Especial Publicitário - Senai

Documentário Sem Pena, que fala do sistema prisional, é aplaudido após exibição

O longa mostra as falhas do modelo de encarcerramento adotado no Brasil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 18/09/2014 10:18 / atualizado em 19/09/2014 13:30

Guilherme Freitas/Divulgação


O produtor e advogado Hugo Leonardo conta que a vontade de fazer um filme diferente de todos os outros guiou o diretor Eugenio Puppo e a equipe responsável por Sem pena, primeiro longa exibido na Mostra Competitiva do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme que pretende mostrar a falência do sistema prisional brasileiro foi aplaudido com entusiasmo na noite de quarta-feira.




Na tela, depoimentos de presos, advogados, filósofos, defensores públicos, professores, promotores e juízes se sucedem na tentativa de mostrar ao público como a massa prisional brasileira é uma bomba relógio à espera de ser detonada. Os rostos não aparecem em boa parte do filme, mas são revelados ao final, nos créditos. Hugo Leonardo explica que essa opção estética foi intencional e não tem a ver com uma suposta proteção aos entrevistados responsáveis pelas denúncias.

“É uma opção estética do diretor para nivelar os discursos para que as pessoas sejam ouvidas pelo seu discurso. E também para que o filme tenha um conteúdo exacerbado”, explica.

Leia mais notícias sobre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro


Advogado do Instituto da Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Leonardo integrou a equipe de pesquisa para a produção do documentário. “A gente quis falar de tudo que os outros filmes não falam”, disse, ao lembrar de documentários recentemente produzidos sobre o mesmo tema. “E tudo é justamente entender como as pessoas vão parar no sistema prisional, como essas engrenagens estão inseridas na sociedade. O filme foi feito para entender esses gargalos. Hoje não se pode falar em sistema de justiça. Hoje o que há é uma engrenagem falida, excludente e que aniquila “, disse.

Maira Dias, produtora do filme e conselheira do IDDD, lembrou que o Brasil tem a terceira maior massa prisional do mundo, mas que nem por isso a população se sente mais segura. “A gente queria ter esse olhar sobre o sistema de justiça criminal de maneira ampla e ter capacidade de trazer essa reflexão: para onde está nos levando o encarceramento em massa”, disse.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.