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Filha de Glauber Rocha critica a preservação da memória cinematográfica do país

Em entrevista ao Correio, Paloma Rocha se mostra desapontada com políticas públicas ligadas ao audiovisual

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postado em 17/09/2014 16:06 / atualizado em 19/09/2014 13:31

Daniel Ferreira/CB/D.A Press

“Entra governo sai governo, e providências não são tomadas”, aponta a produtora e cineasta Paloma Rocha, uma das convidadas do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A análise pesa sobre o desempenho do país com a preservação de memória, mais precisamente quando se trata do pai de Paloma, ninguém menos do que Glauber Rocha.


Ao lado do Museu Villa-Lobos e vizinha ao Museu do Índio, a sede do Tempo Glauber (centro que integra a memória do realizador, em Botafogo) está com os dias contados. “Há uma dívida de IPTU. A edificação não foi doada. Eu não entendo! A gente fez um trabalho ao longo de dez anos com recurso público e que está na tela ou circulando no mundo todo, com resultado, tudo com prestação de contas. Não entendo porque não apoiam, e fica só toda a falcatrua acontecendo, com ONGs inexistentes e outras histórias que todos conhecem bem”, lamentou.


A diretora conta que está tramitando a solicitação de R$ 240 mil, pela lei Roaunet, para a conclusão do site — todo dedicado ao cineasta — e que está até em língua inglesa. “O site que está no ar, por exemplo, tem 200 fotografias. Minha vontade é a de que volte a estar no alemão, no francês, no espanhol, e eu possa ampliar para poder dar acesso aos 22 mil documentos, às 400 resenhas e às 4000 fotografias. Acho um absurdo eu não conseguir concluir esse trabalho. São só 200 contos! Não é possível, ficar pedindo no pote e no prato, e entrar para a suplência de prefeitura do Rio de Janeiro (pelos recursos) para conseguir R$ 150 mil para concluir um site!”, lamentou.

Entrevista com Paloma Rocha:

Em que circunstâncias os problemas se agravaram?
Desde a gestão de Ana de Hollanda (ex-ministra da Cultura). Tínhamos convênios para os processos de restauro e eles foram interrompidos, sem justificativa. Mas conseguimos concluir o restauro da obra e o material foi transferido para a Cinemateca Brasileira. As atividades de difusão, de fomento e da continuidade da preservação estão lá até hoje — tudo interrompido. Agora, temos pequeno convênio com a Sav (Secretaria do Audiovisual), de quatro meses, e que não está dando conta. Há três dias, foram transferidos para o Instituto Moreira Salles todos os desenhos do Glauber.

O que está pendente?

Preciso dar um destino para o resto do acervo que está lá (no Tempo Glauber). Preciso terminar um tratamento arquivístico importante que tem as cartas, inclusive de conteúdo sigiloso, e que está sendo digitalizado. Preciso fazer um catálogo raisonné para dar acesso público à toda obra que já foi adquirida pelo MinC, mas a Cinemateca Brasileira não fez trabalhos que deveriam ter sido feitos. Isso posto, fico com minha missão cumprida. O trabalho institucional do Tempo Glauber precisa ser empreendido de outra forma: não dá mais para eu carregar essa pedra na cabeça.

Em que pé está a salvaguarda da obra?

 Não tenha maiores dramas: a obra tá salva. Só sinto que não perdemos tempo, eu e minha avó Dona Lúcia (batalhadora pela preservação da memória do filho, morta em janeiro), porque a obra está aí. Vocês todos tão vendo (aponta para a tela do Cine Brasília). Está em alta definição, por ser fruto de um trabalho de mais de 12 anos da minha filha e meu. E mais de 30 anos de aplicação da minha avó! Falta um recurso final para que eu tire as coisas do Tempo Glauber — a obra já está toda digitalizada.

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