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Grupo de cineastas da mostra competitiva reacendeu vocação política do festival

Obras como Brasil S/A e Branco sai. Preto fica reforçaram essa visão de protesto

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postado em 25/09/2014 08:04



Entre gritos de guerra, profusão de agradecimentos ocos, falta de quorum (com premiados sendo representados por terceiros) e ausência de dinâmica, a noite de premiação do 47º edição foi coroada com um grand-finale. A surpresa veio de um pacto de quotas, em que os seis concorrentes dos filmes de longa-metragem se comprometeram a dividir o prêmio central (R$ 250 mil), independentemente do resultado. Tudo foi ratificado na Carta de Brasília, lida no palco, confirmando a solidariedade extrema entre os profissionais de cinema.




“Não é uma afronta ao caráter competitivo do festival. Não é um questionamento da estrutura dele, nem pretendemos colocar em xeque a decisão do júri. Nós aceitamos fazer parte do jogo. Mas, historicamente, a concentração de recursos em um prêmio e a não contemplação de outros filmes causa um desconforto muito grande. Essa grana causa o acirramento do clima competitivo, em detrimento de outras experiências que o encontro em festivais pode proporcionar. Dividir o prêmio principal é uma maneira de deixar a relação mais equânime”, atentou o cineasta Marcelo Pedroso, vencedor na categoria de melhor direção por Brasil S/A.

Os prêmios Candango, grosso modo, ficaram concentrados entre Branco sai, preto fica (filme, ator e direção de arte) e Brasil S/A (melhor direção, além de outros quatro prêmios). Numa “seleção desafiadora” — como observou o jurado Orlando Senna, ferrenho defensor da cultura de cineclubes, bastante alinhada à vocação dos concorrentes —, o 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro transcorreu com projeções impecáveis, em termos técnicos.

O encerramento do evento entra para história do cinema nacional e da capital do país, já que a vitória do longa da Ceilândia Branco sai, preto fica contagiou a todos os presentes na casa do cinema brasiliense. O reconhecimento da importância da obra é especialmente temperada pelo fato de, há 20 anos, nenhuma produção local havia conquistado o troféu de melhor filme. Premiado melhor ator pela fita, o rapper Marquin do Tropa ficou sem palavras, nos bastidores da festa, ao se emocionar. “Esse filme representa muito para mim, por representar minha comunidade de Ceilândia. Estar no filme é representar o lugar em que nasci, vivi, fui criado, e onde aconteceu tudo. Mesmo com problemas sociais, não me deixei abater. Trabalhei muito por melhorias”, sublinhou.

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