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Taciano Valério entra na competição com Pingo d'Água

Rodado em preto e branco, o longa do diretor paraibano encera trilogia cinza

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postado em 19/09/2014 08:02 / atualizado em 19/09/2014 13:29

 

Breno César/Autorias Filmes

 

Blocos de cenas, numa imensa jornada, compõem Pingo D’Água, de Taciano Valério, longa em competição no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro na noite desta sexta (19/9). Pautado pela urgência, o cinema proposto bebe da "esquizofrênia produtiva, não da patológica". Taciano adianta que comandou um road-movie singular, já que muito é dado "no sentido de pensamento da personagem, e para onde ele está se deslocando".

 

Feita em preto e branco, a fita encerra a trilogia cinza (complementar a Onde Borges tudo vê e Ferrolho), com atores, "em quase todos títulos, procurando algo, apoiados pelo baixo orçamento e num choque entre o rural e o urbano".

Aos 36 anos, o diretor mora numa zona rural vizinha a Caruaru. Ainda assim, reluta no enquadramento de cinema regional. "Não tenho nada a ver com o cinema de Recife. E fico isolado por opção minha. Não fortaleço o que seja regional demais. Nas diferenças é que estão elementos que se comunicam. Aliás, tenho um distanciamento dos bens culturais da humanidade, formadores da mídia exagerada, mas que matam. Minha vida não é sofrida: é interessante, movimentada", ressalta.

Para o cineasta, Pingo D’Água é um filme que mexe em sentimento, seja gernado indiferença ou identificação — empatia ou abjeção. "Se há uma coisa objetiva no filme é a incerteza. A quebra de climas em episódios é algo determinante", enuncia. Guiado pela intuição, nas filmagens, o realizador explica que "o sujeito em cena, se mistura com o personagem e com o ator".

Objetivos pragmáticos e dogmáticos foram limados da fita. As dificuldades nas relações, a defesa de um sentido da vida, mal-estar, náusea e caos estão impressos no longa. "Mas, ao mesmo tempo, afirmamos a vida, através da arte. Aliás, o importante não é aonde chegar, mas o caminho a percorrer", demarca. Nas interações de pessoas aglomeradas em alinhamento aleatório, uma das estradas narrativas, filmada em Tiradentes (Minas Gerais), mostra descontentamento de atores que esperam produtor que nunca chega.

Envolvido com cinema há 14 anos, Taciano resolveu as filmagens (ainda em São Paulo e na Paraíba), em seis meses e com ginástica de orçamento e apoios de R$ 20 mil. Acatando uma necessidade de dispersão do roteiro, atores e personagens se alternam em lugares e situações completamente diferentes. "Jean-Claude Bernardet é a espinha dorsal do filme. Mas, não tive uma magia por ele, a partir de tudo o que foi — teórico de cinema, e tudo mais. Ao me aproximar de atores chego perdido, questionando, pedindo colaboração, e eles ‘atuam, autorando’", completa. Dados a experimentalismo, atores como Dellani Lima, Everaldo Pontes, Melissa Gava, Valter Bahia e Verônica Cavalcanti estão no elenco.

 

 

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