
;Não carecemos de profissionais na área de roteiro, mas precisamos de uma reestruturação de mercado, que sempre pende para o que seja comercial. Nas comunidades, os espectadores respondem bem, de forma erudita ; se reconhecem e se emocionam, com filmes elaborados. Basta oferecer;, analisa o diretor Alan Minas, do longa que inaugura a mostra competitiva do 48; Festival de Cinema. Aos 46 anos, à frente do filme A família Dionti, Minas estabelece na tela o que chama de ;a lógica da criança;: pesa nisso, um cinema que bebe de realismo mágico e de regionalismos, enamorado do fantástico. ;A minha influência total é Guimarães Rosa e Manoel de Barros;, entrega.
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Em A família Dionti, personagens ardem na estrada de terra e o calor do sol ;roseano; se afirma. Na trama, um pai cria, sozinho, dois filhos: o mais velho é tão seco, a ponto de chorar areia. Já o outro derrete ao se apaixonar pela primeira vez. O pai fica atento à condição do caçula, uma vez que a esposa evaporou, apaixonada por outro. ;A mãe permeia toda a história, sem aparecer uma única vez;, destaca o diretor.
Jogar com imagens impactantes foi um risco assumido. ;Desde o primeiro tratamento da história, pensava: ;Não é uma coisa muito absurda e que beira o ridículo?;;, relembra. Dúvidas foram demovidas pela proposta de sugestionar, mais do que expor imagens. ;Gosto muito do potencial da transfiguração. Tive o suporte de efeitos especiais com alunos da National Film and Television School (Inglaterra), mas preciso que o espectador construa comigo o conteúdo;, observa.
O menino derretendo, por exemplo, vai ficar restrito à imaginação das pessoas. É parte do cinema de quebra-cabeças de Alan Minas que percebe influências do iraniano Abbas Kiarostami e do sérvio Emir Kusturica nas realizações dele. Orçado em R$ 920 mil, com reservas da Secretaria de Cultura do Rio, do Canal Brasil e do Polo Audiovisual de Cataguazes (MG), A família Dionti alinha interpretações de três adolescentes vindos de cursos de teatro amador: Murilo Quirino (Kelton, o jovem que se derrete), Bernardo Lucindo (Serino, revestido de secura) e Anna Luiza Paes Marques (a fabuladora Sofia).
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