Haiti, uma história de desmandos e pobreza

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postado em 03/02/2010 20:15

A calamidade social e a degradação humana expostas pelo terremoto que devastou o Haiti três semanas atrás têm raízes profundas que remontam à época anterior a independência do país, em 1804. O Haiti nasceu de uma revolta de escravos contra o colonialismo francês, liderado pelo exército de Napoleão Bonaparte. Foi a primeira nação negra do mundo a criar uma república, erguida em parte de metade ocidental da Ilha Hispaniola, no Caribe.

As guerras pela independência acabaram destruindo os grandes canaviais, substituídos pelo sistema de corvée, que previa a expansão das atividades da cultura de cana-de-açúcar em pequenas propriedades rurais. Como elas não acompanharam o desenvolvimento da tecnologia açucareira do final do século XIX, o Haiti empobreceu – situação que só se agravou ao longo do anos.

Primeiro país a abolir a escravidão nas Américas e a impor uma derrota singular às tropas de Bonaparte, o Haiti foi isolado pelos europeus e norte-americanos para não dar exemplo às demais colônias das Américas. A revolta dos escravos submetidos ao trabalho exaustivo e a castigos nos canaviais trouxe a libertação ao país, mas o condenou a ficar à margem do processo de desenvolvimento econômico.

Desde então, o Haiti nunca mais se recuperou, passando por períodos de ocupações, golpes de Estado e ditaduras. Os Estados Unidos, por exemplo, invadiram o país em 1915 e o governaram até 1934. A retirada só ocorreu depois que os norte-americanos cobraram as dívidas do City Bank e tornaram sem efeito o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros

 

Essa trajetória atribulada contaminou as comemorações do bicentenário da independência, em 2004, quando uma onda de protestos levou à destituição do presidente Jean-Bertrand Aristide. No rastro do avanço dos rebeldes, liderados por Guy Philippe, os enfrentamentos com os Chimeres, o exército leal a Aristide, deixou um saldo de centenas de mortos e feridos.

Aristide havia chegado ao Palácio Nacional pela segunda vez nas eleições de novembro 2000, marcadas pelo boicote da oposição que denunciou fraudes nas eleições legislativas de maio daquele ano. Com Aristide, o país seguiu o seu caminho de pobreza, atraso e corrupção. Com a tomada do poder pelas milícias, o pouco de ordem pública que existia acabou.

 

A sociedade haitiana está dividida por um sistema parecido com o de castas, entre uma maioria negra, cerca de 90%, e uma minoria (em torno de 10%) de mulatos e brancos. A língua, os costumes e a religião são diferentes. Os mulatos e brancos continuaram ligados à cultura francesa. Já os negros praticam o vodu e o catolicismo e falam o créole.

 

A pobreza assola o país. Apenas 0,5% dos rios são perenes, fruto do desmatamento para produção de carvão vegetal; 47% da população é analfabeta, grande parte das pessoas só come a cada dois dias; 80% vivem com rendimentos abaixo da linha da pobreza e 60% não têm trabalho.

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