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Branco sai, preto fica se destaca na quarta noite da mostra competitiva

A exibição de Adirley Queirós reflete sobre a truculência policial durante um baile funk na Ceilândia

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postado em 22/09/2014 08:22 / atualizado em 22/09/2014 08:30

Gustavo Moreno/CB/D.A Press

Coerência: essa foi a palavra de ordem escolhida pelo público e equipes dos curtas e longas-metragens exibidos na noite de sábado, na 47ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com a sala lotada e atrasos (comuns durante todo o Festival), prevaleceu, no quinto dia do evento e quarto da mostra competitiva, a sensação de unidade nas temáticas abordadas pelas três produções da noite: os curtas Nua por dentro do coro (MA) e Castillo y el Armado (RS) e o longa Branco sai, preto fica (DF). “O público acompanhou uma linha coerente. Os três filmes falam de violência”, pontuou o jovem Lucas Sá, diretor maranhense à frente do filme de terror Nua por dentro do coro. Aos 21 anos, ele promete “dar trabalho” para os futuros espectadores, numa carreira recém-iniciada.


Apontado como uma boa surpresa no evento, o cineasta maranhense considerou um presente dividir a noite de apresentação com Adirley Queirós. “Ele transita com muita liberdade entre os gêneros. Não se vicia em uma única linguagem”, elogiou Lucas. Queirós e o coletivo CeiCine, únicos representantes de Brasília na mostra competitiva, aguçaram a curiosidade da plateia ao misturar realidade e ficção em Branco sai, preto fica. Aplaudido de pé ao fim da sessão, o diretor alegou, em debate realizado na manhã de domingo no Mercure Hotel que Ceilândia “só pode ser narrada sob a ótica do absurdo”.
A sala escolhida para o debate, aliás, ficou pequena para a quantidade de pessoas interessadas em discutir o longa. A conversa girou em torno do modo de produção da ficção científica baseada em um episódio real de truculência policial ocorrido em Ceilândia nos anos 1980, quando um baile black foi interrrompido por PMs munidos de gás de pimenta e bombas. “A nossa geração foi marcada pelo  que aconteceu no Quarentão. Usamos o imaginário coletivo da cidade para fazer um filme de aventura”, declarou Queirós.

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Veterano no rap, Dino Black integra o elenco do longa e mostrou-se emocionado em fazer parte do audacioso projeto. “Foi um presente, a gratificação de um trabalho de 20 anos”. Chamado, inesperadamente, para gravar uma das cenas mais cômicas do filme, Black revelou surpresa com a boa receptividade do público. “Não esperava que o Adirley seria aplaudido de pé. Brasília, às vezes, é de pouco afeto. Foi emocionante, e fiquei com os olhos pesados”. Sensação compartilhada por Bob Nickson, que acumula 20 anos de carreira no forró e é responsável, no longa, pela divertida dança do jumento. “Público grande assim, só em show”, pontuou o coreógrafo e dançarino.

O músico RC Bellerini gostou muito de ver Ceilândia na tela do Cine Brasília. “Achei o filme sensacional. De uma maneira inusitada e criativa, ele dá voz aos excluídos dos excluídos”, disse. Para a artista plástica Janaína André, Branco sai. Preto fica. Tem uma linguagem atípica. “Fiquei o filme inteiro tentando classificar e não consegui, fica entre o documentário e a ficção científica”, disse. “Ele trabalha muito a identidade. E é muito ceilandense, não é nem brasiliense. É uma ficção muito realística.”

Com informações de Rebeca Oliveira, Nahima Maciel, Ricardo Daehn, Yale Gontijo, Alexandre de Paula e Paula Bittar

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