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Durante debate, diretor explica como imaginou uma periferia isolada do Plano

No longa Branco sai. Preto fica , Adirley Queirós mistura ficção e documentário para falar de Ceilândia

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postado em 21/09/2014 13:57 / atualizado em 21/09/2014 14:41


Yale Gontijo


O misto de ficção científica com documentário do cineasta Adirley Queirós trouxe Brasília para a tela da Mostra Competitiva do Festival de Brasília. Em Branco sai. Preto fica., exibido neste sábado (20/09), a periferia está isolada e, para entrar no Plano Piloto, seus habitantes precisam de um passaporte. A parte verídica da história está nas memórias de Marqim e Sartana, que foram agredidos pela polícia em um baile black na década de 1980 e ficaram com a mobilidade afetada. Marquim ficou em uma cadeira de rodas e Sartana teve a perna amputada.


Aplaudido com entusiasmo, a produção foi inteiramente rodada em Ceilândia, com atores da cidade. Na história paralela criada por Queirós, os personagens de Marquim e Sartana desenvolvem um plano para invadir o Plano Piloto enquanto um investigador transgaclático vem do futuro investigar a discriminação de negros e pobres para poder processar o Estado brasileiro.

Durante o debate na manhã deste domingo (21/09), o diretor explicou que precisou de uma narrativa fantástica para poder falar de Ceilândia. "Essa cidade só pode ser narrada do absurdo. Queríamos fazer um filme de aventura", disse Queirós. Denise Vieira, diretora de arte do longa, explicou que os cenários foram escolhidos em casas de Ceilândia e que alguns sets receberam modificações. O diretor pensou no passaporte depois de observar a própria geração. "A ideia do passaporte para entrar em Brasília veio de uma impressão forte das pessoas da minha geração, na casa dos 40 anos, de que Brasília era só um lugar de passagem", disse.

Queirós também contou que a criação do filme oi coletiva, mas que isso não implicou em consenso o tempo inteiro. "Existe a ideia de que a criação dentro do coletivo é sempre feita em harmonia. Isso não é verdade. Nós discutimos muito, brigamos. Levamos a criação a sério", revelou. Para Marquim do Tropa, o mais difícil foi aprender a fumar e deixar o cabelo crescer durante as filmagens. “Eu não sou fumante. Tive de aprender para o filme. Às vezes passava mal porque ia uma carteira por dia com as repetições e os vários takes", contou. "A única coisa que eu não gostei no filme foi não poder cortar o cabelo durante dois anos. Perdi muitas namoradas."

 

 

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