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Depois de exibição em Cannes, curta Sem Coração tem sala lotada no Festival de Brasília

O Correio conversou com o co-diretor do filme Tião que falou sobre as premiações e sobre a produção

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postado em 19/09/2014 11:55 / atualizado em 19/09/2014 13:28

Minervino Junior/CB/D.A Press


O curta-metragem Sem Coração, co-dirigido por Nara Normande e Tião, foi exibido nessa quinta-feira (18/9), no Festival de Brasília do Cinema Nacional. A produção, que teve sessão lotada na capital, foi o único filme brasileiro no 67º Festival de Cannes e que levou o prêmio de Melhor curta na Mostra paralela Quinzena dos Realizadores. O litoral alagoano foi o cenário escolhido para contar uma história de uma menina que tem um marca-passo e é apelidada pelos garotos de "sem coração". A produção teve a chancela da atriz Maeve Jinkings (de O Som ao Redor), que trabalhou como preparadora de elenco.


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“Esperamos ver filmes interessantes, encontrar amigos e ver como os filmes dialogam com as pessoas”, contou Tião ao Correio sobre a expectativa para o 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O cineasta, que assina a co-produção, já havia participado do festival francês em 2008, com o filme Muro. A premiação de 2014 atraiu olhares e o interesse de outros festivais em exibir o filme, como o de Vila do Conde (Portugal).

Antes da exbição do curta-metragem, o Correio conversou com o Tião, no Cine Brasília.


Confira a entrevista com o diretor do filme:

O filme é baseado em uma história real. Qual foi a maior preocupação na hora de reconstruir essa narrativa?
O filme foi baseado em algumas histórias que Nara escutou no início de sua adolescência. Um dia ela me contou sobre essa personagem e me parecia uma algo bem especial. Pensamos logo em como construir uma narrativa que explorasse bem a força dessa história, apresentando as situações e entregando os elementos por etapas. Também nos preocupamos muito em não estabelecer julgamentos, achamos que seria mais rico que as pessoas simplesmente conhecessem as situações. Para isso, entre outras coisas, criamos o personagem de Léo (interpretado por Rafael Nicácio), um menino de classe média urbana que chega nessa vila pesqueira, um paraíso, e que nos guia pelo lugar e pela história de Sem Coração.

Sem Coração tem premiações de peso no currículo. Isso o diferencia dos demais filmes da mostra?
Acredito que os filmes se diferenciam mais pelas propostas e universos estéticos do que pelas premiações. Ainda não conheço todos os filmes, mas imagino que sejam bem diferentes entre si e isso é muito bom.

Vocês optaram por selecionar atores da região em que foi rodado o filme. Por quê?
A gente nunca pensou em outra possibilidade, na verdade. Era muito importante que o grupo de meninos tivessem muita propriedade do lugar em que se passa o filme, quem deveria ser colocado em contraste com a natureza exuberante era o personagem de Léo. Duda (Eduarda Samara), por exemplo, que faz Sem Coração, é filha de pescador, já tinha saído pra pegar polvo com o pai. Acreditamos que isso tudo aparece no filme. De Maceió, além de Rafael, temos apenas Ricardo Lavénère, no papel do primo de Léo que mora há algum tempo na região e o apresenta para os seus amigos, locais, filhos de pescadores. Ricardo é um menino muito sensível e inteligente, e soube entrar perfeitamente nesse papel.

A falta de experiência dos atores parece não ter sido um problema, devido ao sucesso que o filme já conquistou. Como o trabalho da atriz Maeve Jinkins foi essencial para esse resultado?
O trabalho de Maeve foi bem bonito. Quando terminamos o roteiro, mostramos pra ela por afinidade mesmo, ainda sem ideia de fazer o convite. Ela tinha uma compreensão não só racional, mas muito sintonizada com o clima que a gente queria passar. Ela fez uma preparação bem cuidadosa, com conversas, exercícios que estimulassem sensações como as que teriam no filme e, no fim, os ensaios. Maeve acabou se tornando uma espécie de mãe e musa para os meninos. É preciso também ressaltar a concentração e comprometimento que eles tiveram no processo e nas filmagens. Apesar das brincadeiras, normais pela idade, todos estavam com muita vontade de fazer algo bem feito.

Quanto tempo levou para finalizar toda a produção?

Nós filmamos em março de 2013 e voltamos por quatro dias em janeiro, com equipe menor, pra fazer cenas que faltavam. Foram 16 diárias de filmagem. Finalizamos a imagem e o som entre outubro de 2013 e abril de 2014.

Quais foram as maiores dificuldades durante as filmagens?
Nós conseguimos montar uma equipe de amigos que admiramos profissionalmente também, além do ótimo trabalho dos atores, então tudo fluía bem nas filmagens. Nossa maior dificuldade era em lidar com a natureza, escolher a data certa para filmar, dependendo da lua e da maré, a que horas pegar um polvo, que foi marcado no dia anterior, para ser usado em uma cena. Algumas locações precisavam ter uma maré específica, então tinham que ser filmadas em dias e horas certos. Tudo isso era difícil e instigante.

Poderia falar um pouco como surgiu a parceria entre vocês?

Nos conhecemos na faculdade de jornalismo, dividimos o mesmo atelier e a ideia de fazer o filme juntos surgiu naturalmente com as conversas. Sempre nos entendemos muito bem, caminhamos pro mesmo lado no universo do filme, existia quase nenhuma confrontação. Claro que algumas ideias eram descartadas, mas sempre em concordância. Nara tem um apuro estético imediato, eu levo mais tempo pra ter certeza que algo é bom. Como já tínhamos muitas variáveis nas filmagens, tentamos conversar e planejar muito, até pensando storyboards pra algumas cenas. Nara veio da animação em Stop Motion, então isso era natural pra ela. No set conseguíamos trabalhar mais rápido do que seria sozinhos, porque a gente complementava as observações sobre as cenas. O que levaria 6 takes pra ficar bom, ficava bem antes, com 3 ou 4. Também nos entendemos bem na montagem, pois temos o mesmo tempo de trabalho.
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