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Brasília entrou na onda do iê-iê-iê e viu juventude aderir à moda do rock

Os LPs dos cantores e grupos - a expressão banda ainda não era utilizada - do movimento disputavam com os dos Beatles espaço nobre nas prateleiras da Discoteca Paulistinha

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postado em 27/11/2013 06:00 / atualizado em 27/11/2013 13:31

Arquivo Pessoal

Em 1965, o país vivia sob a ditadura militar e tinha como presidente o general Humberto de Alencar Castelo Branco. Brasília, ainda em construção, era uma cidade pacata e incipiente artística e culturalmente, com raríssimas opções nas áreas do lazer e do entretenimento — principalmente as voltadas para os jovens.


Quando, em agosto daquele ano, a TV Alvorada (Canal 8) passou a transmitir o programa Jovem Guarda, apresentado na TV Record, em São Paulo, a nova capital parava. Todos os domingos, a partir das 19h, a cidade ia para a frente dos antigos aparelhos de tevê em preto e branco assistir a Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

Mas não era só isso. Os LPs dos cantores e grupos — a expressão banda ainda não era utilizada — do movimento disputavam com os dos Beatles espaço nobre nas prateleiras da Discoteca Paulistinha, na 507 Sul, em plena W3. À época, a movimentada avenida era centro comercial da capital.

Ao lado da Paulistinha, o magazine Bi-Ba-Bô exibia em suas vitrines vistosos blusões, calças boca de sino inspiradas nas usadas por Roberto e Erasmo; e as minissaias com as quais Wanderléa atraía olhares cobiçosos dos fãs. Quem tinha poder aquisitivo menor ia em busca dos genéricos de produtos similares na FoFi (105 Sul).

Em festinhas concorridíssimas, nos apartamentos do Plano Piloto e nas casas das chamadas cidades-satélites, principalmente Taguatinga, sucessos da Jovem Guarda, como Parei na contramão, Splish splash, Gatinha manhosa, Menina linda e Ternura, embalavam as improvisadas pistas de dança. Marcaram época, por exemplo, as festas na casa de Fernando e Carlinhos Bahout na QSA 23, em Taguatinga.

Arquivo Pessoal

No mesmo período, começaram a surgir grupos formados por músicos brasilienses que, embora fãs dos Beatles, Rolling Stones e The Birds, tinham, também, como referência, a turma da Jovem Guarda. Destacavam-se Os Reges, Os Primitivos, Os Infernais e Os Geniais, que participavam de programas ao vivo na TV Brasília e TV Nacional e tocavam no circuito de clubes sociais, como Iate, Congresso, Jockey, Motonáutica, Bacrévea e Unidade de Vizinhança, e, também, em boates, como a Tendinha do Hotel Nacional.
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