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Em entrevista, responsável pela trilha sonora de Vento Virado e Pingo D'Água fala das composições

Daniel Nunes construiu a trilha sonora e o desenho de som do curta-metragem Vento virado e a música do longa Pingo d'Àgua, que vão ser exibidos nesta sexta-feira (19/9)

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postado em 19/09/2014 20:04 / atualizado em 19/09/2014 20:14

Arquivo pessoal


Logo mais, a partir das 20h30, as caixas de som do Cine Brasília vão ecoar o trabalho de um mineiro que tem conquistado respeito no meio audiovisual de todo o país. Daniel Nunes construiu a trilha sonora e o desenho de som do curta-metragem Vento virado e a música do longa Pingo d’água, que vão ser exibidos nesta sexta-feira (19/9), no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Confira a entrevista com o músico.


Como é ver, nas telonas de um festival importante, dois filmes em que você assina a trilha sonora?
É muito legal estar em um festival dessa dimensão. É o resultado de um trabalho que vem de tempo, esforço, dedicação e pesquisa. Fico muito feliz de conseguir exibir esses filmes, porque são mais difíceis de assistir, exigem um pouco mais de atenção, uma imersão no universo.

O que muda na hora de construir a trilha de um curta-metragem e a de um longa-metragem?
Independentemente do formato, do suporte, o cinema trabalha basicamente com o tempo. Isso é o ponto chave de compor para um filme. O curta precisa ser mais dinâmico e a composição de alguma forma acompanha isso. Já o longa é algo que você pode estender, criar dramas, ir adensando, dimensionar melhor a história com a música.

Como foi o processo de criação em Vento Virado?
Eu entrei no fim do fim. Quando montaram o filme, o diretor estava muito satisfeito imageticamente. Porém, como é um filme mudo, deveria ter uma sonoridade mais forte e foi aí que eu entrei, depois que já estava editado. Comecei a desenhar uma série de ideias de como seria possível trazer mais as sonoridades do personagem para dentro da história. O filme ganhou muito, porque a gente conseguiu trazer uma dinâmica maior. O Vento Virado não traz as coisas de uma forma explícita. A pessoa que vai assistir precisa estar imersa no filme e capturar as potências que a gente só pode perceber de uma forma mais sutil. É um filme muito sinestésico.

Pingo d’Água é um filme da Paraíba. O que um mineiro tem a dizer sobre o universo paraibano?
Foi incrível isso. São universos tão distintos. Estamos no mesmo país, mas é outra coisa. Eu compunha à medida que o Taciano [diretor de Pingo d’Água] me enviava algumas imagens do filme e a gente conversava. Depois, ele me escreveu sobre como essas minhas sonoridades estavam naquele instante batendo, como chacoalhavam as coisas. Foi muito forte para mim. Então, quando eu compus a trilha, eu não sabia do filme. Só sabia daqueles trechos que ele tinha me enviado e da atmosfera da história. Quando vi pronto, foi emocionante.

Como foi parar no mundo das trilhas sonoras? O que é o atrai nessa relação entre som e imagem?
Antes do cinema, eu tive um trabalho muito intenso na arte digital. E ali nasceu meu interesse de som e imagem, sobre como uma coisa cria a outra em tempo real. Eu comecei a sacar que podia dar novas perspectivas em torno da arte sonora, e isso foi me interessando mais do que música pela própria música. Existem outras possibilidades de fazer engendramentos sonoros e de pensar construções a partir de discursos narrativos. De fazer ouvir o que a gente não tá vendo. Como é que eu posso potencializar momentos e possibilidades singulares, fazê-las abrir outras portas? Isso me instiga. Como eu posso pensar a minha sonoridade?

Com informações de Thiago Amâncio
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