Veja relatos de sobreviventes a novo tremor no Haiti

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postado em 20/01/2010 17:20 / atualizado em 20/01/2010 19:35

PORTO PRÍNCIPE - Um novo e potente abalo voltou a deixar em sobressalto, nesta quarta-feira, desesperados haitianos que há oito dias de um terremoto devastador celebravam o milagre de ainda encontrar sobreviventes, entre eles uma anciã e uma menina de 23 dias.

Ao amanhecer, milhares de pessoas foram para as ruas quando um tremor de magnitude 6,1 voltou a sacudir o Haiti, já arrasado por um outro mais potente, no dia 12 de janeiro.

"Estava comendo e tremeu muito forte", informou Sylliona Gyna, uma jovem grávida de nove meses. "Todo o mundo sabe que isto ainda não terminou. Para mim todo o mundo vai morrer. É a natureza. Não é Deus, Deus não é mau".

"Mas Deus quee destruir todos os haitianos malvados, amaldiçoados", diz Eleude Joseph, mãe de dois filhos, visivelmente assustada com o novo movimento da terra.

O epicentro foi localizado a 59 km a oeste de Porto Príncipe. Testemunhas disseram ter sentido uma forte vibração e o barulho de construções que balançavam, mas não encontraram sinais significativos de mais destruições, como aconteceu depois do terremoto de 7.0 graus que destruiu grande parte de Porto Príncipe e outras cidades.

Hoteline Losana, de 25 anos, foi encontrada na terça-feira entre os escombros de um supermercado horas depois de Anna Zizi, de 70 anos, ter sido retirada cantando das ruínas da catedral de Porto Príncipe. Uma menina de apenas três semanas foi salva dos escombros na cidade de Jacmel.

Losana saiu "consciente e em boa forma" depois de uma operação de resgate que durou nove horas, informaram integrantes da equipe. Desde o dia 12 estava numa dependência acima de um supermercado, sem água nem comida; os especialistas atribuem sua sobrevivência à posição em que ficou apoiada.

Horas antes, bombeiros mexicanos removeram escombros da catedral de Porto Príncipe e resgataram Zizi. "A equipe chegou a dar-lhe água através de um tubo. Saiu cantando", disse Sarah Wilson, da organização católica britânica Christian Aid. Alguns membros da equipe explodiram em lágrimas quando a viram.

Com apenas 23 dias, a pequena Elisabeth foi tirada sem maiores lesões depois de uma semana sem água nem comida entre o que sobrou de uma casa em Jacmel, ao sul do Haiti, informou nesta quarta-feira uma rádio francesa.

Segundo as Nações Unidas, 121 sobreviventes foram encontrados em oito dias, em meio a esperanças de serem retirados outros.

Já a embaixadora do Haiti na Espanha, Yolette Azor-Charles, informou que a reconstrução poderia levar 25 anos, advertindo que o número de mortos poderá até superar as 200.000 pessoas, já que as equipes de resgate ainda não chegaram a todas as cidades afetadas.

Umas 250.000 pessoas ficaram feridas e mais de um milhão perderam suas casas.

Os feridos continuam chegando aos centros médicos lotados, onde são feitas amputações diariamente.

Oito hospitais, a metade deles de campanha, funcionam em Porto Príncipe, aos quais se somou nesta quarta-feira o navio-hospital americano "Comfort", com capacidade para atender, de forma simultânea, entre 30 e 50 vítimas com problemas mais graves.

"Não se sabe com precisão quantos pacientes estão aqui, hoje. Milhares, possivelmente muito mais. O número aumenta cada vez que se abre uma nova unidade médica", disse o coronel americano Richard Ellison.

Nas ruas, os saques continuam, em meio à tensão crescente entre a polícia local e os ladrões.

"Quando me derem de comer deixarei de roubar", diz Vicent, em tom desafiante - ele é muito jovem, apesar da máscara que dissimula seus traços, e entra sem medo entre as ruínas de um banco com a esperança de sair com um tesouro.

O grande desafio é fazer chegar a ajuda internacional despachada e conter a tragédia humanitária. O Haiti, o país mais pobre da América tem praticamente inutilizada toda sua já por si só frágil infraestrutrura de transporte, comunicações e energia.

"Uma espécie de plano Marshall deve ser instrumentado agora no Haiti", afirmou em Washington o diretor-gerente do Fundo Monetáio Internacional, Dominique Strauss Kahn. O chamado Plano Marshall foi um programa lançado por Estados Unidos para reconstruir los países arrasados pela Segunda Guerra Mundial.

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