Jornal Correio Braziliense

Pensar Brasilia

Seminário debate a descentralização do setor produtivo e de serviços do DF



O quinto e último seminário do projeto Pensar Brasília, promovido pelos Diários Associados-DF, debateu a questão do desenvolvimento econômico. O diretor de Planejamento e Finanças dos Diários Associados-DF, Leonardo Guilherme Lourenço Moisés, abriu o evento, realizado na manhã da última quinta-feira no auditório Hipólito José da Costa, no prédio do Correio Braziliense. Representando o diretor de Comercialização e Marketing , Paulo César Oliveira Marques, Moisés afirmou que a convergência de ideias é capaz de mudar os rumos da capital do país, ao promover o debate sobre as saídas para uma cidade com apenas 52 anos, mas já cheia de desafios.

"Sabemos o quanto é importante, não só o governo, mas toda a sociedade, trabalhar para que se tenham condições sustentáveis para que Brasília possa apresentar um crescimento econômico de forma inteligente", afirmou. Segundo ele, o Distrito Federal mostrou um crescimento do Produto Interno Bruto abaixo da média nacional e que isso é um sinal de alerta. ;Para quem vive aqui, é significa perda de competitividade, que pode, de certa forma trazer prejuízos para a economia;, acrescentou.

[SAIBAMAIS]O último ciclo de debates contou com as palestras do secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Cristiano Araújo; de Patrick Maurice Maury, doutor em ciências econômicas e sociais para a América Latina pela Universidade de Paris, e da arquiteta Karla Figueiredo, diretora de Responsabilidade Social da Associação de Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

O secretário Cristiano Araújo expôs os rumos do desenvolvimento econômico no DF e os desafios enfrentados pela pasta, além do trabalho que vem sido feito para o avanço da capital do Brasil na área (leia mais na matéria abaixo). Ele adiantou que o governo local vai na atração de indústrias para aumentar a temperatura da economia brasiliense nos próximos anos, mas reconheceu a competição com outras unidades da Federação. Antes de assumir a secretaria, comandou a pasta da de Ciência, Tecnologia e Inovação, onde desenvolveu diversos projetos de qualificação profissional de mão de obra voltada para o setor de tecnologia da inovação , além de consolidar a instalação definitiva do Parque Tecnológico Capital Digital.

Em seguida, o francês Patrick Maurice Maury falou sobre a dimensão econômica que o Distrito Federal ganhou no Centro-Oeste ao longo da sua existência (leia mais na página 10). Em sua fala, Maury alertou sobre a importância do agronegócio e o potencial de Brasília como um polo irradiador de desenvolvimento regional. Para ele, a área de influência da capital brasileira ultrapassa os limites da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal (Ride-DF).

Maury é engenheiro agrônomo e consultor em gestão e prospectiva estratégica. Trabalha no Brasil desde 1972 como especialista em Desenvolvimento Regional e Sistemas Agroambientais.

Por último, a arquiteta Karla Figueiredo aproveitou a ocasião para falar sobre os caminhos para o desenvolvimento sustentável nas cidades e a direção das políticas públicas para viabilizar a vida na cidade e seu desenvolvimento ordenado sustentável (leia mais na página 10). Ela lembrou que apenas o Plano Piloto é tombado pelo patrimônio histórico e que a cultura da imutabilitade urbanística e da setorização deve ficar restrita à área tombada. Em seu ponto de vista, as satélites precisam tornar-se locais mais adensados e dinâmicos, verdadeiros polos de desenvolvimento econômico, para se livrarem da dependência atual do centro de Brasília. Formada pela Universidade de Brasília e mestre em Planejamento Urbano. Com MBA em Gestão Empresarial, é ainda diretora comercial da Gomes Figueiredo Arquitetura há 20 anos.

Todas as palestras acentuaram que os 22 municípios que integram a Região Integrada de Desenvolvimento Econômico do DF (RIDE) formaram um bloco urbano com a capital da República. Sem encontrar soluções integradas para essas cidades, com apoio da União e das unidades da Federação responsáveis, o futuro de Brasília estará comprometido.

Mão de obra qualificada
6.840 doutores e 13.000 mestres, uma média de 280 doutores para cada 100 mil habitantes, a maior do país 1 em cada 5 jovens a partir de 25 anos possui ensino superior completo

Vantagens Competitivas do DF
2,6 milhões Total do mercado consumidor de habitantes com um PIB per capita de R$ 50 mil/ano no DF 60% da população do DF é economicamente ativa