Cientistas temem que ocorra uma grande tragédia na República Dominicana

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postado em 17/01/2010 08:40

Mais que o Haiti, é a República Dominicana que está localizada sobre uma bomba-relógio. Os cientistas alertam que o país vizinho ao epicentro do terremoto é o que tem o mais alto risco de grandes abalos na região da Ilha Espanhola (veja arte). A previsão é que ocorram novos tremores de grande magnitude no Haiti e, agora, na República Dominicana. Uma onda de abalos de menor impacto vem sendo registrada desde o tremor, na noite de terça-feira, que chegou a 7 graus na escala Richter, arrasando a capital haitiana, Porto Príncipe.


A terra na região continua a tremer e vai demorar a se estabilizar. São os tremores secundários gerados pelo terremoto. Até as 17h de ontem, haviam sido registrados 46 abalos no Haiti. Abalos de magnitude 5. A partir de 4.5, os tremores são considerados muito perigosos, se ocorrem em regiões urbanas. “Pela sua localização, Haiti e República Dominicana sempre estarão sob o risco de uma tragédia”, explica o geofísico e professor da Universidade de Brasília (UnB) João Willy. Os cientistas internacionais temem que ocorra um grande abalo na República Dominicana, porque a placa tectônica está se movimentando.

Para eles, o terremoto que arrasou o Haiti era previsível. Em março de 2008, um grupo de sismologistas já havia alertado para o perigo. E o mesmo é esperado para a República Dominicana. “Não é preciso ser um adivinhador de catástrofes para saber que um dia a República Dominicana será sacudida por um grande terremoto, e o lamentável é que, nesse dia, estaremos desprotegidos, sem sangue nos hospitais, sem soro, sem água potável armazenada, sem antibióticos, sem autoridades, sem nada”, reforçou o engenheiro e geólogo Osiris De Léon, em artigo publicado no jornal dominicano El Día, em 6 de setembro passado.

Nos últimos meses, a região já vinha sendo sacudida por diversos tremores de terra de magnitude entre 3 e 5, considerados “alertas da natureza”. Apesar de ser uma região de alto risco sísmico, as construções são frágeis, não são preparadas para suportar os tremores.

A surpresa dos grandes terremotos fica por conta do momento exato em que eles vão ocorrer, porque podem ter intervalos que variam de 50 a mais de 200 anos. E não há tecnologia(1) para prever. “Mas é uma região ativa e sempre será”, explica o geofísico João Willy. Isso porque Haiti e República Dominicana estão bem na borda da placa tectônica do Caribe, localizados na falha geológica de Enriquillo. Essa fica em atrito com a Placa Norte-americana. “Houve um rompimento de 30 a 40 quilômetros de extensão na falha entre as placas tectônicas em atrito”, acrescenta o professor do Observatório Sismológico da UnB Lucas Vieira. “É um fenômeno cíclico. A energia comprimida é liberada. Mas com o tempo ela se acumulará de novo, provocando grande estresse nas rochas”, explica.

Histórico

Apesar de não estar entre os terremotos de maior magnitude registrados desde 1900, o ocorrido no Haiti vai entrar na lista dos que causaram mais mortes, por estar numa região de alta densidade demográfica. Ainda não há um número exato de vítimas. No balanço parcial são 50 mil mortos, 250 mil feridos e 1,5 milhão de pessoas desabrigadas.

A maior catástrofe já provocada por terremoto, desde o século passado, foi em 27 de julho de 1976, em Tangshan, na China. Foram 225 mil vítimas. O mais recente, em 26 de dezembro de 2004. O terremoto provocou um tsunami na costa de Sumatra, matando 227 mil pessoas, em 14 regiões no sul da Ásia (veja mapa).

O maior terremoto registrado na história moderna da sismologia foi no Chile (região da Cordilheira dos Andes), em 1960, com magnitude 9.5 na escala Richter. Para se ter uma ideia, o poder de destruição de um terremoto de magnitude 7 numa região urbana equivale à explosão de 30 bombas atômicas como a detonada em Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial.

Os tremores secundários devem continuar até o fim do ano na região do Haiti. As pontas da Jamaica e de Cuba também são consideradas áreas de risco. O último grande terremoto na região de que se tem notícia foi em 1770, na Jamaica, matando 2 mil pessoas. Por 240 anos, a região se manteve calma. Mas cientistas se preocupam agora, porque o terremoto da última terça-feira pode ter sido a interrupção da calmaria, para o início de um novo período de tremores fortes.

Registro na Amazônia
Uma das primeiras estações sismológicas do mundo a captar o terremoto no Haiti foi a brasileira, instalada na Amazônia, a 2,5 mil quilômetros do epicentro. Menos de cinco minutos após o início dos tremores, os sensores na base de Pitinga, a 300km de Manaus, trabalhavam intensamente. A base faz parte da rede do Observatório Sismológico da UnB. Foi instalada em parceria com universidades americanas e com a Organização das Nações Unidas (ONU). Fora do Haiti, a estação brasileira foi a segunda (a primeira foi uma americana) a captar os sinais. O Brasil, por meio da UnB, faz parte da rede mundial de monitoramento de abalos sísmicos, que inclui também a identificação de possíveis testes nucleares clandestinos.

1 - Sensibilidade
Alguns animais, como cobras, cães e um peixe japonês conhecido como catfish (peixe-gato, ele não tem escamas) conseguem pressentir a chegada de um terremoto, em alguns casos. Por terem os sentidos mais aguçados do que os do ser humano, percebem as primeiras ondas que vêm do centro da terra e ficam agitados.

Terremotos

Outras tragédias que marcaram o mundo

# abril de 1905, em Kangra, na Índia: 20 mil mortos (7.5)
# agosto de 1906, em Valparaíso, no Chile: mais de 20 mil mortos (8.1)
# dezembro de 1920, em Ningxia, China: 235 mil mortos (8.5)
# setembro de 1923, em Yokohama, no Japão: 140 mil mortos (8.2)
# maio de 1927, em Nanshan, na China: mais de 200 mil mortos (8.0)
# janeiro de 1934, em Bihar, na Índia: 10.700 mortos (8.3)
# dezembro de 1939, em Erzincan, na Turquia: entre 35 e 40 mil mortos. (8.0)
# janeiro de 1944, em San Juan,
# Argentina: 8 mil mortos (7.2)
# maio de 1970, em Monte Huascaran, no Peru: terremoto e avalanche, 67 mil mortos (7.5)
# maio de 1974, em Sichuan, na China: entre 10 mil e 20 mil mortos (7.1)
# setembro de 1978 em Tabass, no Irã: 25 mil mortos. (7.2)
# setembro de 1985, na Cidade do México: pelo menos 10 mil mortos (8.1)
# junho de 1990, no noroeste do Irã: 37 mil mortos (7.7)
# julho de 1990, em Luzon, principal ilha das Filipinas: 2.600 mortos (7.7)
# janeiro de 1995, na região de Kobe-Osaka (Japão): 6.500 mortos (7.2)
# maio de 1995, Rússia, norte da ilha de Sajalin: 1.841 mortos (7.5)
# fevereiro de 1997, Irã, na região de Ardebil (Noroeste): 1 mil mortos (5.5)
# janeiro de 2001, Oeste da Índia (Gujarat): mais de 20 mil mortos (7.9)
# maio de 2003, cidade de Argel e departamento de Bumerdes: 2.277 mortos (6.8)
# março de 2005, Indonésia: 1 mil mortos (8.7)
# maio de 2006, Indonésia: mais de 2 mil mortos (7.5)
# maio 2008, China, na província de Sichuan: 87 mil mortos (7.8)
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