Pesquisa da UnB revela que consumo de água é maior em bairros de alta renda

Troca de equipamentos, controle de vazamentos e sistema que reaproveitam chuva são soluções factíveis

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 22/03/2013 08:00 / atualizado em 21/03/2013 17:55

Tina Coêlho/Esp. CB/D.A Press

No Distrito Federal, bairros com maior renda são os campeões de consumo de água. É o que mostra a pesquisa de doutorado do professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Daniel Sant'Ana. O estudioso comprovou em sua tese que existe correlação entre renda, tipologia residencial e consumo de água. Daniel também sugere algumas iniciativas, como a troca de máquinas e reformas simples nas casas, que não pesam no bolso e no meio ambiente.


"Se compararmos duas extremidades, a tipologia da renda baixa, como, por exemplo, em Samambaia, é menor, não tem jardim avantajado, os quintais são menores e geralmente não tem grama. Já a de classe alta, como é o caso do Lago Norte, conta com lotes maiores e casas com piscinas", explica. "Tudo isso afeta a área de consumo de água", exemplifica.

Leia mais notícias do Ser Sustentável

Entre o uso dos grandes vilões do consumo (a descarga sanitária, o chuveiro, a pia da cozinha e a máquina de lavar roupa), também é perceptível a disparidade entre as classes. Na de renda alta, por exemplo, a descarga é responsável pelo uso de 42 litros por pessoa, por dia. Em casas de baixa renda, o número cai para 19 litros por pessoa, por dia.

As diferenças também são perceptíveis no chuveiro. Pessoas com rendas mais elevadas gastam 36 litros por pessoa, por dia. Já as de renda menor, consomem 13 litros por pessoa, por dia.

O professor do departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB Sérgio Koide explica que o consumo médio de água no Plano Piloto ultrapassa os 400 litros por habitante, por dia. Em Samambaia, o valor não chega a 100 litros.

"Em Samambaia, a maioria das pessoas sai muito cedo para o trabalho e volta muito tarde e a conta de água é um item importante das despesas. As casas do Lago Sul têm piscina, jardim. O consumo lá chega a valores absurdos. No ano passado, dados da Caesb mostraram que se chegou a 1 mil litros por habitante, por dia", conta Koide.

O professor explica que o alto índice se deve não apenas ao fato de o bairro contar com jardins e piscinas nas residências, mas também ao problema do vazamento. "As companhias geralmente não zelam pela perda de água. A perda média chega a 50%. As casas consomem metade do que se põe na rede", avalia. "A taxa da Caesb fica entre 25% e 35%, o que é considerado um índice bom no Brasil. Mas na Alemanha a perda média é de apenas 4%", compara.

Soluções
Mas se a pesquisa revelou que variáveis de renda e tipologia afetam o consumo da água, o estudo também permite criar modelos para contornar essa situação. Para Segio Koide, há várias saídas possíveis. Uma delas é a instalação de hidrometração (aparelho que permite medir o consumo de água) por apartamento. Desde 2011, por lei, todos os prédios novos são obrigados a ter esse artefato.

O problema está nos antigos, como é o caso da maior parte das quadras do Plano Piloto. "Estudos mostram que onde foi feita a hidrometração houve redução de 20% no consumo. A cada cinco apartamentos com isso, você economiza o equivalente ao consumo total de um outro apartamento", comenta.

Koide avalia que mudanças de hábitos, como reduzir o tempo do banho e fechar a torneira ao escovar os dentes, também são importantes, mas difíceis de serem implementadas. Outra dica dada por ele é ficar atento a possíveis vazamentos, que podem ocorrer, por exemplo, com uma válvula danificada no vaso sanitário.

Para o pesquisador Sant'Ana, é preciso encontrar soluções simples e eficientes. O levantamento feito por ele em 2011 mostrou que os brasilienses dizem estar preocupados com os recursos hídricos, mas não estão dispostos a gastar muito por isso.

Diante desse fato, a sugestão é investir em equipamentos que diminuem o gasto da água e aproveitar as reformas da casa para instalar um sistema que possa aproveitar a água da chuva. "Os antigos vasos sanitários usam cerca de nove litros por descarga. Hoje, há no mercado modelos de acionamento duplo, que usam de três a seis litros", conta.

Segundo Sant'Ana, com a simples adoção de máquinas que fazem uso mais econômico e inteligente do recurso hídrico, e fazendo o reuso da água, há redução em média de 96 litros por pessoa, por dia. "Se todas as residencias no DF fizerem isso, a gente reduz, 86 mil 890 km cúbicos de água por ano", diz.

A dona de casa Lúcia Ávila, 50 anos, não mediu esforços e reduziu em 50% o consumo de água em sua casa. A conta não ultrapassa os R$ 250 e o consumo gira em torno dos 48 metros cúbicos por mês. Trocou vasos sanitários, chuveiros e comprou máquina de lavar roupa mais econômica. A residência também conta com sistema que aproveita a água da chuva.

"Meus maiores gastos eram com a máquina de lavar roupa e vaso sanitário. Acho que valeu muito a pena. Recomendo muito. A reforma toda ficou em R$ 8 mil, mas a diferença é grande", comenta. "O preço tende a diminuir com o tempo. A primeira vez que instalei aquecedor solar era caríssimo, hoje já está mais acessível", acrescenta.

E não há muito como fugir dessa realidade de adaptações. De acordo com o pesquisador, a demanda por recursos hídricos no DF aumenta constantemente por conta das novas áreas de expansão e por causa do crescimento da população. "Na minha opinião, a gestão tem que ter equilíbrio entre oferta e demanda, temos que focar no controle da demanda e promover o uso racional desse bem", conclui.



Usos finais de água, por litros por pessoa, por dia

Torneira de lavatório
Renda Alta: 18
Renda Média Alta: 21
Renda Média Baixa: 10
Renda Baixa: 13

Chuveiro
Renda Alta: 36
Renda Média Alta: 53
Renda Média Baixa: 33
Renda Baixa: 28

Bidê ou ducha higiênica
Renda Alta: 3
Renda Média Alta: 3
Renda Média Baixa: 4
Renda Baixa: 1

Descarga sanitária
Renda Alta: 42
Renda Média Alta: 35
Renda Média Baixa: 27
Renda Baixa: 19

Torneira de cozinha
Renda Alta: 35
Renda Média Alta: 34
Renda Média Baixa: 29
Renda Baixa: 22

Filtro de água
Renda Alta: 3
Renda Média Alta: 3
Renda Média Baixa: 2
Renda Baixa: 2

Máquina de lavar louça
Renda Alta: 5
Renda Média Alta: 1
Renda Média Baixa: --
Renda Baixa: --

Torneira de tanque
Renda Alta: 23
Renda Média Alta: 22
Renda Média Baixa: 14
Renda Baixa: 10

Máquina de lavar roupas
Renda Alta: 34
Renda Média Alta: 49
Renda Média Baixa: 25
Renda Baixa: 17

Vazamentos
Renda Alta: 27
Renda Média Alta: --
Renda Média Baixa: 0,5
Renda Baixa: 5

Usos finais do consumo externo de água, por litro, por metros quadrados, por dia

Torneira de jardim
Renda Alta: 2,2
Renda Média Alta: 0,5
Renda Média Baixa: 0,7
Renda Baixa: 0,7

Piscina
Renda Alta: 9
Renda Média Alta: --
Renda Média Baixa: --
Renda Baixa: --

Poço artesiano
Renda Alta: 0,8
Renda Média Alta: --
Renda Média Baixa: --
Renda Baixa: --

Reúso de água
Renda Alta: 1,3
Renda Média Alta: --
Renda Média Baixa: 1,5
Renda Baixa: 1,5
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
GILMAR
GILMAR - 23de Março às 09:15
DEVERIA SER AO CONTARIO SE OS RICOS BARSILEIROS FOSSEM INTELIGENTES
 
GILMAR
GILMAR - 23de Março às 09:13
O RICO TAMBEM TEM MAIS DINHEIRO QUE OS POBRES! KKK
 
GILMAR
GILMAR - 23de Março às 09:12
EU QUERO E NOVIDADE E CLARO QUE TAMBEM SÃO OS QUE MAIS CONSOME MAIS COMIDA,MAIS COMBUSTIVEIS FOSSIL ,SÃOS O QUE MAIS POLUEM DEGRADA A NATUREZA.
 
Lucas
Lucas - 22de Março às 11:22
Eu já sabia Galvão! Precisa de uma tese de Doutorado para constatar o óbvio?
 
Tiago
Tiago - 22de Março às 09:57
se vc é rico, tem um posto de gasolina, ou hospital particular, shopping venha até a ADASA e peça o seu poço artesiano, e livre-se das incomodas contas de água para sempre. Porque pagar água é coisa de pobre. ADASA tornando a vida dos ricos cada vez melhor e mais sustentável.