, se quiser tomar uma cervejinha e não tiver um ;trocado;, espera contar com a boa vontade dos vendedores.
Agenda
Dilma tenta evitar estresses com Geddel. O candidato do PMDB conta que terá em setembro uma agenda exclusiva com a presidenciável nos mesmos moldes em que Wagner foi agraciado na noite de quinta-feira. A cúpula da campanha disse a Geddel que vai cumprir a promessa. Há 10 dias, havia uma possibilidade de a ex-ministra voltar à Bahia no fim de setembro, mas o compromisso foi cancelado. Na prática, nem o presidente Lula nem a candidata estão dispostos a um evento só com o peemedebista.
O comício de Lula e Dilma teve como objetivo dar fôlego extra à campanha de Wagner para liquidar a fatura no primeiro turno. O esforço tem como foco evitar o segundo turno contra o ex-governador Paulo Souto (DEM), segundo nas pesquisas de intenção de votos. Dilma deixou claro quais são os seus candidatos a senador e governador, bem ao agrado de Wagner, que teme um segundo turno por conta do descontentamento da população com um repique da violência, sobretudo na capital. Repique percebido por Waldir Paiva, 56, que vendia refrigerante e cerveja na Praça Castro Alves, local do comício de quinta-feira. ;A segurança piorou. Até o pessoal de Salvador está com medo de andar pelas redondezas do Pelourinho;, afirmou Paiva, sobre o centro histórico, a pouco mais de 1 km do local do comício, 12 minutos caminhando.
Vagões
Outro problema que Wagner enfrenta são as crescentes críticas sobre a paralisação das obras do metrô. Para resolver a questão, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, esteve em Salvador na quinta-feira e entregou uma chave simbólica que abre os 24 vagões dos seis trens que estão parados ao longo dos seis quilômetros do complexo metroviário. Antes de começar, é preciso ;energizar; os trilhos e rodar as composições para testes. O prefeito João Henrique disse em cerimônia que os primeiros testes devem ocorrer até 20 de setembro. Os trens rodarão por 10 meses nessa fase.