Jornal Correio Braziliense

O Brasil Que Ninguem Ve

Microempresários levam consumo às periferias esquecidas por grandes lojas



Maria Raimunda dos Reis, 30 anos, acaba de abrir uma pastelaria na parte da frente da casa dela, no Sol Nascente, a segunda maior favela do Brasil, localizada na região de Ceilândia. Não é algo que pretendia fazer há alguns meses, quando trabalhava como gari. ;Me vi obrigada a montar o negócio;, contou ela. Foi o único jeito de ficar por perto da filha de 4 anos, para quem não conseguiu vaga em creche ou escola ; os outros três, entre 2 e 12 anos, estão matriculados.

A renda de Raimunda com a pastelaria ultrapassa R$ 1 mil, maior do que os R$ 800 que recebia com a carteira assinada. Mas sobra só a metade do que entra depois de pagar pontualmente a prestação de uma financeira, com quem tomou R$ 3.000 emprestados para construir o cômodo em que instalou a pastelaria, comprar o equipamento para fritar, uma geladeira e o estoque dos outros produtos que vende: chocolate, balas, cerveja e cachaça. Mas a empresária não desanima. ;Daqui um ano, isto aqui vai estar muito melhor. Quero parar de vender pinga quando puder me manter com o resto;, contou. Tem planos também de regularizar o empreendimento, hoje informal.