De férias no Rio, marceneiro brasileiro conta como foi viver a tragédia do terremoto no Haiti

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postado em 28/01/2010 17:51

O marceneiro maranhense Inaldo Castro da Silva, de 44 anos, mora há 15 anos no Haiti e está de férias no Cosme Velho, zona sul do Rio de Janeiro. Em entrevista à Agência Brasil, ele contou como foi a angústia de ficar três dias sem conseguir avisar à família que sobreviveu ao terremoto.


Inaldo conta que muito do que produziu nesses anos está debaixo de escombros em casas e prédios da capital haitiana, Porto Príncipe. O marceneiro disse que será necessária a calma de um artesão para reconstruir a cidade.

Apesar de ter sido bem tratado pelos haitianos, Inaldo não acredita que vá voltar a morar no país. Quando acabar sua férias, no final de fevereiro, ele pretende ir à Porto Porto Príncipe e procurar a empresa em que trabalhava, para se desligar.

Agência Brasil - Como foram os momentos em que ocorreu o tremor?
 
Inaldo Castro da Silva - Foi um susto muito grande. Eu tinha chegado do trabalho havia 20 minutos quando começou aquele tremor de terra, tão grande e tão rápido. Dentro de 15 segundos, acabou com a cidade quase toda. Foi muito horrível. Eu estava no segundo andar e só deu tempo de pegar minha mulher e sair do hotel onde moramos. Fomos para um pátio e ficamos lá, abraçados, sem saber a proporção da tragédia. Passamos a noite toda lá, sem poder entrar no hotel.
 
ABr – E qual é o retrato de Porto Príncipe após a tragédia?

Inaldo – A cidade vive uma dor muito grande. Falta água, comida. A ajuda chega, mas não é suficiente para eles, porque há muitos desabrigados. Os supermercados foram destruídos, então fica muito difícil começar uma nova vida.

ABr – Como você conseguiu avisar à sua família que você estava bem?

Inaldo – Não conseguia falar com eles. Depois de três dias, eu fui para a República Dominicana, terra natal da minha esposa, para dar um sinal de vida para eles. Até então, eles estavam sem saber de mim e já pensando no pior.

ABr – Por que você decidiu ir para o Haiti?

Inaldo – Eu fui pra lá para substituir um brasileiro em uma companhia francesa que, depois, foi vendida para três sócios haitianos. As pessoas gostaram do meu trabalho e eu fui me adaptando aos poucos. Também comecei a treinar um pouco de orientação, explicar como trabalhar a madeira bruta, como fazer as janelas e portas.

ABr – Como os haitianos recebem os brasileiros que chegam por lá? Foi fácil se adaptar à vida em Porto Príncipe?

Inaldo - Os haitianos são muito carentes e gostam muito dos brasileiros. Sempre tratam a gente com muito respeito, muito carinho e isso me dava muita alegria. Eles querem sempre aprender com a gente.

ABr – Você ainda pensa em voltar para o Haiti?

Inaldo - Antecipei minhas férias que seriam em junho e vim para o Brasil ver a família. No fim do mês, vou para a República Dominicana passar mais alguns dias e, só depois, vou para o Haiti para ver com a empresa o que eu vou fazer. Por enquanto é isso, não sei. Agora, só Deus é quem sabe do meu destino.
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