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A linha tênue entre ficção e documentário marcou a última sessão da Mostra Competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Entre as produções exibidas, estavam o curta La Llamada e o longa Ela volta na quinta

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postado em 23/09/2014 15:05

O último dia da mostra Competitiva confundiu o público quanto à classificação dos filmes exibidos na noite. A sessão começou com a ficção paulista Estátua!, de Gabriela Amaral. A atriz Maeve Jinkings interpreta uma babá grávida, um tanto confusa, que tem que tomar conta de uma criança meio obscura. O curta trouxe suspense para os conflitos em cena, mas também arrancou algumas gargalhadas ao usar a menina como elemento de tensão. Já o filme de Gustavo Vinagre, La Llamada, e o longa Ela volta na quinta, de André Novais, levantaram a reflexão do que parece realidade e do que não é, discussão que permeou muitas obras presentes no festival.


Apesar da trama arrastada de quase duas horas de Ela volta na quinta ter dispersado parte do público durante a exibição, o longa foi bastante aplaudido no final. Este não é o primeiro trabalho da carreira do cineasta em que a narrativa naturalista foi adotada. Fantasmas (2010) e Pouco mais de um mês (2013) trouxeram atores não profissionais, em especial parentes, amigos e ele próprio. O estilo já é quase uma marca na filmografia do diretor mineiro. Para encenar os protagonistas do longa exibido ontem à noite, André Novais escalou seus pais. A trama é uma ficção, mas por trazer elementos reais da rotina do casal e família levanta a dúvida do que viria ser realidade e fantasia.

O longa-metragem
A paixão do diretor surgiu ainda na infância. “O André e o irmão tinham uns 10 anos quando faziam curso técnico. Iam correndo pela Afonso Pena para chegar a tempo para sessões do festival de curtas de BH. Sempre alertava para tomarem cuidado. Dois pretos correndo pela avenida à noite, o que irão pensar”, lembra a protagonista do longa e mãe do diretor Maria José Novais.

“O diretor desde pequenino era perfeccionista. Achei que ele seria mais tranquilo com a gente, mas nada. Se precisasse, mandava repetir umas 50 vezes”, contou a mãe. No filme, o esposo interpreta um homem adúltero. Dona Maria disse que administrou o ciúmes de emprestar o marido, em cena, para outra. “Só de pensar... Mas, foi tudo pelo cinema do André”, afirmou conformada.

Vida real
O pais do cineasta têm 39 anos de casados, seis de noivado e mais dois de amizade. Antes do namoro, Maria José vigiava de perto a rotina do futuro marido. “Sabia de todos os horários dele. Subia em uma pitangueira da rua Padre Eustáquio pra ver ele passar. Desde a manhã, quando ele passava de bicicleta, até à noite, quando ia para escola. E, eu sempre de olho”, disse aos risos.

No namoro, era costumeiro, eles seguirem da pré estreia dos filmes para o Mercado Central de Belo Horizonte para cumprirem o ritual da preparação de salada de frutas. Quando adolescente, tinha como ídolo no cinema John Wayne. Só tinham visto o filme uma vez, no primeiro corte. Cinema sempre foi uma referência em cada cidade que moraram. Em 1975, ainda sem filhos, moraram no Guará II, em Brasília, por um ano. Maria José trabalhava no Setor Bancário Sul e Norberto Novais na Telebrasilia.

O colchão e fogão chegaram no mesmo dia em que se casaram. “O que temos hoje é fruto de nosso trabalho juntos. A vida inteira foi assim”, revelou Dona Maria. Segunda ela, a compreensão foi a chave para enfrentar todas crises da vida real.

Visão do público
“Eu gostei do filme. O trabalho de direção de atores, levando em conta que o elenco é todo amador, ficou muito bom. Achei o filme de um apelo sentimental bem singelo”
Thiago Campelo, 24 anos, estudante de Letras

“Finalmente um filme que me tocou. Ela volta na quinta, é meu preferido do festival”.
Bárbara Cabral, 23 anos, estudante de Audiovisual

Números do Festival
Premiação: R$ 650 mil
Público do Cine Brasília: 18.000
Público das satélites (Taguatinga, Ceilândia, Gama e Sobradinho): 17.600
Público total: 36.600
Total de filmes exibidos: 60

Colaborou Juliana Figueireido
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