postado em 07/12/2012 08:25

O diretor-geral adjunto de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Francesco Bandarin, compreende a dimensão da perda de Oscar Niemeyer. O italiano, arquiteto por formação, é um dos mais conhecidos especialistas mundiais em urbanismo. Passou por Brasília algumas vezes enquanto diretor do Centro de Patrimônio Mundial, já que a capital consta na lista da organização desde 1987. Na visita que fez ao Brasil, em 2009, encontrou-se pela última vez com o arquiteto brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Correio, Bandarin fala de Brasília como patrimônio da humanidade, relata os encontros que teve com Niemeyer e revela como foi a reação, em Paris, na sede da instituição, à morte dele.
Encontro
Em 2009, eu estava no Rio e fui visitar Niemeyer em seu escritório. Fiquei com ele por mais de uma hora. Conversamos sobre tudo. Arquitetura, França, perspectivas. Foi uma conversa iluminada, que carrego sempre no coração. Fiquei impressionado com a produção. Ele estava trabalhando em muitos projetos. Fiquei com uma impressão de estar diante de um grande homem, mas, ao mesmo tempo, muito simples. Ideias nítidas, sem pretensão. Claro, consciente do seu papel na história da arquitetura, seja no Brasil ou no mundo. Tive muita sorte de encontrá-lo pessoalmente.
A notícia
Quando recebi a notícia, fui tomado por muita emoção. A perda de um ;maestro;, embora o termo ainda seja pequeno perto dele. Um símbolo. Também sou arquiteto. Então, a identificação, além de tudo, era pessoal. Mas, temos que lembrar que não somos imortais. Fica o luto, a dor. Entretanto, também fica a certeza de que esse homem cumpriu uma vida incrível, de muita contribuição. Estive, agora há pouco, com o (fotógrafo) Sebastião Salgado, que está em Paris. Comentamos da comoção gerada. Niemeyer era uma figura do mundo ; não somente do Brasil ; que desaparece, mas deixa um enorme legado.