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Nelson Pereira dos Santos comenta o cinema na época da ditadura

Filme O amuleto de Ogum, do cineasta, está em cartaz em mostra paralela do Festival de Cinema

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postado em 17/09/2014 08:02

Caraminhola Filmes/Divulgação


Lembrando da opressão vivida à época da ditadura, um dos mais revolucionários diretores do cinema brasileiro, Nelson Pereira dos Santos, ainda hoje, aos 86 anos, guarda cicatrizes. Questionado sobre a inclusão do longa O amuleto de Ogum (1974), na programação de sexta-feira da mostra Reflexos do Golpe, o interesse do autor do clássico Rio 40 graus segue outro rumo. Quer mais é falar de assunto que quase ninguém toca: a destruição do negativo original, “como ficou provado”, do seu filme El justiceiro, queimado pela censura.


Numa nuance irônica, Nelson Pereira conta que O amuleto de Ogum padeceu, com uma “maneira mais gentil de se censurar”. “Para mim, filmar trouxe o conhecimento de uma realidade carioca. O Amuleto faz uma visita a uma religião popular: a umbanda, especialmente. Tive pesquisa profunda com o pai-de-santo Erney José, de Duque de Caxias. As cenas das festas de umbanda foram feitas no dia de cada santo, de modo documental. O filme foi pensado para o grande público e acabou passando numa sala para 200 pessoas, com a anuência da distribuidora, sendo inclusive afastado da programação da Embrafilme, que era um órgão do governo”, explica. Foi uma frustração nesse sentido, já que a exibição ficou limitada a um nicho da Zona Sul carioca.

O amuleto de Ogum faz uma ponte interessante com outros filmes de Reflexos do Golpe. Enquanto emprestou a voz para o clássico de Nelson Pereira, o ator Milton Gonçalves fez dobradinha com outros títulos selecionados, Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade) e Eles não usam black-tie (Leon Hirszman).

“Poucos têm ideia do que era ser negro numa ditadura. Nesses filmes, havia a real inclusão do povo negro brasileiro, afrodescendentes que dão a mescla de raça detectada em 52% da população, segundo o IBGE”, ressalta. Combativo, o cineasta Leon Hirszman estava alinhado ao Teatro de Arena. “Eles não usam black-tie é o filme do meu coração. Antes mesmo de ser ator, entendíamos a falta de perspectiva que tínhamos. Aliás todas as vezes que passa a imagem da homenagem ao meu personagem Bráulio, eu choro. Vejo muito do povo, na cena, da questão dos sonhos e dos fracassos de muitos”, destaca Milton Gonçalves.

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