Terremoto não afetou obras realizadas por militares brasileiros no Haiti

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postado em 26/01/2010 19:32

As obras realizadas ao longo dos últimos cinco anos pela companhia de engenharia do Exército brasileiro no Haiti praticamente não foram afetadas pelo terremoto que atingiu a capital do país, Porto Príncipe, no último dia 12.


“Mandei fazer um levantamento e quase todas as nossas realizações permanecem intactas. A exceção foi o Forte Nacional, o antigo quartel ocupado pelo batalhão brasileiro”, disse à Agência Brasil o comandante da companhia, coronel Delcio Monteiro Sapper.  

O que parece um detalhe insignificante diante das dezenas de milhares de mortos e do número incalculável de feridos e desabrigados é um alento para os sobreviventes que continuarão se beneficiando de alguma das realizações da companhia brasileira. Caso das 32 crianças abrigadas no orfanato da Fundação Blessing Hands, construído em Croix-Des-Bouquets, subúrbio de Porto Príncipe. Ou dos futuros alunos da escola mista comunitária de Fejeat, que atenderá a 200 crianças da região de Mirebalais, a 45 quilômetros da capital. Ambas as obras foram concluídas com material doado pelos próprios militares.

É também um consolo para os brasileiros que não viram parte do trabalho de cinco anos se perder em poucos minutos. Segundo Sapper, desde que a unidade chegou ao país, em 2005 (quase um ano após o Brasil assumir o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), em 2004), as realizações de seus sucessivos integrantes vão muito além do que prevê a missão institucional da companhia.

Embora oficialmente os 250 militares da companhia estejam no país para dar apoio às outras unidades da Minustah, cuidando, por exemplo, da desobstrução e da manutenção de ruas e estradas e da construção de poços artesianos para o abastecimento das tropas, eles também dedicam parte de seu tempo à recuperação da infraestrutura haitiana e a obras assistenciais que não só ajudam a minimizar o sofrimento de quem vive no país mais pobre do hemisfério Ocidental, mas também para que a presença militar brasileira não seja hostilizada pela população.

“Essa não deveria ser nossa principal missão, mas em decorrência das carências haitianas, temos que realizar esse tipo de trabalho complementar e que tem uma dimensão muito importante”, afirmou Sapper. De acordo com o coronel, passada as fases de resgates e de retirada de escombros e limpeza das ruas, a companhia brasileira deverá colaborar com a reconstrução da região afetada pelo terremoto.

“Ainda estamos na fase de levantamento dos prejuízos e dos recursos necessários, mas não há dúvida de que o volume de trabalho será imenso. O trabalho vai ter que ser complementado por muitos órgãos e empresas”, declarou o coronel, explicando que, certamente, a companhia brasileira terá que ser reconfigurada.

“Com o que já possuímos em termos de equipamentos e de homens é possível fazer muita coisa, mas certamente vamos ter necessidade de aumentar essa capacidade. Iremos solicitar meios ao Brasil. Antes temos que esperar que a ONU e o governo haitiano definam suas necessidades e prioridades para, então, solicitarmos os equipamentos adequados e a mão-de-obra especializada”, concluiu o coronel.-->
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