Eleicoes2010

Weslian é tida como mulher capaz de qualquer sacrifício em favor das aspirações políticas de Roriz

Ana Maria Campos, Helena Mader
postado em 25/09/2010 08:00
Casada há 50 anos com um homem que respira política, Weslian Perpétuo Socorro Roriz, 67, deu muitas demonstrações de que gostaria de ver o marido longe da vida pública. Nas duas últimas eleições, ela foi voto vencido a favor da aposentadoria de Joaquim Domingos Roriz, 74. Dizia que ele tinha dado muitas contribuições à população do Distrito Federal e chegara a hora de ficar mais em casa, longe de confusões e perto dela, das três filhas, Wesliane, Jaqueline e Liliane, e dos netos. Justamente no momento em que Roriz precisa abandonar a candidatura ao governo, no entanto, a ex-primeira-dama entra em cena como a grande protagonista do grupo azul. Ela disse que não poderia deixar o marido na mão.

Recatada e tímida, a dona de casa Weslian Roriz, segundo grau completo, tem uma falsa fragilidade. Na verdade, tem personalidade forte, demonstra abertamente quando não simpatiza com alguém e tem grande ascendência sobre o marido. Integrantes do grupo rorizista comentam que podem até brigar com o ex-governador, mas um desentendimento com dona Weslian significa virar inimigo de Joaquim Roriz. Apesar do incentivo para que se afastasse da política, depois de tomada a decisão do marido de entrar na disputa, ela sempre mergulhou nas campanhas dele. Foi assim, por exemplo, em setembro do ano passado, quando Roriz se filiou no PSC depois de romper com o deputado Tadeu Filippelli e com o PMDB.

Conversa no ônibus
Dona Weslian, tia de Célia, a mãe dos filhos de Filippelli, esteve na solenidade em homenagem ao marido, fez discurso defendendo a volta de Roriz ao Palácio do Buriti e também trocou o PMDB pelo PSC. Quando Roriz se candidatou ao GDF em 1990, Weslian convocou as amigas para percorrer diversas regiões carentes da cidade em busca de votos. Circulando de ônibus, o grupo conversava com donas de casa e falava das propostas de Roriz para a área social. De porta em porta, batendo perna por cidades como Planaltina, Sobradinho e Brazlândia, Weslian tentava ajudar a eleger o marido, com quem se casou em 29 de julho de 1960.

Os dois se conheceram nove meses antes, em outubro de 1959, numa festa de casamento, em Luziânia (GO). Dias depois, eles se encontraram num baile à fantasia. Joaquim, aos 23 anos, bateu os olhos em Weslian, que usava trajes de gueixa, e garantiu aos amigos que se casaria com aquela moça de 17 anos. Até hoje, ele conta na família e no círculo de amigos que não se esquece do encanto que sentiu pela ;japonesinha;.

Sem qualquer experiência administrativa, dona Weslian, católica fervorosa, sempre se dedicou à família e à religião. Logo que Roriz chegou ao poder no DF, a primeira-dama passou a fazer parte do Programa de Vivência Integrada (Provi) e com a ajuda de voluntários da entidade percorria cidades para distribuir cestas básicas e material escolar. Em 1999, Weslian criou a organização não governamental Instituto de Integração Social e de Promoção da Cidadania (Integra). À frente da entidade, Weslian promoveu ações em parceria com a Secretaria de Solidariedade e entregava sopa a moradores carentes de regiões como a Estrutural.

Copos de sopa
Em cada visita a áreas de baixa renda, eram distribuídos até 10 mil copos de sopa. O trabalho social da ex-primeira-dama fez com que seu nome fosse usado para batizar um bairro. A Vila Weslian Roriz, ao lado da Granja do Torto, foi criada em 1990. Um dos trabalhos sociais que mais renderam projeção foi a atuação em defesa dos deficientes visuais. Também pela Integra, ela criou um projeto de treinamento de cães-guias para cegos e um centro profissionalizante. Weslian trouxe do Canadá os métodos e projetos de melhoria de vida para deficientes e os adaptou à realidade do DF. Bombeiros de Brasília visitaram cidades canadenses para conhecer os programas de adestramento de cães.

Na primeira entrevista coletiva concedida à imprensa, dona Weslian citou o projeto como uma de suas principais realizações. Parecia ainda um pouco desconfortável com a nova situação, agora com mais destaque que o marido. Horas depois, comandou um comício em frente de casa, no Park Way, para uma plateia de 5 mil pessoas. Assumiu o papel que Roriz lhe entregou. Cabe a Joaquim agora torcer para virar o ;primeiro-marido; do DF.

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