Para especialistas, BRT é a solução do transporte público das cidades

A mobilidade urbana é debatida no II Encontro dos municípios com o desenvolvimento sustentável, que ocorre até amanhã em Brasília

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/04/2013 15:25

Especialistas do governo, de movimentos sociais e da iniciativa privada chegaram ao consenso de que o ônibus BRT (Bus Rapit Transit, que significa corredores exclusivos) é a melhor solução para o transporte público das cidades brasileiras, durante o II Encontro dos municípios com o desenvolvimento sustentável: Desafios dos novos governantes locais, que ocorre nesta quarta-feira (24/4) e vai até amanhã no Brasil 21.


Durante o painel do fórum TED-alike sobre os Desafios da sustentabilidade urbana e metropolitana: Mobilidade e resíduos sólidos, o diretor de BRT da Volvo, Ayrton Amaral, destacou algumas qualidades desse tipo de sistema, que segundo ele, tem aspectos parecidos com o metro, como a plataforma na mesma altura do veículo, uso de canaletas (espaço exclusivo para o veículo na via) e pagamento em guichês, fora do veículo.

Leia mais notícias do Ser Sustentável

Ayrton também fez algumas comparações entre os dois modelos de transporte público. “Temos de metronizar o ônibus. O BRT permite construir 20 vezes mais quilômetros com o mesmo valor investido no metrô, é construído cinco vezes mais rápido e, em dois anos e meio, conseguimos ter o sistema pronto. Isso dá para fazer dentro de um mandato”, ressaltou para os governantes.

BRT

O BRT está na lista dos projetos de 2013 do governador Agnelo. O sistema ligará o terminal da Asa Norte até Sobradinho e Planaltina e, em seguida, será ligado ao Eixo Sul, do terminal Norte até a Rodoviária do Plano Piloto pelo Eixão ou pelo Eixinho. A previsão é que as faixas exclusivas do BRT beneficiem os moradores de Santa Maria, do Gama, do ParkWay, do Plano Piloto, de Sobradinho e de Planaltina.

Transporte individual

Segundo os dados apresentados por Ayrton durante a palestra, 1/4 da população perde mais de duas horas por dia no trajeto para o trabalho e a venda de automóveis triplicou no país -- chegando a 8.427 veículos por dia --, fenômenos que, segundo ele, podem levar as cidades para a imobilidade.

O presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense Pires, chamou atenção para a diferença de emissão de poluentes por tipo de transporte. Segundo os dados apresentados, o transporte coletivo é responsável por R$ 2,2 bilhões em gastos por ano, enquanto o individual gera R$ 5,8 bilhões. “Esses dados mostram que temos uma política pública errada nas cidades e a despreocupação com a qualidade do serviço para usuário”, critica Ailton a priorização do transporte individual em detrimento do público.

Mobilidade

A jornalista e fundadora do blog Cidades para Pessoas, Natalia Garcia, afirma que é preciso estimular a diversidade das cidades e priorizar a população e que a boa mobilidade melhora a economia e a política das metrópoles. “A boa cidade é aquela que tem mais opções de transportes e sinalização para todos os modais.”

EMDS/Divulgação

A pedido do Ser Sustentável, Natalia fez uma breve avaliação de Brasília, pelo que ela pode observar na primeira visita à cidade para participar do encontro. A blogueira ressalta que chegou na capital com o olhar viciado “para o mal”, como destaca, devido ao livro Cities for people, do dinamarquês Jan Gehl, um dos grandes norteadores do seu trabalho. “O livro tem um capítulo chamado A síndrome de Brasília, em que ele diz que a cidade está fora da escala humana, que ela não foi feita para ser avistada ou percorrida a pé, e sim para ser percorrida em alta velocidade e ser vista do céu.”

Outra crítica, aponta Natalia, é por Brasília ser setorizada, que dificulta o acesso aos lugares a pé. “A minha experiência de Brasília é de fora, pouco legítima. Mas uma vez estava de passagem e fui andar na Esplanada para conhecer a cidade. Foi a pior experiência possível porque é uma distância muito longa, pouco sombreada, pouco feita para ser percorrida a pé, com muito concreto e avenidas expressas difíceis de atravessar”, critica. Pela qualidade plana da cidade, Natalia aposta nas ciclovias como uma possível solução de mobilidade.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.